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“Estar perto das pessoas e amá-las”, diz líder sobre Pequenos Grupos

Um bom exemplo de como os pequenos grupos podem crescer de maneira sustentável no interior de São Paulo

1 de junho de 2016
Celebração com batismos é fruto de um trabalho que começa muito antes e envolve relacionamento entre líderes e discípulos.

Celebração com batismos é fruto de um trabalho que começa muito antes e envolve relacionamento entre líderes e discípulos.

Tatuí, SP … [ASN] Nessa semana, foi lançada oficialmente, na sede sul-americana adventista, a edição 2016 do projeto de Multiplicação dos Pequenos Grupos (PGs). Em agosto, está previsto um dia de celebração especial. A expectativa é aumentar o número de PGs e de líderes comprometidos com esse tipo de visão. A ideia é que nessas comunidades, que se reúnem nas casas, tornem-se tão fortes e relevantes que deem origem a congregações maiores. A Agência Adventista Sul-Americana de Notícias (ASN) conversou com o pastor e jornalista Wendel Lima, editor associado da Casa Publicadora Brasileira, alguém que, fora do seu trabalho comum, tem se envolvido diretamente no trabalho de multiplicação.

ASN – Como começou seu projeto de Pequeno Grupo e como conseguiu multiplicar até se tornar uma igreja?

Wendel Lima – Nosso projeto começou com a ideia de revitalização do Ministério Jovem de uma igreja local aqui de Tatuí, no início de 2014. Porém, com o desenvolvimento do grupo, com a observação de outras iniciativas de PGs jovens e com minha compreensão sobre os benefícios do plantio de igreja, entendemos que abrir uma nova congregação a partir daquele núcleo formador seria o melhor caminho. O ponto da virada para mim foi o segundo módulo da minha pós-graduação em Missiologia no Unasp, em julho de 2014. Entendi que Deus estava me chamando para uma tarefa desafiadora e nova para mim: plantar uma igreja com uma cultura centrada na missão. Não sabia direito por onde começar, mas com um pouco de leitura e ajuda de colegas pastores mais experientes, especialmente do meu amigo pastor Wellington Barbosa (também editor aqui na CPB), entendemos que a abordagem dos pequenos grupos poderia ser o melhor caminho para formar discípulos num contexto de convivência acolhedora e transformadora.

O passo seguinte foi conversar com o pastor local, Richard Ogalha, que no início de 2015 chegou ao distrito de Jardim Wanderley, e preparar esse grupo-base, cerca de 20 pessoas, para o primeiro processo de multiplicação. Durante todo o ano de 2014 havíamos estudado sobre conceitos básicos de missão, reino de Deus, discipulado, espiritualidade e como a ênfase histórica da vida em comunidade havia se perdido no adventismo. Dois livros da CPB foram muito importantes neste processo: Como Reavivar a Igreja do Século 21 e Discípulos Modernos, ambos de Russell Burrill. Nosso grupo começou a entender que a missão é um estilo de vida e que a experiência como igreja vai muito além do momento do culto no templo. Entendeu também que o adventista não pode ser um mero consumidor de bens e programas religiosos, mas que é chamado ao pastoreio mútuo e serviço no mundo. É lógico que nem todos do nosso grupo pensam assim, até porque mudar uma cultura leva tempo, mas posso dizer que boa parte dos nossos membros está atenta para essas questões.

Aquele primeiro PG gerou um segundo, cada um liderado por um pastor: Wellington e eu. Nessa fase, já em 2015, pensávamos em ter uma rede de no mínimo seis PGs para então abrir um ponto de pregação e celebração coletiva. Nossa ideia era que a cultura de viver em PGs fosse estabelecida antes de termos um lugar para a adoração pública. No entanto, outros desdobramentos do processo nos levaram a crer que deveríamos antecipar a abertura da igreja. Isso ocorreu no dia 1º de agosto de 2015, com um batismo, e em dezembro passado fomos organizados como igreja. Nossa Associação, a Paulista Sudoeste, queria que a capela do Colégio Adventista de Tatuí fosse utilizada como igreja aos sábados, como ocorre com outros colégios de nossa região, e por isso temos usado esse espaço, o que representa para nós redução de custos e outras vantagens para a dinâmica da igreja aos fins de semana. Alguns funcionários do colégio têm participado também dos PGs e uma classe bíblica sobre o Apocalipse está sendo oferecida para os pais dos alunos.

ASN – Quantas pessoas vivem em comunidade nesse projeto?

