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Esperança além da morte

Ações realizadas por fiéis adventistas no Dia de Finados, têm como finalidade evangelizar pessoas e acalentar corações despedaçados.

Por Luciene Bonfim 1 de novembro de 2018

 

Benedito Oliveira foi impactado com a mensagem de esperança através de um folheto deixado no cemitério (Foto: Pedro Ferraz)

Era quinta-feira, 2 de novembro de 1978. Como de costume, os moradores da pequena cidade de Assis Chateaubriand, no oeste do Paraná, se reuniam para juntos visitarem os túmulos de seus entes queridos. Embora não tivesse nenhum parente específico, enterrado naquele cemitério, o jovem Benedito Oliveira de 24 anos, resolveu acompanhar seu amigo durante uma visita ao túmulo de um falecido. Enquanto caminhava pelo cemitério, Benedito sentia uma rajada de vento, que vinha ao seu encontro. Naquele dia não havia sol, apenas uma ventania forte no local.

Em um determinado instante, o jovem se deparou com um folheto que voava por entre os túmulos, sendo carregado pelo vento. Quando se agachou para então pegá-lo, observou que havia uma mensagem no impresso. Rotineiramente no Dia de Finados, havia um hábito entre fiéis adventistas do sétimo dia, em espalhar folhetos com mensagens de esperança por todo o cemitério. Dessa forma, quando os familiares e amigos das pessoas ali sepultadas chegassem para visitar os túmulos, encontrariam mensagens de conforto e esperança.

Ação realizada por fieis adventistas, tem a finalidade de evangelizar pessoas e acalentar corações despedaçados (Foto:Pedro Ferraz)

Sempre muito atento, Benedito havia notado que em cada túmulo havia um folheto, com uma pedra em cima, que impedia o impresso de voar. Rapidamente o jovem concluiu que aquele folheto que estava em suas mãos, havia se desprendido de uma pedra, sendo carregado pelo vento. Foi então, que ele saiu à procura de túmulo que estivesse sem o folheto. Depois de muito buscar, e nada encontrar, Benedito decidiu levar o folheto embora.

Naquela tarde, quando chegou em casa, Benedito resolveu ler o conteúdo, que falava sobre esperança, enfatizando que a morte não era o fim. Muito interessado no assunto, ele notou que no papel havia um carimbo da Igreja Adventista, e caso ele tivesse interesse, poderia receber via correios, um curso gratuito sobre a Bíblia.

Mesmo morando em um sítio, um local mais afastado da cidade, onde não havia serviço de correios, Benedito não se intimidou, preencheu o cadastro com seus dados, solicitando o curso bíblico, foi até a cidade e enviou a correspondência pela Caixa Postal, para a Voz da Profecia no Rio de Janeiro.

Passado uma semana, o jovem foi até a cidade para conferir as correspondências na Caixa Postal. Para sua surpresa, os estudos bíblicos haviam chegado. Mais do que depressa, Benedito, que era recém-casado, voltou para casa, e sozinho iniciou os estudos. O jovem que havia crescido em uma família tradicionalmente católica, agora tinha curiosidade para conhecer mais sobre as mensagens bíblicas. De maneira minuciosa ele estudava a Bíblia, respondia as questões, e encaminhava os estudos de volta para a Voz da Profecia, e assim aconteceu durante as sete lições do curso bíblico, até ele receber o certificado de conclusão do curso.

Após o término dos estudos, uma rádio chegou na cidade de Assis Chateaubriand, e na sequência começou a transmitir os programas da Voz da Profecia. Com isso, Benedito descobriu que a rádio pertencia a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Após realizar os estudos bíblicos, e acompanhar os programas da Voz da Profecia, ele se sentiu tocado pela mensagem, pois sabia que tudo o que ele havia estudado, era confirmado na Bíblia.

Anualmente no Dia de Finados folhetos são espalhados nos túmulos, com a finalidade de confortar aqueles que perderam seus amados (Foto:Pedro Ferraz)

Benedito que até então nunca havia pisado em um templo adventista, resolveu procurar a igreja em sua cidade. Ao passar em frente, notou que a porta estava aberta e no momento acontecia um culto. Assim que entrou, foi muito bem recebido. Logo de início notou quão receptivas e atenciosas as pessoas eram com ele, além de compartilharem suas bíblias e hinários. O jovem se sentiu tão bem naquele local, e entendeu que aquela era de fato a igreja verdadeira.

Por ser de uma família católica, Benedito enfrentou muito preconceito quando começou a frequentar a Igreja Adventista, seus pais e irmãos não o apoiavam, até mesmo sua esposa no início se mostrou um pouco indiferente com ele, porém, quando ela teve a oportunidade de conhecer a mensagem bíblica da Igreja Adventista, decidiu que também faria parte do povo que pregava a volta de Jesus.

Benedito e sua esposa frequentaram a Igreja Adventista por cerca de 9 a 10 meses, até que no dia 11 de novembro de 1982, ele aceitou o batismo, e aproximadamente um mês depois sua esposa desceu as águas batismais. Desde então, a família de Benedito permanece firme na fé adventista.

Ao ser questionado sobre o que mudou em sua vida, após encontrar um folheto voando em meio aos túmulos de um cemitério, Benedito é categórico: “Mudou muita coisa, a gente hoje tem esperança. Não podemos desperdiçar o nosso tempo aqui na Terra e perder a vida eterna. Enquanto esperamos, continuamos dando estudos bíblicos e ganhando vidas para Jesus, aguardando o novo céu e a nova terra”, conclui Benedito.

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