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Templo centenário é reinaugurado no Rio de Janeiro

A Igreja Adventista do Méier, no Rio de Janeiro, foi organizada há 125 anos e o novo templo está no mesmo local há um século.

Por Fabiana Lopes 2 de setembro de 2021
portão de metal branco, com fita vermelha e pessoas puxando para inaurugação de templo adventista no Méier

Igreja Adventista do Méier comemora 125 anos com reinauguração de templo centenário. Foto: Jéssica Greenhalgh

A Igreja Adventista do Méier reinaugurou seu templo centenário na Rua Joaquim Méier, no último sábado, dia 28 de agosto. Sua organização aconteceu no dia 27 de outubro de 1895 e teve como seu primeiro pastor Frederick Weber Spies (1896-1912).

Neste ano, a Igreja completa 126 anos em outubro e, por isso, é a primeira igreja organizada do Rio de Janeiro e da União Sudeste Brasileira, que abarca três das cinco primeiras igrejas fundadas no país, como menciona o presidente da União Sudeste Brasileira, pastor Hiram Kalbermatter:

“Dos 223 mil adventistas que temos em nosso território, tudo começou aqui na Igreja do Méier. Hoje temos 2.500 congregações e a primeira está aqui neste mesmo local há 100 anos. Um trabalho dos pioneiros pastor Thurston e pastor Graf, na paixão que eles tiveram. Ainda que não falassem o português, Deus multiplicou seus esforços. Das cinco primeiras igrejas do Brasil, três delas estão aqui: Méier em 1985, Santa Maria do Jetibá no mesmo ano e Teófilo Otoni em 1896”.

Da esq. para dir. os pastores: Stanley Arco, Hiram Kalbermatter, Marcos Aguiar e Ademar Baesso. Foto: Jéssica Greenhalgh

Na comemoração centenária, estiveram presentes líderes da Igreja Adventista da América do Sul – Pr. Stanley Arco (presidente) e Pr. Rafael Rossi (assistente da presidência), União Sudeste Brasileira – Pr. Hiram Kalbermatter (presidente), Pr. Jabson Magalhães (tesoureiro) e Pr. Leonidas Guedes (secretário) e Região Central do Rio – Pr. Marcos Aguiar (presidente), Pr. Alexandre Lopes (tesoureiro) e Pr. Fernando Junior (secretário).

Pastor Stanley ressalta que “esta comemoração marca claramente a história do passado, como a igreja construiu este trabalho de evangelizar o povo do Rio de Janeiro e do Brasil por 125 anos ao todo e 100 anos neste lugar. É um momento de agradecer a Deus as bênçãos que Ele tem dado e como tem crescido o evangelismo neste país. É também a lembrança de uma vida eterna, onde reencontraremos amigos e irmãos. Estamos aqui de passagem e um dia estaremos eternamente juntos”.

Pioneiros do adventismo no Rio de Janeiro

Willian Henry Thurston (1855-1924), acompanhado de sua esposa Florence E. Strong e os filhos: Herbert, Millard Eugene, Clarence Fillmore e Claud, desembarcaram no Rio de Janeiro em 12 de agosto de 1894. Na bagagem, além dos pertences da família, duas caixas com livros em inglês e alemão, um desafio que iria além dos idiomas. O Rio de Janeiro era a capital do Brasil e tinha predominância católica.

Outros pioneiros desbravaram estas terras, como os pastores Huldreich Ferdinand Graf (1855-1950) e Frederick Weber Spies (1866-1935). Graf foi o primeiro pastor ordenado que chegou ao Brasil e Spies o primeiro a liderar a recém organizada Igreja Adventista do Méier. Segundo as informações históricas, a igreja do Méier foi organizada em 27 de outubro de 1895, sendo a segunda Igreja Adventista organizada no Brasil, a primeira em Gaspar Alto (SC), em 15 de junho do mesmo ano. Fonte: Revista Adventista

Atualmente, o pastor Ademar Baesso é quem lidera a igreja do Méier desde 2014 e foi ele quem comandou o momento de homenagem aos pioneiros da igreja. Betty Miñán Gomes, de 92 anos, filha do pastor Júlio Miñán Ares (1897-1971), recebeu uma placa comemorativa. Pastor Júlio formou-se na segunda turma do curso de Teologia do Colégio Adventista Brasileiro (CAB), atual UNASP Campus SP, em 1925. Miñán foi o oitavo pastor dos 36 que já estiveram à frente da Igreja do Méier.

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Betty conta que “amava recepcionar as pessoas que chegavam na igreja e entregar o boletim do culto”. Guarda com muito carinho a foto de seu casamento, realizado na Igreja Adventista Central do Rio por seu pai, pastor Júlio Miñán. Ela, que já é tataravó, se enche de orgulho ao falar do pai, de origem espanhola.

