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Alunos do IPAE realizam missão na Argentina

Alunos do Ipae participaram entre os dias 5 a 15 de setembro do Instituto de Missões, realizado na cidade de José C. Paz, Argentina. Para a maioria, a palavra que resume a missão é 'gratidão'.

Por Fabiana Lopes 23 de setembro de 2019

Com a camisa oficial da missão, os 53 alunos participaram do Instituto de Missões na Argentina, com ação social, evangelismo e muita disposição.

Malas prontas e um pouco de ansiedade à vista. Os cinquenta e três alunos realizaram dez dias de missão transcultural na Igreja Adventista de Barrio Frino, cidade de José C. Paz, Argentina, entre 5 e 15 de setembro, acompanhados pelo diretor do Instituto Petropolitano Adventista de Ensino (Ipae), prof. Robledo Moraes, o pastor capelão Lucas Fridman e mais três educadores : Adriana Gasquez, Lisiane Robledo e Guilherme Vasiulis.

O dia a dia na missão

A juventude costuma gostar de desafios, geralmente sente-se motivada a fazer mais e melhor. Ao chegarem na igreja, onde foram hospedados, os alunos perceberam que não teriam mordomia. Chuveiro quente? Não de início, mas depois de instalado, tiveram que desenvolver a paciência para esperar numa fila, e o banho quente tinha que durar 5 minutos.

Outras virtudes desenvolvidas foram iniciativa e proatividade, pois para manter este banheiro e outras dependências limpos era necessária uma equipe de limpeza, afinal, eram dezenas de pessoas usando o mesmo banheiro! Separados por turnos matutino e vespertino, os grupos se revezavam com a limpeza do banheiro, dos cômodos, o preparo de alimentos na cozinha, obras de reparo e evangelismo público nas ruas.

Culto realizado ao ar livre, no quintal da igreja.

Os horários de acordar e dormir já são bem conhecidos para eles no internato (6h e 22h), mas na missão o frio argentino tornava o despertar um pouco mais difícil, mesmo por volta das 7h30. E quando o sol aparecia, eles se reuniam no quintal da igreja para a meditação matinal; ali cantavam, oravam e agradeciam a Deus por mais um dia na missão.

Sinal de internet? Nem pensar! Os celulares foram usados apenas para as fotos e vídeos, nada de bate papo. As mensagens e fotos eram enviadas pelos responsáveis da missão no grupo criado no WhatsApp para os pais acompanharem cada detalhe e matar a saudade dos filhos.

Muitos aprenderam a fazer pão e outras coisas que jamais tinham feito na vida. Alguns viraram massa de cimento, outros lavavam cadeiras, pintavam, lixavam grades e o resultado final trouxe felicidade ao grupo: uma igreja reformada, um salão de jovens restaurado e com novo visual. E a palavra mais dita por todos eles era sempre: ‘gratidão’.

A brincadeira era certa e garantida para as crianças da igreja e da comunidade.

Todos os dias as crianças da igreja e da comunidade iam brincar com os alunos. “No primeiro dia, algumas crianças simplesmente não queriam ir embora e tivemos que dizer que já era hora de voltar pra casa. Uma carência muito grande, em todos os sentidos”, relembra o diretor Robledo Moraes.

Matheus Caiaffa, do 2˚ ano, disse que aprendeu muitas coisas importantes. “A missão me ensinou a dar mais valor à vida, às coisas que chegam até mim, meus amigos, um chuveiro quente, o local onde eu durmo. A população daquele local e a missão me ensinaram coisas que eu jamais aprenderia se não tivesse vivido isso. Ganhei uma maturidade tão grande nestes dez dias, foi gratificante e valor nenhum paga esta experiência”.

Matheus Lopes (2˚ ano) nunca havia participado de uma missão, assim como a maioria dos amigos. “Eu nunca imaginei que faria a missão com tanta alegria e disposição. Tudo o que eu tive lá mexeu muito com a minha vida, eu mudei pra melhor e espero cada vez mais poder fazer outras missões como essa, que mudaram o meu pensamento e meu jeito de ser. Vou ser mais grato pelas simples coisas da vida e espero que outras pessoas também possam ter esta experiência que eu tive”.

Lisiane Moraes é coordenadora pedagógica no Ipae e também estava na equipe para ajudar a cuidar dos jovens, entre eles, estava Rocheli, sua filha de 14 anos. Lisiane sentiu na pele o que é ser mãe de 53 filhos. “Foi uma bênção! Eu ouvia ‘Tia Lisi’ 24 horas por dia! Mas a missão me fez quebrar preconceitos e barreiras, me fez superar desafios e tive um crescimento em todos os sentidos. Eu imaginava que seria um grande desafio e chegando lá, vi que era bem maior. Mas senti Deus conduzir cada detalhe da missão. Já estou com saudades!”.

Depoimentos de alguns pais

Lizandra Freitas, mãe da Hellen Freitas (15), do 1˚ ano, agradece muito pela experiência que a filha teve na missão, ela afirma que a filha aprendeu muito. “Eu fiquei muito feliz ao ver que minha filha está crescendo e amadurecendo. O Ipae é como uma família e acredito que está deixando marcas eternas na vida destes alunos. Achei que a Hellen seria útil e ajudaria as pessoas na Argentina, mas a transformação maior foi na vida dela. Ela me disse que pode ser uma pessoa melhor e que não fazia ‘o suficiente, mas agora passaria a fazer’. Foi gratificante como mãe ver minha filha enxergando longe, até mesmo seus defeitos. Certamente ela teve um verdadeiro e real encontro com Deus nesta missão”.

