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“Sem amizade não existe cristianismo”, afirma homem que transformou comunidade

Com seu carisma, Cledevaldo implantou projeto Evangelize Brincando para falar de Cristo para seus vizinhos.

Por Dayane Nascimento 20 de julho de 2020

Cledevaldo (direita) tornou-se o ‘pai da fé’ de Raysllan após se conhecerem durante as atividades do projeto Evangelize Brincando (Foto: Arquivo Pessoal)

Um campo de areia e cascalho próximo à igreja, bola, jogos de tabuleiro, uma caixa de som tocando músicas do quarteto Arautos do Rei dos anos 70, disposição e o desejo de falar do amor de Jesus. Foi desta forma que, em 2013, Cledevaldo Paixão despertou o interesse de moradores do bairro doutor Fábio Leite I, em Cuiabá, no Mato Grosso.

Ele morava no local há muito tempo e um contraste incomodava seu coração: apesar de ser um lugar cheio de jovens, poucos tinham ouvido falar sobre o amor de Deus. Para mudar essa realidade, ele decidiu usar os únicos recursos que tinha: amizade e disposição.

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A comunidade simples contava com poucas opções de lazer e rapidamente se envolveu com a proposta. Os pais passaram a acompanhar os filhos e em pouco tempo um grupo significativo de pessoas começou a se reunir aos domingos à tarde. Nascia, assim, o projeto Evangelize Brincando.

“Antes de começar e quando terminávamos de jogar futebol, vôlei ou de fazer qualquer outra atividade, convidava todos para orar. Neste momento, as regras eram ditadas de forma muito clara: sem palavrão, deboche ou brigas. As atividades acabavam por volta das 17h e eu emendava um convite para que voltassem e participassem do culto de domingo à noite, já que a igreja ficava ao lado de onde nos reuníamos”, detalha Cledevaldo.

Foram anos de encontros, diversão, amizades e discípulos feitos. A partir do projeto, surgiu um Pequeno Grupo. Pelo menos sete pessoas estudaram a Bíblia e foram batizadas na Igreja Adventista graças à iniciativa.

“Sempre acreditei que sem amizade não existe cristianismo. E que para fazermos amigos precisamos respeitar o estilo de vida das pessoas, mesmo quando não concordamos com as escolhas que fazem”, esclarece o idealizador do projeto. “Quando alguém levava cerveja ou cigarro, por exemplo, com muito carinho eu reforçava que os nossos encontros eram diferentes, o espaço [era] cristão e sugeríamos que não trouxessem. A pessoa voltava no próximo domingo e não trazia mais.”

Pai da fé

Raysllan Costa morava em um bairro próximo, soube dos momentos de recreação e decidiu participar. “Lembro que foi em 2015. Eu tinha 15 anos e, definitivamente, não queria saber de igreja”, revela.

Ele conta que era muito tímido, de pouca conversa e que, naquela época, começava a ter os primeiros contatos com bebidas alcoólicas. “Mas me senti acolhido por aquelas pessoas, que me mostravam o quão feliz é quem serve a Deus. Ficava impressionado com o fato de não ter competição ou das pessoas não brigarem durante os jogos de futebol”, aponta.

O batismo de Raysllan foi realizado próximo ao dia do seu aniversário. A dupla comemoração foi celebrada pela igreja (Foto: Arquivo pessoal)

Foi em Cledevaldo que Raysllan passou a se inspirar. “Ele é muito simpático e carismático. Aos poucos, foi lidando com a minha timidez e logo me vi indo pedir seus conselhos. Quando me sentia perdido, ele falava: ‘não desiste de Deus. Ore, leia a Bíblia e sempre que precisar de alguém para conversar, pode me procurar’”, compartilha o jovem.

Raysllan começou a estudar a Bíblia e cerca de um ano depois foi batizado. “Escolhi o dia 10 de janeiro de 2016 por ser próximo ao dia do meu aniversário, em 12 de janeiro”, explica. “Fizemos uma decoração e preparamos um bolo para ele. Foi muito emocionante”, relembra Cledevaldo.

Logo após o batismo, a mãe de rapaz pegou nas mãos de seu “pai na fé”, olhou em seus olhos e com muita firmeza reforçou a importância do que havia acabado de acontecer: “Você é responsável pelo meu filho a partir de hoje!”, declarou a mãe.

Mesmo após tantos anos, eles continuam presentes um na vida do outro. “Ele me acompanhou em períodos complicados e me deu apoio até quando fui pregar pela primeira vez. O Cledevaldo é muito importante para mim! É meu pai da fé! Com ele aprendi que amizade é mais que um método de evangelismo, é um dom”, reflete Raysllan.

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