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Jovens adventistas trocam férias pela ajuda ao próximo

Mais de 200 jovens adventistas e amigos percorreram comunidades carentes da Argentina, Bolívia e Paraguai no mês de janeiro para participar de um programa voluntário de serviço social.

Por Rafael Brondani 7 de fevereiro de 2020

Levar amor e esperança e fazer a diferença na vida de quem precisa foram os objetivos de uma viagem internacional realizada por mais de 30 jovens adventistas e amigos, que se uniram com cerca de outros 200 voluntários que decidiram doar as férias para realizar atividades sociais em comunidades carentes da Argentina, Bolívia e Paraguai, de 6 a 31 de janeiro.

Os jovens fizeram parte do projeto Missão Calebe, um programa voluntário de serviço social e testemunho que desafia jovens adventistas de toda a América do Sul a dedicarem parte de suas férias para fazer o bem ao próximo.

O coordenador da equipe, Leandro Santos, conta que antes de começar a missão os voluntários passaram por um período de preparação com imersão espiritual e cultural. “Após essa imersão, realizamos sete projetos sociais simultâneos em Buenos Aires, Argentina. Por fim, realizamos outros sete projetos sociais simultâneos em Tarija , Bolívia”, conta o coordenador.

As atividades envolveram construção de casas, palestras sobre saúde e família, limpeza de espaços públicos, incentivo à leitura através da distribuição de livros e doação de cestas básicas. Além disso, os jovens também realizaram uma espécie de colônia de férias para crianças e ministraram palestras motivacionais à noite, ocasião em que as mensagens de esperança contidas na Bíblia foram apresentadas aos convidados. Outras atividades sociais também foram realizadas.

Para a realização desta missão foi necessário montar estruturas de apoio em Brasília, Foz do Iguaçu, La Plata, Argentina, e Tarija, Bolívia. Foram utilizadas estruturas de dois colégios e 16 igrejas. Entre os voluntários brasileiros havia pessoas de Brasília, Goiás, São Paulo, Maranhão e Bahia. Havia também voluntários argentinos, bolivianos, paraguaios, chilenos e peruanos.

Uma das voluntárias, Sara Damasceno, de 18 anos, conta que a experiência foi importante para o seu desenvolvimento pessoal. “Foi simplesmente incrível conhecer outras culturas, falar de Deus em outros idiomas, enfrentar dificuldades e saber que, apesar daquele desafio, Deus estava no controle”, comenta.

O médico Gustavo Martinez participou da missão pela primeira vez e foi convidado dois dias antes da partida. Ele estava de férias e decidiu aceitar o desafio. “Fui sem saber exatamente o que iria fazer. Mas se era para cumprir a missão que Deus nos dá de ajudar o próximo, não tem como falar não”, explica.

O ateu que ajudou outros a crerem

Para surpresa de todos, no final da missão, um dos voluntários, Wallace Silva, que não é adventista, mas possui amigos e familiares na denominação, pediu a palavra. Na ocasião, ele agradeceu a experiência vivida ali. E, apesar de estar em um projeto que leva a mensagem de Cristo, o jovem confessou ser ateu.

Wallace revelou ser a primeira vez que fez essa revelação fora do círculo acadêmico, e nunca imaginou que falaria sobre o assunto em um ambiente cristão. Entretanto, enfatizou que durante a missão se sentiu abraçado e aceito. “Depois de três semanas de viagem eu já tinha confiança nas pessoas que ali estavam e sabia que seria tratado com carinho. Foi por perceber isso que eu me senti confortável em ‘abrir o jogo’”, diz o jovem.

O jovem ainda conta que participar da Missão Calebe internacional foi uma experiência única. “Afinal, sair de suas casas, cidades e até mesmo de seus países para fazer um trabalho voluntário não é algo que se vê todo dia. Poder participar de algo assim, definitivamente, mexe com você”, argumenta.

No início, Wallace ficou um pouco tímido, pois na mente dele vinham algumas indagações. “O que eu poderia agregar? Ou ajudar? Por que alguém como eu iria em uma missão como essa?”, reflete.

Porém, logo no início da missão, sentiu que mesmo não sendo adventista, sua ajuda estava sendo útil. “Mesmo não tendo a ‘bagagem’ espiritual para algo assim, eu era uma mão de obra importante para aquele lugar”, ressalta. O jovem também contribuiu com a colônia de férias cristã. “No final das contas foi gratificante e importante para mim poder ser útil e perceber que eu era parte daquilo”, afirma.

O coordenador do projeto, Leandro Santos, comenta que a frase do jovem que mais lhe chamou a atenção foi quando ele disse: “Não garanto que irei me converter um dia, mas realmente me senti tocado aqui” .

Após essas palavras, o grupo demonstrou amor por Wallace. Todos se reuniram ao redor dele para abraçá-lo e muitos choraram. “Ainda que ele lute, em sua mente, com suas crenças, o argumento que tocou o coração dele foi o amor. O amor de um grupo que ama Jesus”, finaliza o coordenador.

Wallace ainda conta que um assunto que chama muito sua atenção é a religião. De acordo com ele, parte do motivo de ter aceitado a missão foi perceber que seria uma ótima experiência de aprendizado. “E realmente foi. Não sabemos o que vai acontecer amanhã, depois, daqui a uma semana ou daqui a um ano… Não posso garantir o que vem pela frente, mas, mesmo sem saber o que virá, aquele momento foi especial e vai ficar marcado em minha história, como parte da minha jornada. Me senti sensibilizado e tocado”, conclui.

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