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IX Evangelibras destaca o Setembro Azul - Mês da Comunidade Surda

No dia 10 de setembro é comemorado o Dia Mundial da Língua de Sinais e o Evangelibras incentiva mais pessoas a aprenderem LIBRAS.


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Várias pessoas fazendo gestos na língua de sinais durante um evento evangélico na Igreja Adventista Central Rio.

O IX Evangelibras aconteceu na Igreja Adventista Central Rio, com uma equipe de 40 voluntários, entre surdos e intérpretes. Fotos: Shyrlei Couto

A maioria conhece a campanha do Setembro Amarelo, na luta contra o suicídio. Mas este mês tem uma segunda cor: o azul - em respeito e comemoração pelas conquistas da Comunidade Surda.

O Evangelibras é uma programação de caráter evangelístico, tradicionalmente produzida pelo Ministério Adventista dos Surdos (MAS) da Igreja Adventista na região Central do Rio de Janeiro (Associação Rio de Janeiro-ARJ). Sua primeira edição foi no dia 1º de maio de 2013, no Colégio Adventista de Petrópolis - IPAE. Desde então, todos os anos, ela é realizada sob a coordenação da diretoria do MAS da igreja adventista Central Rio.

No último sábado, dia 4 de setembro, o IX Evangelibras contou com a participação de toda equipe do MAS, liderada por Nathalia Castilho (diretora ouvinte) e Paulo Pedro (diretor surdo). Toda a programação contou com a participação de surdos e intérpretes que fizeram desde a mensagem, músicas especiais, encenações e história para as crianças.

“Nós queríamos, principalmente, que os membros da Igreja compreendessem que sem o Ministério Adventista dos Surdos e todos aqueles que fazem parte do Ministério Adventista das Possibilidades, não cumpriremos a missão de ir e pregar a todo povo, tribo, língua e nação e, por isso, propusemos o tema ‘A Toda Língua e Nação’ e demos ênfase ao aspecto missionário”, ressalta Nathalia Castilho, que também é estudante de Medicina.

Para ajudar no trabalho de conscientização da membresia foram distribuídos folhetos com informações históricas sobre a Cultura Surda, marcos legais e datas comemorativas. O mesmo conteúdo foi trabalhado durante a programação, especificamente no ‘Momento Surdo’, em que a intérprete Aline Simeão apresentou as informações contidas do folheto e a surda Elvira Santos pôde relatar algumas dificuldades que enfrenta numa sociedade em que predominam as necessidades da cultura ouvinte.

O início do MAS na Igreja Central

Durante o programa, alguns alunos receberam o diploma do curso de Libras, realizado neste ano de forma remota. Foto: Shyrlei Couto

O MAS Central Rio teve início em 1995 com o diretor surdo Paulo Pedro, que já ajudou a formar muitas pessoas em conhecimento básico e avançado de Libras. Desde o final dos anos 90 é oferecido o curso básico de Libras na Igreja Central. Por causa da pandemia, foram abertas nesse ano cinco turmas remotas com 48 alunos, dos quais 33 se formaram. O curso é oferecido a todos: religiosos ou não, idosos, jovens e estudantes de várias áreas. Além de formar potenciais intérpretes para os objetivos missionários da Igreja, o trabalho também contribui para que alguns descubram o seu talento e se desenvolvam profissionalmente.

Uma nova língua para cumprir a mesma missão

Carolina Sena Cunha é intérprete e cuida da Secretaria do MAS – Ministério Adventista dos Surdos. Ela conheceu o Evangelibras em 2018, mas não conhecia o MAS, nem mesmo sua importância para a missão e o cumprimento do propósito da Igreja. “Fiquei surpresa ao descobrir que só havia um único pastor surdo em todo o Brasil, pastor Douglas Silva, que pregou em algumas edições do Evangelibras”, descreve Carolina, que é historiadora e trabalha como Servidora Pública Federal da Cultura.

“O Evangelibras me ajudou a olhar mais atentamente para esse Ministério e querer conhecer melhor o universo da cultura surda, mas a barreira linguística sempre era uma questão que precisava ser derrubada”, relembra Carolina, logo que chegou à nova congregação.

"Cada vez mais e mais pessoas estão buscando conhecer a língua e a cultura surda a fim de aprenderem a se comunicar com esse grupo de pessoas, que, aos poucos e com muita luta, tem obtido importantes conquistas sociais, mas que ainda sofre com a falta de acesso à informação e serviços", afirma Nathalia Castilho. É nesse contexto que o Evangelibras tem o importante objetivo de aumentar a visibilidade da cultura surda dentro da igreja. Através da TV Central Rio, que transmite todos os seus cultos em Libras, fronteiras geográficas e linguísticas são rompidas.

