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Alunos descobrem nova família nos internatos adventistas

Conheça histórias de quem teve sua vida transformada pelos internatos adventistas. A estrutura permite morar e estudar no mesmo ambiente.

Por Ana Tália Coelho e Mairon Hothon 14 de dezembro de 2018

Morar, estudar e viver dentro da própria instituição é uma alternativa para os estudantes que desejam cursar e conhecer o ensino superior da Educação Adventista.

No segundo episódio desta série de reportagens, conheça relatos de universitários que encontraram nas instituições adventistas de ensino mais do que um lugar para o acesso ao conhecimento e o crescimento profissional, mas a oportunidade de construção de uma nova família.

Domingos Sambomgo veio de Angola para estudar no Brasil. Chegou para o Ensino Médio e hoje já está terminando sua graduação.

Além das aulas e atividades acadêmicas, as faculdades oferecem o regime de internato, no qual o aluno tem a possibilidade de estudar e morar dentro do próprio campus universitário. Um exemplo disso é do estudante Domingos Sambomgo, que mudou da Angola para o Brasil há seis anos e, atualmente, cursa Sistemas de Informação no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), campus Hortolândia, em São Paulo.

“Eu liguei para o meu pai e disse que queria voltar. Meu pai desligou o telefone e ficou três dias sem falar comigo. Nesses três dias, conheci muita gente”, comenta o estudante ao lembrar do período difícil de adaptação à nova vida no internato, longe dos seus familiares e da cultura do país de origem.

Uma das pessoas que Sambomgo conheceu nesse intervalo de tempo foi o preceptor Marcos Aurélio, responsável pelo residencial masculino do Unasp Hortolândia. “Conversei com ele e disse para ele aproveitar o tempo aqui”, revela Aurélio, que a partir daquele momento se tornou a principal referência familiar do estudante na faculdade.

“Esse preceptor me deu muitos conselhos. Tudo o que o meu pai falava para mim, ele fala. Então, considero ele um segundo pai”, afirma o universitário. Sendo assim, o ambiente de aprendizagem se transforma em um cenário que possibilita criar laços além do ensino. “Existe uma acessibilidade entre alunos, professores e servidores da instituição”, destaca Nazareno Santos, diretor de Assuntos Estudantis da Faculdade Adventista da Amazônia (Faama).

O preço de um sonho

Júlio Reolon, estudante de Psicologia da Fadba, dedica suas férias para juntar dinheiro a fim de passar o semestre estudando sem preocupações com dívidas.

Na Faculdade Adventista da Bahia (Fadba), o estudante Júlio César, um dos 1.844 alunos dos cursos de ensino superior da instituição, dedica todas as suas férias para conseguir os recursos financeiros a fim de estudar e morar na faculdade.

“Eu trabalho o dia e à noite durante as férias, exceto nas sextas-feiras à noite e no sábado, para juntar dinheiro e vir para a faculdade”, explica o paranaense, que trabalha desde o ensino médio para custear os estudos. César é beneficiário do Financiamento Estudantil (Fies), que paga as mensalidades do curso de Psicologia, e o dinheiro conseguido nas férias é usado para quitar as despesas do internato, como moradia e alimentação.

“Eu levo em consideração cada gota de suor que eu derramo nas minhas férias, porque quando estou aqui, eu lembro que isso é um reflexo dos meus esforços, da ajuda dos meus pais e das pessoas mais próximas a mim. Por isso, faço meu melhor”, revela o aluno.

Por outro lado, para Elizanete Vizzoto, preceptora do Unasp, campus São Paulo, o mais importante é fazer parte dos sonhos dos alunos, independentemente de quanto eles custam. Portanto, com os demais colaboradores da instituição, há 12 anos Elizanete idealizou o projeto Amigo do Estudante. “Nós tivemos essa ideia a partir do momento que percebemos que tínhamos alunos que não conseguiam pagar 100% das mensalidades e não tinham recursos para comprar roupas e agasalhos”, detalha.

Idealizadora do projeto PAE, Elizanete acredita nos sonhos dos estudantes que buscam um futuro pautado na educação.

Através deste projeto, os funcionários da entidade doam, mensalmente, uma quantia do salário para que os alunos do campus consigam completar o valor da mensalidade do curso. Thaysis Fiuza, uma das beneficiárias da iniciativa, paga metade da parcela mensal da faculdades com o Fies. Por intermédio do Amigo do Estudante, a universitária consegue quitar a outra metade.

Para Thaysis, contar com a ajuda do projeto é uma oportunidade de continuar estudando. “É maravilhoso saber que eu posso contar com isso. Ter a possibilidade de me formar é um sonho e o projeto faz com que esse sonho fique perto”, explica a aluna de Psicologia do Unasp, campus São Paulo.

Assistência que vai além do ensino

O apoio aos universitários, em todas as dimensões da vida, seja espiritual, emocional e social, também é uma preocupação constante das instituições adventistas. Segundo a psicóloga Maria Camila, é preciso ter um olhar aberto e empático para os diferentes momentos pelos quais os alunos passam na graduação. “Quando nós estamos sensíveis a isso, nós conseguimos chegar perto e, sem julgamentos, tentar entender que momento é esse da vida que ele está passando”, explica.

Camila viu em sua rotina de universitária com os amigos e funcionários da Fadba uma verdadeira segunda família.

Na vida da universitária Camila Santos, um dos momentos mais difíceis foi a morte da mãe, no segundo semestre de 2015. Neste episódio, todo o apoio dado pela faculdade se transformou na força necessária para enfrentar o luto. “O ambiente em si me tranquilizou muito. Aqui eu tive forças para lidar com isso”, garante a estudante, que através da venda de publicações de saúde consegue custear os seus estudos e o da irmã de 15 anos.

“Em 2016, eu trouxe a minha irmã para morar comigo. Além de irmã, eu me coloquei no papel de mãe”, admite.

A dois mil quilômetros de distância da Camila, na Faama, uma história semelhante à da universitária se repetiu na vida da aluna do ensino médio Suezy Brandão.

“Enquanto eu estava recebendo a notícia, já tinham pessoas da Faama reunidas para me dar apoio. Um carro já tinha sido preparado para me levar para casa, minha mala já estava pronta, tinham selecionado as meninas que iam comigo. Já tinham feito tudo”, lembra a estudante sobre o dia em que recebeu a informação de que a mãe havia falecido.

A aluna, de 16 anos, mora e estuda no campus da faculdade e faz parte dos mil estudantes atendidos desde o ensino básico até a pós-graduação na entidade, localizada em Benevides, no Pará, e contou com o auxílio dos funcionários e colaboradores da instituição no momento em que a mãe faleceu. “Aqui dentro eu me sinto acolhida. Eu consegui ter novos pais e novas mães que me ajudam na parte financeira e moral. Qualquer coisa que eu preciso, sei que posso contar com eles”, afirma Suezy.

De acordo com Maria Camila, a promoção da saúde dos alunos, em todas os aspectos da existência, é um dos principais objetivos dos internatos adventistas. “No internato, nós temos o cuidado de promover saúde em todas as áreas da vida. Desde a psicológica, na área física e na espiritual”, explica a psicóloga.

Para conhecer melhor da estrutura e as oportunidades que um internato adventista proporciona, veja o segundo episódio da série:

 

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