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Aos 51 anos, adventista sobe ao pódio pela 259º vez

Depois de ter coletado restos de comida para sobreviver em finais de feira livre, atleta se muda para São Paulo e coleciona troféus de corrida.

27 de outubro de 2015
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Atleta comemora 52 anos nesta terça-feira, 27 de outubro. (Foto: Wallcley Rêner)

São Paulo, SP… [ASN] Aos 51 anos de idade, Edinalva da Silva Nunes subiu pela 259º vez no pódio. A feirante conquistou o primeiro lugar na Categoria Feminina da Corrida Mexa-se pela Vida, que aconteceu neste domingo, 25. Adventista há 19 anos, a atleta coleciona troféus das aproximadamente 300 provas que realizou nos últimos 20 anos.

Além dos circuitos, Edinalva também é uma campeã no quesito superação. Dona de um diálogo simpático e simples, tem uma rotina que começa na madrugada. “Às 3h30 acordo e leio minha Bíblia e a Lição da Escola Sabatina. Depois me arrumo para ir treinar”, esclarece. São quatro treinos por semana, com duração de 2h30 cada e 10Km percorridos.

A atleta conta que possui uma vida agitada. “Logo depois eu faço as compras da feira e vou trabalhar nela. Depois vou trabalhar no brechó e quando volto para casa, às 19h, vou para a academia”, relata. Ela é feirante na Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo (SP), profissão que exerce há 27 anos.

Corrida pela sobrevivência

No final da década de 1990, Edinalva foi incentivada por uma amiga a participar de circuitos de rua. “Eu lutei karatê por 10 anos e corria para treinar, isso tudo com o quimono. Um dia uma amiga corredora me viu e me incentivou a ir nos circuitos. Participei da São Silvestre e desde então nunca mais parei”, lembra. Segunda ela, a melhor posição que conseguiu ao longo das edições dessa prova foi a 22º colocação. “Tive o prazer de correr com as quenianas.”

Para a feirante, a obstinação pela corrida foi herdada do pai. “Éramos 10 irmãos. Meu pai tinha uma vida corrida, do trabalho para casa, almoçava rápido e corria de volta para o trabalho para poder sustentar os filhos”, recorda.

Apesar do esforço do pai, a vida da família era difícil. “Passávamos fome, tínhamos que pegar os alimentos que restavam da feira para comer e sobreviver”, esclarece. Aos 12 anos, no sonho por uma vida melhor, de Santa Vitória (MG), ela se mudou para São Paulo com o irmão.

Posteriormente foi abandonada pelo marido e perdeu sua primeira filha em um acidente. “Desde que perdi minha filha, tenho sérios problemas com a memória. O meu consolo foi a minha segunda filha. Hoje ela tem 27 anos”, destaca.

Abaixo, veja a galeria com algumas imagens da carreira de Edinalva:

 

“No final da luta sempre tem uma vitória. Eu sei o que passei na minha vida. Foi muito duro. Sinto que Deus está o tempo todo comigo. As aflições e humilhações que passei, aguentei tudo calada. Tive vontade de morrer, mas Deus tirou e hoje eu sou muito feliz”

Corrida como ministério

A corredora crê que sua vida foi salva por Deus, que tinha planos para seu futuro. Ao sofrer uma tentativa de assalto, esteve à beira da morte. “Quando estavam pegando a faca para me matar, por Deus, eu consegui escapar”, se emociona.

Após o incidente, ela ingressou novamente na Igreja Adventista. “Falei para Deus que se eu conseguisse superar o trauma, eu voltaria”, diz. Atualmente ela é colaboradora da Ação Solidária Adventista (ASA) na região norte da cidade de São Paulo.

Na rua, o esporte tem sido seu campo missionário. A desportista lembra que uma vez esperou 10 minutos para terminar o pôr do sol de sábado e dar a largada. “A prova estava marcada para às 18h de sábado em Interlagos e adiantaram para às 17h20. Como o pôr do sol era às 17h28, esperei. A largada iria acontecer e as pessoas me chamavam e perguntavam por que eu não ia para lá, e eu contava que era adventista. Depois que anoiteceu, larguei e acabei fazendo o melhor tempo da prova. Tentei ficar no pódio, expliquei a situação para os organizadores, mas não deu, mesmo assim, recebi as palavras incentivadoras deles”, testemunha.

“Algumas pessoas também me perguntam por que eu não paro. Não é porque eu estou mais velha que eu vou parar de treinar. Muitas pessoas são motivadas ao me verem no pódio e assim começaram a cuidar da sua saúde, isso me motiva”, conclui. Apesar de ter participado de outras provas, a vencedora afirma ter ficado preocupada neste domingo. “Pedi para Deus me ajudar a subir no pódio, afinal, eu não queria fazer feio na nossa corrida”. [Equipe ASN, Michelle Martins, com colaboração de Erica Marinho]

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