Nathalia contou durante o lançamento do Ministério Adventista das Possibilidades, realizado no dia 28 de agosto, como a escolha de sua especialização para o curso de Medicina teve total influência do MAS. O lançamento contou com a presença do líder geral para a América do Sul, líder geral para os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo e os convidados pastor Acyr de Gerone Júnior e a professora Juliana Santos. Assista à programação:

Setembro Azul

A escolha do mês de setembro é repleta de significados na cultura e história nacional e internacional. Neste mês, temos alguns marcos históricos para a Comunidade Surda para comemorar as conquistas obtidas por essas pessoas ao longo dos anos:

  • Dia 10 – Dia Mundial da Língua de Sinais
    No dia 10 de setembro é comemorado o Dia Mundial da Língua de Sinais, uma data que visa promover o respeito e a valorização da Língua de Sinais nos mais diversos países. Em 10 de setembro de 1880, um congresso sobre surdez em Milão proibiu o uso das línguas de sinais no mundo. Os surdos foram obrigados a adaptarem-se às línguas orais, mas seguiram resistindo contra essa imposição e pouco a pouco as línguas de sinais voltaram a ser aceitas no mundo todo.
  • Dia 26 – Dia Nacional dos Surdos
    No dia 26 de setembro de 1857 a Comunidade Surda teve uma grande vitória: a criação da primeira Escola de Surdos no Brasil. Atualmente conhecido como INES (Instituto Nacional de Educação de Surdos), a escola fica na cidade do Rio de Janeiro e propicia ensino especializado para crianças surdas até hoje. A data foi escolhida para homenagear a Comunidade Surda no território brasileiro e oficializada através do decreto de lei nº 11.796, em 29 de outubro de 2008.
  • Dia 30 – Dia internacional do Surdo
    A data do Dia Internacional do Surdo também foi escolhida para relembrar o fatídico Congresso de Milão que proibiu o uso das línguas de sinais no mundo. É um dia para relembrar as lutas ao longo dos anos e comemorar as conquistas alcançadas pela Comunidade Surda no mundo inteiro.

A cor azul possui um significado que relembra um momento histórico triste, mas também pode ser encarado como um símbolo de orgulho e resistência da Comunidade Surda. A simbologia vem da Segunda Guerra Mundial quando, durante a tentativa dos nazistas de livrar o mundo daqueles considerados “inferiores”, todas as pessoas com deficiência eram identificadas por uma faixa azul no braço — o que incluía a população surda. Essas pessoas eram então encaminhadas a instituições na Alemanha e Áustria, onde eram executadas.

Décadas depois, em 1999, a fita azul voltou a ser usada pela Comunidade Surda, mas agora como um símbolo do orgulho de ser surdo e fazer parte de uma população com uma história riquíssima.

Conquistas da Comunidade Surda Brasileira

Com toda a luta por mais visibilidade e respeito, a Comunidade Surda conquistou alguns pontos importantes na garantia de seus direitos.

Em 24 de abril de 2002lei nº 10.436 passa a fazer parte de nosso código, trazendo o reconhecimento da Libras como meio legal de comunicação e expressão.

Em 22 de dezembro de 2005decreto nº 5.626 determina a inclusão da Libras como disciplina acadêmica e a formação de professores e instrutores competentes, além de garantir o direito ao uso de Libras para o acesso à educação e oficializar a formação do Tradutor Intérprete de Libras.

Em 01 de setembro de 2010 é assinada a lei nº 12.319, regulamentando assim a profissão de Tradutor e Intérprete da Língua Brasileira de Sinais – Libras. O profissional Intérprete de Libras é de extrema importância para a acessibilidade das pessoas surdas a todos os ambientes.

Qual nosso papel no mês dos surdos?

A luta pela inclusão e visibilidade da comunidade surda é representada pelo Setembro Azul, mas é também uma prática diária. Todos os dias pessoas surdas sofrem preconceito e exclusão por parte daqueles que não compreendem o que significa ser surdo. O real deficiente não é aquele que não ouve, mas aquele que se recusa a escutar e compreender o próximo.

Participar ativamente da luta por respeito e inclusão para essa população não precisa ocorrer somente em manifestações organizadas no mês de setembro. É possível fazer um pouco a cada dia. Aprender a se comunicar através da Libras e repassar esse conhecimento é uma delas (visto que nem todas as pessoas surdas são alfabetizadas em Língua Portuguesa, e que uma parcela imensa de nossa população não conhece a Libras).

Procurar grupos e organizações que promovem a inclusão dessa comunidade é outra forma de fazer parte dessa luta, além de conscientizar as pessoas ao nosso redor a respeito dessas questões. Todos podemos participar desta luta de forma ativa, reduzindo cada vez mais as barreiras que nos afastam da riquíssima cultura da Comunidade Surda. Por que não aproveitar o Setembro Azul para iniciar o apoio a essa causa?

Referência  https://www.libras.com.br/setembro-azul  acessado em 29/08/2021