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Sem enxergar, aposentada percorre cidade para ensinar a Bíblia

Com a ajuda do esposo, dona Socorro recorre a áudios para aprofundar seu conhecimento bíblico

Por Anne Seixas

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Com a ajuda do esposo, Dona Socorro faz seu estudo diário da Bíblia (Foto: Reprodução)

“Estou melhor do que mereço.” Essa é a frase que dona Socorro sempre responde quando lhe perguntam se está bem. Aos 52 anos, destes, 28 como membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, ela afirma que já viveu muitos milagres. O primeiro deles foi a cura de um câncer, um ano após sua conversão. “Eu estava desenganada pelos médicos. Entrei no centro cirúrgico pedindo a Deus que, se Ele existisse, me curasse”, relembra. A memória mais marcante do período em que esteve no leito é a de uma enfermeira cantando um hino. Desde aquele momento, Socorro Oliveira decidiu que dedicaria seus dias para falar do amor de Cristo aos outros. “Eu nasci três vezes: quando minha mãe me teve; outra quando Jesus me libertou e outra quando me curou do câncer”, afirma.

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Dali em diante, dona Socorro passou a dar estudos bíblicos e a primeira pessoa que passou pelo curso não se decidiu pelo batismo naquele momento. Isso a frustrou. Mesmo desanimada, seguiu compartilhando o que acreditava com outras pessoas. Anos mais tarde, em um evento eclesiástico, uma moça a encontrou e contou que o primeiro trabalho tinha surtido efeito, e hoje é uma das líderes na igreja que frequenta.

Mas sua vida nem sempre foi assim. Ainda na juventude, Socorro era procurada por oferecer serviços espirituais. “Vinha muita gente do interior. Eu não tinha paz”, conta. O primeiro contato com a Igreja Adventista “é uma história engraçada”, segundo a simpática senhora. “Meu irmão estava bêbado e passou na porta de uma conferência [reunião evangelística] que acontecia na região metropolitana de Belém, no Pará, pedindo estudos bíblicos. Dias depois apareceu um senhor aqui na porta procurando por ele”, relembra. Socorro recorda que o marido, Antônio Baena, foi quem aceitou aprender sobre a Bíblia.

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Socorro usa o crochê como hobby e ainda ajuda a complementar a renda (Foto: Reprodução)

“Eu tinha um altar com vários santinhos. Sabia que crente não gosta de santo, então a cada semana eu enfeitava mais o altar, esperando que ele falasse sobre o assunto e eu o colocasse para fora de casa”, conta aos risos. Um dia, ela decidiu se desfazer de todas as imagens e a decisão pelo batismo não demorou a chegar. Ela confessa, porém, que o ato foi mais para agradar o marido do que por convicção. “O encontro que eu tive com Deus foi no centro cirúrgico”, assegura.

Sem ver os obstáculos

Há cinco anos dona Socorro teve sua fé provada novamente. Em decorrência do glaucoma, perdeu completamente a visão. Com isso, teve que deixar o emprego como cozinheira e aprender uma nova forma de realizar atividades cotidianas, como a manutenção da casa, por exemplo. O esposo lembra que o início foi muito difícil e foi na família e em Deus que ela se apoiou. “Quando eu ficava triste, me lembrava do livro Visões do Céu, de Ellen G. White“, compartilha. As memórias do que leu dão a “esperança de um dia ver Jesus.”

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A deficiência fez com que Dona Socorro reaprendesse a fazer as atividades do dia a dia (Foto: Reprodução)

Agora, a aposentada tira tudo de letra. Além das tarefas domésticas e o cuidado com a mãe de 92 anos, aprendeu a fazer crochê para passar o tempo e completar o orçamento. “A gente não tem a visão, mas os dedos do cego sabem de tudo”, ressalta. Uma atividade, no entanto, não mudou na rotina da aposentada: o hábito de dar estudos bíblicos. Com materiais em áudio e o auxílio do esposo, ela estuda todo o conteúdo e roda os bairros vizinhos ensinando sobre Jesus a quem desejar.

“Eu nunca contei, mas acho que mais de 30 pessoas já se batizaram”, calcula a evangelista. Dona Socorro afirma ainda que a sensação é como a de quem da à luz um filho, “uma alegria muito grande.” E frisa ainda que faz questão de ir ao batismo de todos os que estudam com ela. “Eu quero sentir aquela emoção, aquela alegria!”, explica. Sobre a missão que se propôs a cumprir, ela é enfática. “Hoje eu posso dizer para vocês que eu não tenho dificuldade nenhuma em fazer o meu trabalho!”

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