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Colégio mineiro incentiva estudantes a combater pedofilia

Minas Gerais é o segundo Estado do Brasil com maior número de casos de violência contra crianças e adolescentes, dentre elas o abuso sexual.

Por Renata Paes 16 de maio de 2019

Estudantes do Colégio Adventista de Belo Horizonte assistem palestra sobre combate à pedofilia (Foto: Larissa Rodrigues)

Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública de Minas Gerais (Sesp/MG), só em 2017 foram registradas 1,9 mil ocorrências de abusos sexuais contra crianças e adolescentes. Mais que números estatísticos anuais, trata-se de vidas  marcadas pela violência, dentre elas o abuso sexual. Para orientar sobre as formas de denúncia e proteção, cerca de 300 estudantes do Colégio Adventista de Belo Horizonte (CABH) participaram da palestra “Juntos Contra a Violência” no dia 14 de maio. O programa fez alusão ao Dia Nacional de Combate à Exploração Sexual, lembrado no próximo sábado, 18 de maio.

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Entre os abusados, as crianças e adolescentes do sexo feminino são os mais vulneráveis. Segundo o Protocolo de Atendimento ao Risco Ocupacional e Sexual, mais de 86% das vítimas são meninas.

Folheto “Juntos Contra a Pedofilia” foi dado aos estudantes para ser entregue aos pais ( Foto: Larissa Rodrigues)

A delegada e deputada estadual Sheila Oliveira foi convidada pelo Ministério da Família da Igreja Adventista do Progresso, em Belo Horizonte, para palestrar aos estudantes. Ela explicou sobre a pedofilia, o perfil dos abusadores, como e onde denunciar. A deputada ainda entregou aos alunos um material didático a respeito do tema para ser conversado com os pais. O folheto contém informações que auxiliam uma criança a identificar quais os riscos existentes da pedofilia no ambiente virtual e situações de abuso.

“Esse não é um assunto fácil de ser tratado. Trouxemos um material para as crianças que deverá ser entregue aos pais. Apresentamos aqui casos práticos registrados nas delegacias”, pontuou a delegada.

Sobre as ocorrências em Belo Horizonte, Sheila revela preocupação quanto ao número elevado de registros e diz que muitas das denúncias não partem das vítimas. “O que mais impressiona é que os casos são muito subnotificados. Cerca de 87% dos inquéritos policiais que tramitam nas delegacias especializadas não partiu da própria vítima. O caso foi detectado pelo professor na escola, amigo, vizinho”, reforçou ela.

A estudante do 3º ano do ensino médio, Rânia Gabrielly, aprovou a temática. “É muito importante estar falando sobre isso, porque muitas vezes temos receio do assunto”, sublinhou.

Outro ponto destacado com os estudantes foi que metade das fotos com crianças e adolescentes abusados, em circulação na internet, vem das redes sociais. A pesquisa acima também revela que uma em cada cinco crianças que navegam no ambiente digital é alvo de pedofilia. Na convivência com os estudantes, o diretor do CABH, Clayton Ferreira, mostrou preocupação com as formas de compartilhamento de fotos, conhecida popularmente como “nudes”. “Às vezes eles não tem noção do estrago que isso pode causar ao compartilhar essa foto. Esse compartilhamento pode cair na mão de um pedófilo. Essa exposição é complicada e infelizmente é uma realidade em todo o canto”, avaliou.

Quebrando o Silêncio

Desde 2002, a Igreja Adventista do Sétimo Dia realiza o projeto “Quebrando o Silêncio” com o objetivo de alertar e atuar junto à sociedade no combate às formas de violência, seja contra crianças, adolescentes, mulheres ou idosos. A campanha ocorre durante todo o ano, porém é no quarto sábado de agosto que os membros se mobilizam em passeatas, eventos e fóruns em oito países da América do Sul, inclusive no Brasil.

Neste ano, o foco da iniciativa está justamente no combate ao abuso infantil. Por isso, foram preparadas revistas e outros materiais para sensibilizar crianças e adultos quanto ao perigo e necessidade de proteção. Ao longo de 2019, diversas ações serão realizadas para alertar a comunidade. Para mais informações, visite quebrandoosilencio.org

Confira as imagens na galeria abaixo:

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