Alguns pais estiveram no aeroporto para receber os missionários que retornaram no domingo (15), antes das 6h da manhã. Com faixas e cartazes foi grande a comemoração para receber os filhos de volta. “Abraçamos a todos eles como uma só família, estávamos ali não só pra receber os nossos filhos, mas principalmente pra representar cada pai e mãe que não puderam estar presentes”, destaca Ana Claudia Sobral de Sousa, que é mãe da Amanda Sobral, aluna do 3˚ ano. “Era a primeira viagem da Amanda ao exterior sem os pais ou algum familiar. Foi muito importante para ela o entrosamento, o trabalho em equipe, a ausência de celulares, o reconhecimento da alteração dos valores a pequenas coisas, as relações interpessoais e o crescimento pessoal de cada um. O canal de comunicação criado pelo IPAE foi de extrema relevância para a tranquilidade dos pais, e passamos inclusive a nos conhecer melhor e a cada um deles. Só tenho a agradecer”, destaca Ana Claudia.

Amanda Sobral (dir.) e a amiga Gabrielle Marrie definem a missão como: ‘Gratidão’.

Amanda Sobral descreve a missão com uma palavra: “A missão pra mim foi gratidão. Eu encontrei uma realidade totalmente diferente, uma outra cultura. Nós aprendemos a valorizar o pouco, esperar, ter paciência e desenvolver a convivência. A gente foi com intuito de fazer diferença na vida das pessoas, mas foi a nossa vida que mudou. A gratidão deles foi algo lindo e foi uma experiência que vou levar pra vida inteira, foi única”.

Marina Pazzagline é mãe do Lucas (3˚ ano) e da Juliana (1˚ ano), ambos estudam no Ipae desde 2017. Marina explica que apenas o Lucas participou neste ano da missão e espera que no próximo ano a Juliane também participe. “Fiquei muito feliz pela missão. Lucas nos disse que ‘foi a melhor experiência de toda minha vida’. Estamos agradecidos pelo lindo projeto do Ipae, pois foi um aprendizado que marcou a vida do Lucas para sempre”, relata Marina.

Pastor Lucas Friedman, capelão que ajudou a cuidar dos alunos, já havia passado pela experiência de missão durante o Ensino Médio e isso foi determinante para a confirmação do seu chamado pastoral. “Na Argentina, os alunos entenderam que existem outras realidades e que o mundo precisa de pessoas que deem a sua vida em prol da mensagem. Então, estar fora da zona de conforto, dormir no chão, mas ao mesmo tempo acordar e ter alguém esperando do lado de fora por um abraço e poder dar às pessoas aquilo que elas não têm; possibilita aos alunos experimentar aquilo que Jesus fez e viveu quando esteve aqui: amar ao próximo e servir”, afirma Friedman.

Prof. Robledo Moraes, diretor do Ipae, destacou que a missão foi um marco para o Internato. “Enquanto colégio, temos por objetivo a formação de líderes e a missão possibilitou aos nossos alunos estar em situações adversas, onde tiveram que se reinventar e criar alternativas. Essa experiência os prepara para o futuro, com uma base de conhecimento que os faz criar soluções para a vida e a sociedade. A parte espiritual foi fantástica, para eles e para nós também. Tivemos vários pontos em destaque: leitura de sociedade, crescimento espiritual, aconchego, carinho, estudo bíblico, orações. Percebemos que o grupo voltou de lá mais maduro. Não tem como ir para um campo missionário e voltar o mesmo. Eu também cresci, foi uma experiência única e muito diferente”.

Decisões de batismo por influência da missão

Pastor Fábio Di Santo cuida da Igreja Adventista de Barrio Frino.

O pastor Fábio Di Santo cuida da Igreja Adventista Barrio Frino e ficou muito agradecido pela ida dos missionários na comunidade. “Gostamos muito do que fizeram aqui por nós, nos sentimos fortalecidos e mais unidos. A missão mostrou que somos uma família maior que apenas esta igreja aqui na Argentina. Existe irmãos em outros países e fazemos parte de uma grande família. Por influência dos jovens da missão, uma moça de 9 anos e um adolescente de 15 tomaram a decisão de serem batizados no próximo dia 28 de setembro. A motivação dos jovens da missão foi para todos nós uma bênção, agradecemos muito a vinda de vocês aqui, foram dias maravilhosos e abençoados”.

Ipae – a marca de uma vida

Neste ano o Ipae está completando 80 anos e o aniversário será comemorado nos dias 4 e 5 de outubro com a participação especial do quarteto Arautos do Rei. Várias atividades estão sendo desenvolvidas para esta data especial, mas certamente, o Instituto de Missões foi o marco principal neste ano para os jovens da missão. A ideia é que aconteça uma missão a cada ano, uma proposta da capelania do Colégio para proporcionar aos alunos a oportunidade de uma experiência transcultural.

Para conhecer mais este internato, acesse Ipae. Certamente este internato cercado pelas montanhas da BR040 vão cativar você também. Confira mais fotos desta missão na galeria abaixo e nas redes sociais: Facebook e Instagram.

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