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Deficiências físicas não limitam atuação de evangelistas voluntários

Mesmo com dificuldades na fala, Thais tem dedicado a vida para falar sobre o amor de Cristo

Por Anne Seixas 3 de dezembro de 2020

Thais prega em diversas igrejas em que é convidada (Foto: Arquivo pessoal)

Thais Alencar é uma daquelas pessoas que “nasceu na igreja”. Desde pequena, seus pais a levavam para participar das atividades de sua comunidade religiosa. Ela sempre esteve presente em corais, atividades da Escola Sabatina infantil e outras ações que chamassem sua atenção.

Essa poderia ser a descrição de muitas crianças com histórias semelhantes, não fosse um detalhe. Em decorrência de um parto prematuro, Thais teve uma paralisia cerebral. Com isso, se tornou tetraplégica, o que transformou a cadeira de rodas em seu meio de locomoção. Mesmo com dificuldades motoras, ela se tornou tradutora, intérprete e jornalista, e hoje cursa um mestrado em Divulgação Científica e Cultural pela Universidade Estadual de Campinas.

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O chamado para dedicar sua vida à pregação do evangelho veio aos 10 anos, enquanto seu pai cursava Teologia no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp). Aos 28 anos, ela faz isso com frequência e tem uma visão clara sobre como ter uma deficiência pode abrir portas para que mais pessoas entendam sobre o amor de Deus.

“Isso me dá oportunidade de falar sobre outros assuntos, da esperança da volta de Jesus e do evangelho de uma maneira bem peculiar. Eu não diria que o fato de ter deficiência chama a atenção das pessoas, mas sem dúvida é uma forma, uma maneira que Deus me deu de testemunhar ao falar do poder dEle”, ressalta Thais.

Inclusão na prática

Com ajuda de consultores especializados, o Ministério das Possibilidades, mantido pela Igreja Adventista na América do Sul, tem trabalhado para intensificar projetos de inclusão de pessoas com as mais diversas deficiências. Um dos passos é criar cadastro que possa mapear e localizar essas pessoas, para então oferecer serviços e conteúdos que estimulem e facilitem o trabalho evangelístico.

“O foco é incluir essas pessoas, ampará-las e apoiá-las para que elas possam trazer outras com as mesmas deficiências para perto desses grupos”, explica o pastor Alacy Barbosa, que coordena esse departamento em oito países sul-americanos.

Adaptação a novas necessidades

Contudo, quem não possuem nenhuma deficiência podem ser uma ferramenta para potencializar o trabalho de evangelistas como Thais. Segundo ela, o simples fato de orar e apoiar o ministério de pessoas como ela pode ser um fator de mudança. No contexto da estrutura física, é importante que haja adaptações como rampas, pisos especiais e recursos sensoriais para facilitar o acesso delas aos ambientes públicos e privados.

Julio atua como consultor no Ministério das Possibilidades (Foto: Arquivo pessoal)

“A igreja local deve atuar na capacitação do recurso humano. Os líderes, professores de Escola Sabatina, anciãos, os pregadores da igreja, e membros, devem entender a importância de você dar um tratamento digno ao grupo de pessoas com deficiência”, explica Julio Cesar Ribeiro, pastor e líder associado para a área de mobilidade reduzida e deficiência física do Ministério das Possibilidades na região central de São Paulo.

Ribeiro nasceu com uma má formação congênita nos membros superiores (braços). Segundo ele, é importante mudar “aquela ideia pré-concebida de que a pessoa com deficiência é mais carente, que ela é coitadinha. É importante entendermos que evangelho é poder e graça, e isso está disponível para todos.”

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