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IX Evangelibras destaca o Setembro Azul – Mês da Comunidade Surda

No dia 10 de setembro é comemorado o Dia Mundial da Língua de Sinais e o Evangelibras incentiva mais pessoas a aprenderem LIBRAS.

Por Fabiana Lopes, com informações de Carolina Sena Cunha 10 de setembro de 2021
Várias pessoas fazendo gestos na língua de sinais durante um evento evangélico na Igreja Adventista Central Rio.

O IX Evangelibras aconteceu na Igreja Adventista Central Rio, com uma equipe de 40 voluntários, entre surdos e intérpretes. Fotos: Shyrlei Couto

A maioria conhece a campanha do Setembro Amarelo, na luta contra o suicídio. Mas este mês tem uma segunda cor: o azul – em respeito e comemoração pelas conquistas da Comunidade Surda.

O Evangelibras é uma programação de caráter evangelístico, tradicionalmente produzida pelo Ministério Adventista dos Surdos (MAS) da Igreja Adventista na região Central do Rio de Janeiro (Associação Rio de Janeiro-ARJ). Sua primeira edição foi no dia 1º de maio de 2013, no Colégio Adventista de Petrópolis – IPAE. Desde então, todos os anos, ela é realizada sob a coordenação da diretoria do MAS da igreja adventista Central Rio.

No último sábado, dia 4 de setembro, o IX Evangelibras contou com a participação de toda equipe do MAS, liderada por Nathalia Castilho (diretora ouvinte) e Paulo Pedro (diretor surdo). Toda a programação contou com a participação de surdos e intérpretes que fizeram desde a mensagem, músicas especiais, encenações e história para as crianças.

“Nós queríamos, principalmente, que os membros da Igreja compreendessem que sem o Ministério Adventista dos Surdos e todos aqueles que fazem parte do Ministério Adventista das Possibilidades, não cumpriremos a missão de ir e pregar a todo povo, tribo, língua e nação e, por isso, propusemos o tema ‘A Toda Língua e Nação’ e demos ênfase ao aspecto missionário”, ressalta Nathalia Castilho, que também é estudante de Medicina.

Para ajudar no trabalho de conscientização da membresia foram distribuídos folhetos com informações históricas sobre a Cultura Surda, marcos legais e datas comemorativas. O mesmo conteúdo foi trabalhado durante a programação, especificamente no ‘Momento Surdo’, em que a intérprete Aline Simeão apresentou as informações contidas do folheto e a surda Elvira Santos pôde relatar algumas dificuldades que enfrenta numa sociedade em que predominam as necessidades da cultura ouvinte.

O início do MAS na Igreja Central

Durante o programa, alguns alunos receberam o diploma do curso de Libras, realizado neste ano de forma remota. Foto: Shyrlei Couto

O MAS Central Rio teve início em 1995 com o diretor surdo Paulo Pedro, que já ajudou a formar muitas pessoas em conhecimento básico e avançado de Libras. Desde o final dos anos 90 é oferecido o curso básico de Libras na Igreja Central. Por causa da pandemia, foram abertas nesse ano cinco turmas remotas com 48 alunos, dos quais 33 se formaram. O curso é oferecido a todos: religiosos ou não, idosos, jovens e estudantes de várias áreas. Além de formar potenciais intérpretes para os objetivos missionários da Igreja, o trabalho também contribui para que alguns descubram o seu talento e se desenvolvam profissionalmente.

Uma nova língua para cumprir a mesma missão

Carolina Sena Cunha é intérprete e cuida da Secretaria do MAS – Ministério Adventista dos Surdos. Ela conheceu o Evangelibras em 2018, mas não conhecia o MAS, nem mesmo sua importância para a missão e o cumprimento do propósito da Igreja. “Fiquei surpresa ao descobrir que só havia um único pastor surdo em todo o Brasil, pastor Douglas Silva, que pregou em algumas edições do Evangelibras”, descreve Carolina, que é historiadora e trabalha como Servidora Pública Federal da Cultura.

“O Evangelibras me ajudou a olhar mais atentamente para esse Ministério e querer conhecer melhor o universo da cultura surda, mas a barreira linguística sempre era uma questão que precisava ser derrubada”, relembra Carolina, logo que chegou à nova congregação.

“Cada vez mais e mais pessoas estão buscando conhecer a língua e a cultura surda a fim de aprenderem a se comunicar com esse grupo de pessoas, que, aos poucos e com muita luta, tem obtido importantes conquistas sociais, mas que ainda sofre com a falta de acesso à informação e serviços”, afirma Nathalia Castilho. É nesse contexto que o Evangelibras tem o importante objetivo de aumentar a visibilidade da cultura surda dentro da igreja. Através da TV Central Rio, que transmite todos os seus cultos em Libras, fronteiras geográficas e linguísticas são rompidas.