“Meu pai era baixinho (risos) e extremamente inteligente! Um homem que ficou encantado com a mensagem adventista apresentada pela minha mãe, Nina Miñán Maia. Casaram-se em Porto Alegre e mudaram-se para São Paulo, onde ele estudou o curso de teologia. Para manter o estudo e a família, ele consertava sapatos com a ajuda da minha mãe e vendia livros de maneira notável”, relembra.

O pastor Júlio Miñán Ares, depois de aposentado, escreveu vários artigos e duas coleções de livros produzidas pelo Ministério da Educação do Brasil no campo da astronomia.

Gerações de pioneiros no Méier

Antonio Oliveira de Souza foi tesoureiro por 18 anos. Foto: arquivo pessoal

O novo endereço, Rua Joaquim Méier, foi realidade em meados de 1920. A compra do terreno e a construção do primeiro templo foram possíveis por influência direta do tesoureiro, Antonio Oliveira de Souza, que ocupou a mesma função por 18 anos.

Desde então, a igreja tem realizado melhorias e celebrado a cada decênio o aniversário neste local. A neta de Antonio, Lenir dos Santos Silva, relembra a bondade que seu avô demonstrava às pessoas que participavam nos cultos e na construção, doando roupas, calçados e alimentos. A família do avô já está nesta igreja há seis gerações.

“Eu fui pianista da igreja por muitos anos e foi assim que meu marido me conheceu quando visitou a igreja pela primeira vez. Minha mãe, Diolette Souza dos Santos, foi quem o convidou para almoçar conosco. Namoramos e nos casamos em nove meses, neste ano completamos 51 anos juntos e somos muito felizes. Com meu avô eu aprendi a ajudar as pessoas. Era isso que ele fazia: convidava as pessoas para os cultos e depois doava roupas, calçados e alimentos. Mesmo sem conhecê-lo, pelas histórias que minha avó contava, eu me encantei por ele”, relata Lenir, emocionada.

Fernando sempre gostou da Escola Sabatina. Tem uma memória incrível para relembrar nomes e datas com muita precisão. “No aniversário de 90 anos deste templo, eu estava à frente da Escola Sabatina. Sinto saudade de estar atuando, mas precisamos dar a vez para os mais novos continuarem o trabalho, não é mesmo?”, destaca.

Martinho Ferreira de Moura é filho do pioneiro Floriano de Moura, mineiro de Belo Horizonte-MG. Floriano conheceu a mensagem adventista com o amigo e pastor Modesto Souza, que foi diretor de Colportagem no Rio. Das lembranças que guarda da infância, Martinho relembra de quando tomava a mamadeira no colo de sua mãe e observava o teto da igreja, todo de madeira e na cor cinza.

Foto de uma família: homem pardo, de óculos, cabelo curtovestindo terno e gravata. Mulher parda, cabelo curto e castanho com vestido escuro. Duas mocinhas de pele parda, cabelos cacheados, uma séria e outra sorrindo. Filhas do casal de adultos. Foto em preto e branco.

Foto da família Rocco com dedicatória ao pioneiro Floriano de Moura. Foto: arquivo pessoal

“Meus pais foram batizados pelo pastor Raul Rocco (1909-1980), por volta de 1951. Nossa vida era a igreja: sábados pela manhã na Escola Sabatina e no culto, à tarde na liga MV (Missionários Voluntários) mais conhecida agora como JA (Jovens Adventistas), e à noite hora social. Domingo à tarde a gente jogava pingue-pongue e à noite novamente no culto. Me lembro perfeitamente dos meus pais, eu e meu irmão vindo juntos para a igreja. Morávamos do outro lado do Méier e atravessávamos a ponte de ferro… isso sempre me vem à memória”, relembra Martinho, emocionado.

Curiosidade histórica

O folheto ‘O Arauto da Verdade’ está na Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, datado de julho de 1900, como um importante acervo da história da imprensa brasileira. Foi o primeiro folheto traduzido do alemão para o português, editado por Guilherme Stein Junior (1871-1957), primeiro converso adventista batizado no Brasil.

Segundo o pastor Marcos Aguiar, líder da Igreja Adventista na região Central do estado do Rio, a comemoração dos 100 anos do templo do Méier no mesmo local é “um momento ímpar” e remete ao fato histórico que tem registro na Biblioteca Nacional, localizada no Centro do Rio de Janeiro.

“O folheto de 12 páginas foi a primeira literatura traduzida do alemão para o português, ele é comemorativo e é uma relíquia que nos emociona e ao mesmo tempo conta sobre as doutrinas da igreja: sábado, Nova Terra, Santuário Celestial. Este folheto deu início ao ministério de colportagem aqui no Rio de Janeiro com o pastor Thurston, quando abriu o depósito de livros na Rua do Ouvidor, que até podemos chamar de ‘primeira’ Casa Publicadora”, afirma Aguiar.

Toda a cerimônia de celebração dos 100 anos do novo templo da Igreja Adventista do Méier pode ser assistida no canal Adventistas Rio. As fotos da comemoração foram feitas por Jéssica Greenhalgh e Leonidas Guedes.

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