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“Não desistam de seus filhos”, criança faz apelo em Congresso de Pais

Hebert tem 8 anos de idade e testemunhou, junto a seus pais adotivos, como aconteceu sua mudança de comportamento por meio dos ensinamentos bíblicos em Congresso de Pais “Um Sonho de Deus para os Filhos”

11 de abril de 2018

Hebert e Eunice contam sua história em Congresso de Pais [Fotos: Gabriela Victorio e Renan Lima]

Por Michelle Martins

Hiperatividade, falta de concentração e mal comportamento escolar, esses são uns dos resultados de uma infância marcada pelo excesso do uso de tecnologia, afirma a psicóloga Rosemeire Ferreira, que palestrou no Congresso de Pais “Um Sonho de Deus Para os Filhos”, no último sábado, 07.

A mãe, Eunice Oliveira, comprovou isso com seu filho Hebert, de 8 anos de idade. “Filho do coração”, Nice – apelido- nasceu sem útero e não pode ser progenitora. Porém, há oito anos, decidiu ser mãe por meio da adoção. Ele chegou à família com um ano de vida.

Foi quando Hebert começou a ter acesso a tecnologia. “Vimos que ele era muito interessado por isso e a gente foi deixando ele no computador. A gente pensava que não iria fazer mal para ele, mas depois os danos vieram quando ele cresceu”

As reclamações de mal comportamento começaram a chegar. Na sala, o garoto dificultava o aprendizado dos colegas. Em casa, os games tomavam a mente e o tempo de recriação de Herbet.  “Damos tablets e notebook para uma criança de 3 anos. Para nós mães era até cômodo”, testemunha.

Hebert, Eunice (mãe), Isaque (pai) e Fernanda Piazze em momento de oração no Congresso de Pais

Porém de acordo com Rosemeire, apesar da praticidade momentânea, os resultados do uso abusivo da tecnologia chegam a causar a dependência, caracterizado por um transtorno psicológico, ocorrendo assim a abstinência, irritabilidade e danos na comunicação interpessoal.

Preocupados em ajudar o filho, os pais de Hebert aceitaram um desafio proposto pela diretora de Escola Sabatina Infantil do filho. Se tratava de decorar as crenças da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Na prática, Nice pediu para que o filho estudasse e a cada dia recitasse uma doutrina para ter acesso ao computador. “Em 28 dias decoramos as crenças, depois passamos para o Salmos, capítulo 23”

No passar dos dias, Hebert se habituou a ler e aprender os versos da Bíblia. Seu comportamento foi melhorado gradativamente. “Ainda bem que deu tempo para reverter. Ele é outro menino na escola, está querendo aprender. Fiquem de olho, porque vocês podem ajudar a professora também”, explica a mãe para uma plateia composta por pais.

Ao testemunhar sua história, a mãe se emocionou no Congresso de Pais. Hebert além de recitar os versos que aprendeu, também mencionou que seu sonho é ser um pregador e agradeceu os pais. “Não desistam dos seus filhos e mãe, pai, obrigado por nunca desistirem de mim”, agradeceu o menino.

Congresso “O Sonho de Deus para os Filhos”

O evento aconteceu pelo terceiro ano consecutivo no último sábado, 07, no auditório do Colégio Adventista de Vila Matilde. De acordo com a diretora do Ministério da Criança e Adolescente para as regiões Norte e Leste da capital de São Paulo, Fernanda Piazze, o evento contou com mais de 500 participantes.

Durante a manhã, a programação deu dicas para os pais por meio das palestras de Patrícia Oliveira, Sheila Procópio e Vânia Moreira. Que mostraram ideias de como os pais podem realizar os preparativos e interagirem com os filhos na passagem de sexta-feira para o sábado.

As palestras também abordaram como os pais e responsáveis pelas crianças podem identificar seus sinais. “Intitulada ‘As 5 Linguagens de Amor da criança’, o tema trabalhou como podemos ver na criança o que ela precisa para ser feliz”, conta Piazze.

Silvana ficou sabendo do Congresso de Pais pelas redes sociais e se interessou em participar

A mãe Silvana Santana estava na plateia para assistir o evento pela primeira vez. “Foi muito além da minha expectativa. São temas que acrescentaram na minha vida e vão trazer vários frutos. A minha motivação é poder dar uma educação melhor para a minha filha. Eu tenho uma filha de sete anos e trabalho muito, e a gente nunca sabe se está acertando ou errando”, conta Silvana.

Psicóloga Rosemeire Ferreira palestra em Congresso de Pais, ela é a fundadora do grupo de ajuda Tudo Anônimo no bairro Anália Franco

A organizadora afirma que os pais são os primeiros exemplos na formação dos filhos. “O que eles devem colocar em prática no dia-a-dia é ser um exemplo para os filhos”, relata Fernanda.

A psicóloga confirma, tanto que seu conteúdo no primeiro momento foi destinado aos pais. Como eles podem identificar o uso saudável, abusivo e compulsivo na internet. “Não adianta você cobrar do seu filho algo que você faz. A criança tem que ver coerência, os pais devem dar o exemplo”, afirma.

Para a mãe Silvana, o evento foi útil para ela ter uma base do que está fazendo certo e possivelmente errado. “A minha maior surpresa, sinceramente, foi que eu sou preguiçosa, que em coisas que eu deveria fazer com ela, eu deixo ela ficar com tablet, celular e na internet para eu poder descansar. Não percebi o mal que isso estava fazendo”

A profissional de psicologia especializada em dependência química ressalta que as ações repetitivas transmitem ao cérebro um comando para produzir dopamina. “A região do cérebro que a dopamina atua é a mesma de um dependente químico”, afirma. A recomendação foi reduzir o uso para 1 hora ao dia.

Para a mãe de Hebert, os pais não devem desistir de seus filhos já que educar exige colocar regras e, muitas vezes, mudanças. “Uma das coisas mais difíceis é construir o caráter de uma criança, a gente abre a mão de várias coisas nossas para dar para ela”

Família em momento de união no Congresso de Pais

“Podemos suportar qualquer fracasso, menos o fracasso dos nossos filhos”

Essa foi uma das frases que Gerson Pinto enfatizou em sua palestra “Sete Pecados Contra a Infância”. Ele abordou fatores culturais, industriais e de infraestrutura nas cidades que modificaram os hábitos saudáveis das famílias.

O palestrante mencionou falhas nos cuidados da criança como, a substituição de alimentos saudáveis por industrializados, a falta de atividades junto a natureza, a superproteção “não há amor sem limites”, o consumismo infantil, a sonegação da espiritualidade e outras.

Como solução, foram pontuadas as escolhas, tempo e o espaço que os pais oferecem aos filhos. “As prioridades vão revelar o seu tempo. Os filhos não precisam de presentes, mas da sua presença. Encontre 100 minutos para estar com seus filhos. Reconheça o natural, de alimentos de verdade e vá para a natureza. Interaja mais, assista menos e navegue menos”, afirma.

O evento encerrou com ênfase na importância da união familiar e o amor entre o casal e os filhos. “O nosso objetivo foi fazer algo que contribuísse para todas as famílias. Que os pais permitam Deus realizar o sonho que Ele tem para as suas crianças. Desejamos um futuro melhor, um país melhor, um bairro melhor e, assim, atingir várias pessoas que não sejam da mesma denominação”, conclui a organizadora.

 

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