Wendel – Hoje são 81 pessoas vivendo em PGs, incluindo funcionários da escola, sendo essa a média de pessoas assistindo aos cultos de sábado de manhã. Mas o que chama a atenção é que somos 51 membros nos registros da igreja. Ou seja, temos quase o dobro do número de membros da igreja vivendo em PGs. Dessas 80 pessoas que estão em seis PGs, 15 não são adventistas e dez estão recebendo estudos bíblicos. Duas pessoas foram batizadas e temos a expectativa de batizar mais três nos próximos meses. A vantagem que vejo nessa metodologia é que o discipulado se torna mais consistente. Além de receber a instrução doutrinária, ao ser batizada, a pessoa já se sente parte da comunidade e está servindo em algum ministério. O número de batismo ainda é pequeno, mas penso que assim que essa teia de PGs se expandir, o crescimento mais significativo também ocorrerá.

ASN – A que fatores você deve esse bom resultado?

Wendel – Tempo, foco e investimento na formação de uma cultura. Creio que nenhum trabalho consistente ocorre sem muita dedicação, oração, conceitos claros e bíblicos e acompanhamento contínuo. Nos dois últimos anos e meio, minha esposa e eu temos investido muito tempo nisso. E outros líderes têm abraçado essa causa. Estar perto das pessoas, amá-las, apostar no que elas têm de melhor e comunicar uma visão desafiadora de missão é o caminho que temos encontrado para engajar voluntários no trabalho de Deus. Tudo isso para mim tem sido uma experiência transformadora. Vivo a melhor fase do meu ministério! Porém, ao olhar para o que a igreja cristã primitiva e os primeiros adventistas viveram, vejo que ainda estamos muito longe do ideal. Mas já avançamos, pela graça de Deus.

ASN – Qual o segredo para manter líderes motivados nesses PGs e formar novos?

Wendel – Estamos procurando também respostas para isso. Esse é um dos nossos maiores desafios hoje. Tenho notado que a experiência positiva de outras igrejas mostra que é preciso manter o grupo desafiado a estar em movimento e a dinâmica da multiplicação favorece isso. Cada líder de PG deve ter em mente duas coisas: ele deve pastorear o grupo e ter uma visão de multiplicação. O que vejo é que a multiplicação acaba sendo um processo meio que natural quando o PG desenvolveu o senso de que é uma família que se apoia e trabalha junta para abençoar outras pessoas do seu círculo de relacionamento mais amplo. Dos seis PGs que temos hoje, iremos para oito no próximo mês. Metade dos nossos grupos estão indo bem e a outra metade precisa de ajustes e melhor acompanhamento. É o que estamos priorizando agora. Se pensarmos no PG como uma célula viva, o grande desafio é fazer com que ela se reproduza mantendo o DNA original: cuidado mútuo e foco na missão. Esse acompanhamento dos líderes vai envolver encontros regulares, leitura de literatura da área, visitas dos supervisores aos PGs e retiros espirituais. Temos estimulado que cada PG seja assumido por dois líderes, assim um deles se responsabilizará pela liderança do novo grupo ao fim de um ciclo que dura em média nove meses.

ASN – Quais os próximos passos?

Trabalhar com um processo de discipulado que seja mais orgânico e relacional gera impacto em toda a dinâmica da igreja. Entendemos que precisávamos enxugar o tempo do culto e hoje o fazemos com duração de uma hora, seguindo as orientações propostas pela Divisão Sul-Americana em um documento sobre liturgia votado no ano passado. Temos integrado também os PGs com as classes da Escola Sabatina, assim as ênfases relacional e cognitiva acabam se completando. O principal desafio agora é trabalhar melhor na identificação de dons e no estabelecimento de ministérios que representem as habilidades que temos como igreja e as necessidades da comunidade que nos cerca. Já adotamos uma comunidade carente de nossa cidade. São cerca de 50 famílias que vivem em condições precárias à margem de uma rodovia que corta a cidade de Tatuí. Todos os sábados à tarde, nossos voluntários realizam uma classe bíblica com cerca de 30 crianças. Oferecem um lanche, noções de higiene, e amparam as famílias com cestas básicas e roupas. Nossa próxima meta é organizar um clube de aventureiros com essas crianças e construir um centro comunitário no local. [Equipe ASN, Felipe Lemos]

Veja o vídeo com o programa completo realizado para promoção do Dia da Multiplicação de Pequenos Grupos:

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