Nathalia contou durante o lançamento do Ministério Adventista das Possibilidades, realizado no dia 28 de agosto, como a escolha de sua especialização para o curso de Medicina teve total influência do MAS. O lançamento contou com a presença do líder geral para a América do Sul, líder geral para os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo e os convidados pastor Acyr de Gerone Júnior e a professora Juliana Santos. Assista à programação:

Setembro Azul

A escolha do mês de setembro é repleta de significados na cultura e história nacional e internacional. Neste mês, temos alguns marcos históricos para a Comunidade Surda para comemorar as conquistas obtidas por essas pessoas ao longo dos anos:

  • Dia 10 – Dia Mundial da Língua de Sinais
    No dia 10 de setembro é comemorado o Dia Mundial da Língua de Sinais, uma data que visa promover o respeito e a valorização da Língua de Sinais nos mais diversos países. Em 10 de setembro de 1880, um congresso sobre surdez em Milão proibiu o uso das línguas de sinais no mundo. Os surdos foram obrigados a adaptarem-se às línguas orais, mas seguiram resistindo contra essa imposição e pouco a pouco as línguas de sinais voltaram a ser aceitas no mundo todo.
  • Dia 26 – Dia Nacional dos Surdos
    No dia 26 de setembro de 1857 a Comunidade Surda teve uma grande vitória: a criação da primeira Escola de Surdos no Brasil. Atualmente conhecido como INES (Instituto Nacional de Educação de Surdos), a escola fica na cidade do Rio de Janeiro e propicia ensino especializado para crianças surdas até hoje. A data foi escolhida para homenagear a Comunidade Surda no território brasileiro e oficializada através do decreto de lei nº 11.796, em 29 de outubro de 2008.
  • Dia 30 – Dia internacional do Surdo
    A data do Dia Internacional do Surdo também foi escolhida para relembrar o fatídico Congresso de Milão que proibiu o uso das línguas de sinais no mundo. É um dia para relembrar as lutas ao longo dos anos e comemorar as conquistas alcançadas pela Comunidade Surda no mundo inteiro.

A cor azul possui um significado que relembra um momento histórico triste, mas também pode ser encarado como um símbolo de orgulho e resistência da Comunidade Surda. A simbologia vem da Segunda Guerra Mundial quando, durante a tentativa dos nazistas de livrar o mundo daqueles considerados “inferiores”, todas as pessoas com deficiência eram identificadas por uma faixa azul no braço — o que incluía a população surda. Essas pessoas eram então encaminhadas a instituições na Alemanha e Áustria, onde eram executadas.

Décadas depois, em 1999, a fita azul voltou a ser usada pela Comunidade Surda, mas agora como um símbolo do orgulho de ser surdo e fazer parte de uma população com uma história riquíssima.

Conquistas da Comunidade Surda Brasileira

Com toda a luta por mais visibilidade e respeito, a Comunidade Surda conquistou alguns pontos importantes na garantia de seus direitos.

Em 24 de abril de 2002lei nº 10.436 passa a fazer parte de nosso código, trazendo o reconhecimento da Libras como meio legal de comunicação e expressão.

Em 22 de dezembro de 2005decreto nº 5.626 determina a inclusão da Libras como disciplina acadêmica e a formação de professores e instrutores competentes, além de garantir o direito ao uso de Libras para o acesso à educação e oficializar a formação do Tradutor Intérprete de Libras.

Em 01 de setembro de 2010 é assinada a lei nº 12.319, regulamentando assim a profissão de Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira de Sinais – Libras. O profissional Intérprete de Libras é de extrema importância para a acessibilidade das pessoas surdas a todos os ambientes.

Qual nosso papel no mês dos surdos?

A luta pela inclusão e visibilidade da comunidade surda é representada pelo Setembro Azul, mas é também uma prática diária. Todos os dias pessoas surdas sofrem preconceito e exclusão por parte daqueles que não compreendem o que significa ser surdo. O real deficiente não é aquele que não ouve, mas aquele que se recusa a escutar e compreender o próximo.

Participar ativamente da luta por respeito e inclusão para essa população não precisa ocorrer somente em manifestações organizadas no mês de setembro. É possível fazer um pouco a cada dia. Aprender a se comunicar através da Libras e repassar esse conhecimento é uma delas (visto que nem todas as pessoas surdas são alfabetizadas em Língua Portuguesa, e que uma parcela imensa de nossa população não conhece a Libras).

Procurar grupos e organizações que promovem a inclusão dessa comunidade é outra forma de fazer parte dessa luta, além de conscientizar as pessoas ao nosso redor a respeito dessas questões. Todos podemos participar desta luta de forma ativa, reduzindo cada vez mais as barreiras que nos afastam da riquíssima cultura da Comunidade Surda. Por que não aproveitar o Setembro Azul para iniciar o apoio a essa causa?

Referência  https://www.libras.com.br/setembro-azul  acessado em 29/08/2021

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