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Condenado, adolescente encontra na “prisão” uma rota para a liberdade

Trabalho realizado por voluntário do Ministério das Prisões levou Marcelo a conhecer sobre a Bíblia e ser batizado.

Por Anne Seixas 10 de abril de 2019

Depois de uma mudança de vida, hoje Marcelo contribui para que outras pessoas conheçam a Cristo (Foto: Arquivo pessoal)

Um menino que nunca conheceu o pai, com uma relação difícil com a mãe e criado pelos avós. Essa era a identidade de Marcelo Pantoja até os 13 anos de idade. Nascido no interior do Pará, foi nessa fase que, com a morte dos avós, se viu sozinho sem nenhum parente próximo como referência ou que fosse responsável por seu cuidado. Diante desse cenário, o crime pareceu uma boa saída para ganhar dinheiro e se virar no mundo. Assim, aos poucos, foi se unindo a outros criminosos e chegou a ser um dos líderes de um grupo que praticava delitos.

Durante esse tempo, passou por várias cidades e Estados para “cumprir as missões”, como ele mesmo explica. Piauí, Pará e Maranhão foram alguns dos lugares onde cometeu seus crimes. A rotina, no entanto, foi interrompida aos 16 anos, quando foi detido por policiais e levado para cumprir pena em um centro de ressocialização para menores.

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Sempre calado e cumprindo suas tarefas dentro da Fundação de Atendimento Socioeducativo do Pará (Fasepa), não era de muitos amigos. Conversava apenas com os funcionários do local onde se encontrava recluso. Um deles era Rosivaldo de Castro Martins, conhecido como irmão Castro. Ele era agente de segurança e fazia ali alguns trabalhos de fins missionários.

Mudança de vida

Por um ano, nas madrugadas, Castro e o jovem se encontravam para estudar a Bíblia. Depois de um tempo, Pantoja ganhou seu próprio exemplar do livro, que foi um presente de um colega que também cumpria medida socioeducativa. A partir disso, os encontros eram frequentes. “Todos os dias ele me esperava às duas da manhã para estudarmos”, relembra Castro. Seu envolvimento é fruto do Ministério das Prisões, do qual o instrutor bíblico é ativo.

Ministério das Prisões

Pantoja (direita) e o “irmão” Castro e sua família no dia do batismo (Foto: Arquivo pessoal)

“Em uma das noites acordei assustado, depois de um sonho ruim, e coloquei o colchão perto da grade, onde batia a luz do refletor, e peguei a Bíblia”, narra o jovem, que começou a ler o versículo que o colega que lhe deu o livro sagrado do cristianismo tinha orientado. A primeira dúvida que ele foi tirar com Castro foi sobre o livro de Daniel. E foi em uma dessas madrugadas que ele decidiu contar ao novo amigo toda a sua trajetória. Até então, tinha medo de revelar o que tinha feito e perder a confiança que conquistara.

Nesse período, Pantoja passou ao regime semiaberto e começou a fazer estágio supervisionado na Defensoria Pública do Estado do Pará. Enquanto isso, sua relação com a família Castro se estreitou. Almoçava com eles antes de voltar para o centro de detenção e passou a ter uma rotina que nada se parecia com a vida que levava anteriormente.

Ao fim dos estudos bíblicos, pediu para ser batizado. Porém, como não é permitido realizar cerimônias dessa natureza dentro dos centros socioeducativos, foi pedir permissão para que pudesse se visitar um templo adventista. Seu primeiro pedido foi negado. “Voltei para o quarto-cela e comecei a orar”, detalha o jovem. Numa quarta-feira de agosto, a gerente do local o chamou e lhe deu a notícia de que ele poderia, finalmente, ir.

Ministério das Prisões

Para o jovem, a amizade que encontrou em um momento delicado de sua vida foi fundamental para as decisões que fez dali para frente (Foto: Arquivo pessoal)

A cerimônia aconteceu três dias depois, em um sábado, no ano de 2013. Agentes de segurança, amigos e o juiz da Terceira Vara da Infância e da Juventude, Vanderlei Oliveira, estavam presentes no templo adventista no bairro do Marco, em Belém. O segundo encontro de Oliveira e Pantoja aconteceu no tribunal, na audiência que encerraria seu período de reclusão. Hoje são amigos e viajam juntos pelo País para contar sobre a história de mudança de vida.

Com o fim da pena, acabava também o contrato de emprego, que era parte de um projeto de ressocialização. Por seu bom desempenho, foi efetivado e passou por diversos cargos na Defensoria Pública, onde trabalha até hoje. Atualmente, aos 23 anos, é estudante de Direito e sonha em ser um magistrado. A mãe, que na infância era ausente, hoje mora com ele na capital paraense. “Eu fiz muitas coisas erradas. Mas já que fiz e tive o arrependimento, Deus usou isso como bênção. Ele abençoou a minha vida e a vida da minha família”, ressalta.

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