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Mais de 16 mil detentos do DF são assistidos por projeto adventista

Iniciativa ajuda na reintegração e desenvolvimento social dos presos e familiares.

Por Rafael Brondani 27 de setembro de 2019

Atividade conduzida por adventistas tem contribuído com a mudança de comportamento e visão de mundo de quem recebe atendimento (Foto: André Azevedo)

O ambiente prisional abriga milhares de pessoas que vivem, muitas vezes, sem esperança. Devido às suas escolhas, sua liberdade acaba restringida. Para se aproximar desse público, a sede administrativa da Igreja Adventista para a região de Brasília e entorno (Associação Planalto Central) criou o Ministério Carcerário. A iniciativa tem atendido mais de 16 mil presos. Ao todo, 12 presídios no Distrito Federal e região são contemplados. Semanalmente, 195 capelães atuam nessas unidades e visitam os parentes daqueles que estão encarcerados.

“Levamos Jesus para eles. Também preparamos a família para que quando retornem para casa, encontrem um lar diferente, de paz e amor”, explica o diretor do Ministério Carcerário, Jeconias Neto.

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Diversos voluntários participam das ações, como pastores, capelães, advogados, psicólogos, entre outros. Cada um auxilia de forma específica. Durante as visitas, eles conversam e utilizam histórias da Bíblia para proporcionar momentos de reflexão e mudanças na vida dos detentos.

Internos estudam a Bíblia durante o banho de sol (Foto André Azevedo)

Também são oferecidos projetos de desenvolvimento social, como o “Página Virada”, que além de ajudar na diminuição da pena, estimula o hábito de leitura. O coordenador do Ministério, Joymir Guimarães, que inclusive teve sua vida transformada dentro de um presídio por uma ação semelhante, explica que a iniciativa é resultado de uma parceria com a Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA), com o Ministério Público e o Clube do Livro.

O objetivo é diminuir a ociosidade dos presos, além de trazer novos rumos aos pensamentos por meio da leitura. “Funciona da seguinte maneira: a cada livro lido no período de 30 dias, eles fazem uma redação e precisam tirar no mínimo seis pontos. Assim, o preso tem quatro dias remidos. Por ano, ele consegue remir, pela leitura, 48 dias”, explica Guimarães.

Contribuição

Segundo dados atualizados do Banco de Monitoramento de Prisões, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em dois anos o número de pessoas encarceradas aumentou de 727 mil – quando o Brasil alcançou a terceira posição no ranking de maiores populações carcerárias do mundo – para 812 mil pessoas em regime fechado, semiaberto ou que cumprem pena em abrigos.

Com o crescente aumento de pessoas presas, tem se usado religião no processo de ressocialização e redução de taxas de reincidência no crime e para proporcionar melhor comportamento dos detentos.

Histórias da Bíblia ajudam a gerar reflexões sobre a vida e o que fazer ao ser reintegrado à sociedade (Foto Júlio Ferreira)

O coordenador administrativo do presídio de Segurança Máxima de Luziânia, em Goiás, Arthur Tabosa, destaca que o projeto é extremamente importante para a reintegração social. “A gente tem percebido um engajamento interessante em relação à massa carcerária. Os presos que fazem a leitura têm mudado, até ficam mais pacientes e tranquilos. Esse interesse nos deixou surpresos com o que está acontecendo. A gente vê que muitos bons frutos serão colhidos disso”, afirma. “A leitura traz um engajamento diferente. Leva a pensamentos diferentes, ocupando a mente.”

O Ministério Carcerário também conseguiu a liberação para que a TV Novo Tempo, canal com conteúdo cristão voltado à família, fosse instalada em seis unidades prisionais de Brasília. Ao todo, 15 mil presos podem acompanhar a programação todos os dias. A intenção é ampliar essa conquista para todos os presídios.

“O Ministério Carcerário é a Igreja Adventista acreditando que podemos transformar vidas e libertá-las, assim como libertou a minha vida e a de muitas pessoas que um dia estiveram presas. Livres das grades humanas, mas principalmente livre do pecado, e essa libertação só Cristo pode dar”, conclui Neto.

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