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Capitão que serviu no Haiti fala de suas batalhas espirituais

Capitão do Exército expõe, com exclusividade à ASN, como conheceu a Igreja Adventista, além de seus desafios e milagres.

 

Goiânia, GO… [ASN] O livro “Quando os meus deuses ruíram”, obra de Maria Anne Hirschmann, da editora Casa Publicadora Brasileira, chamou a atenção do então soldado, Sergio Marques. Era lendo a obra, emprestada de um amigo, que o soldado utilizava o pouco tempo livre no quartel. O que ele não imaginava era que essa literatura faria a diferença em sua vida anos mais tarde.

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História

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Sergio com sua família em 2009. Arquivo Pessoal.

Sergio começou sua carreira militar em 1981, quando tinha 23 anos. Período em teve que decidir: ir para o seminário e estudar para ser padre ou se alistar para o serviço militar. A família de Sergio era muito católica e, apesar da vontade do pai e das ameaças do padre, ele optou por seguir o exemplo de seu pai e se tornar militar.

Bastou Sergio começar a frequentar o quartel para ser excomungado. “Nunca me esqueço das palavras do padre de que, se eu seguisse essa vida, eu iria queimar no fogo do inferno”, conta indignado. Dali para frente, Sérgio não encontrava mais seu espaço dentro da igreja, período em que deixou de frequentar a missa e se dedicar exclusivamente ao trabalho.

Sergio seguiu sua vida e, em 1985, quando estava indo para o centro da cidade, avistou uma igreja diferente das que ele estava acostumado a ver. O Templo estava aberto, ele teve uma súbita curiosidade e decidiu entrar. “Eu comentei com a minha esposa, vamos entrar nessa igreja, mas se eles falarem mal de alguma instituição militar eu vou embora e nunca mais volto”, relembra. Assistiram ao culto, gostaram e mudaram seus hábitos sociais. Fizeram o compromisso de estar constantemente nos cultos da Igreja Adventista do Sétimo Dia que haviam acabado de conhecer.

Conversão

Sergio Marques começou a pesquisar sobre aquela denominação. Certo dia, uma mulher se ofereceu para estudar a Bíblia com ele, para que entendesse onde as 28 crenças da Igreja Adventista estavam baseadas. Quando começou a estudar, sempre dava um jeito de rebater os ensinamentos utilizando argumentos que havia aprendido desde pequeno.

O militar se aprofundou nos estudos e outro homem passou a estudar a Bíblia com ele. “Eu achava que ia conseguir rebater todos os argumentos dele, até que chegou nos 10 mandamentos deixados por Deus e algo me chamou a atenção”, comenta. Sergio conhecia muito bem o Catecismo, por isso o sábado era algo diferente da qual nunca tinha ouvido falar. “Eu achava que tinha conhecimento pleno dos dez mandamentos”, destaca Sergio.

Segundo ele, o livro ”Quando os meus deuses ruíram”, que ele havia lido em sua juventude, veio a sua mente enquanto estudava mais sobre a Bíblia. As explicações que ouvia faziam sentido e as reviravoltas da vida podiam ter grandes propósitos, como apresentado no livro que ele gostava tanto.

O militar continuou lendo a Bíblia e, nas próprias palavras dele, buscando sabedoria por meio do Espirito Santo. Pouco tempo depois decidiu entregar sua vida a Deus. “Meu sentimento era de ter encontrado a felicidade, de ter encontrado a razão para se ter esperança. Uma esperança eterna”, afirma.

Desafios

Muitos desafios surgiram no Exército com a decisão de Sergio. Devido a sua escolha fundamentada de guardar o sábado, quando era escalado para trabalhar nesse dia, não comparecia ao serviço. A liberdade religiosa para o militar dentro do quartel não veio de forma fácil.

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Sergio em missão no Haiti em 2010, ano do catastrófico terremoto que atingiu o país.

Certa vez, Sergio ficou preso durante cinco dias por não participar do desfile do dia 7 de setembro que caiu em um sábado. Mesmo assim, ele tinha certeza de suas convicções. A dor invadiu seu coração, mas Deus providenciou os meios e as pessoas necessárias para ter o conforto que precisava. “Não fui à igreja, mas a igreja veio para dentro do quartel, pois as visitas foram autorizadas”, conta.

Segundo ele, Deus sempre proveu livramento e os milagres aconteciam em sua vida, como por exemplo, quando se mudou para Manaus, capital do Amazonas, e passou três anos sem ser chamado para trabalhar aos sábados. Para sua surpresa, com a mudança do chefe do Setor de Pessoal, responsável pela escala de trabalho, ele perguntou porque nunca havia sido escalado e o mesmo respondeu: “Eu conhecia o seu histórico de trabalho e sua fé. Sendo assim, você foi escalado várias vezes, mas em todas elas eu vim no seu lugar”, respondeu seu interlocutor.

Mesmo passando por dificuldades, Sérgio não desistiu de sua fé. Enquanto estava em missão no Haiti, passou um dos momentos mais marcantes de sua vida e percebeu como sua vida era importante para Deus. Ele estava dentro de uma construção quando o catastrófico terremoto assolou o país em 2010. Apesar de ser um dos últimos a chegar na base do exército, Sergio sobreviveu e hoje ele é muito grato a Deus por poder testemunhar de Seu amor mesmo diante de situações desafiadoras.

Ele mostra diariamente em seu local de trabalho, as bênçãos de uma vida diferente. Sergio é membro da Igreja Adventista do Setor Coimbra, em Goiânia, e está perto de se aposentar como capitão do Exército Brasileiro. O militar dá estudos bíblicos a pessoas que querem conhecer mais sobre o livro sagrado do cristianismo e também ajuda jovens que passam por dificuldades religiosas no serviço militar. [Equipe ASN, Jéssica Veloso]

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