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Para amenizar saudade, professoras dão aula na calçada das casas dos alunos

Mensagens como "Tia, estou com saudades" e "Posso te ligar?" fizeram com que professora adotasse nova estratégia pedagógica para dar aulas durante a pandemia.

Por Renata Paes 3 de setembro de 2020

Profa. Sandra Storch dá aula para os alunos do jardim II da Escola Adventista da Pampulha. (Foto: Marina Faria)

O ambiente digital minimiza as distâncias geográficas e, durante a pandemia, tem sido a principal plataforma para atividades de trabalho e educação. É bem verdade que a internet também viabiliza encontros e reencontros,  mas é no presencial que acontece o abraço, o toque, a conversa olho no olho. Na falta desse contato, tão essencial para o bem-estar físico e mental, surge o que chamamos de saudade.

Há seis meses com aulas no ambiente virtual, a professora Sandra Storch Araujo, da Escola Adventista da Pampulha (EAP), em Belo Horizonte, passou a receber áudios que diziam: “Tia, estou com saudades”, “Posso te ligar?”. O coração apertava ao ouvir os alunos.

Sandra decidiu adotar uma nova estratégia pedagógica para amenizar esse sentimento. Ela preparou a aula e foi para a calçada da casa dos estudantes ministrar os conteúdos. Ao ar livre, organizou com cuidado e carinho o ambiente provisório de sala de aula, para que os estudantes se sentissem na escola.

Professora compreende a importância e necessidade das medidas de isolamento social e, portanto, adota as medidas de segurança nas aulas realizadas na calçada, que ocorrem pelo menos uma vez ao mês. (Foto: Marina Faria)

Com máscara e em distância segura, ela transmitiu o conteúdo do dia, interagiu com os alunos e tirou todas as dúvidas. As aulas duraram em torno de 10 a 15 minutos.

“Apesar de fazermos aulas coletivas e individuais pela internet, sentia que faltava um contato maior. Tínhamos a expectativa de voltar à escola após as férias e acho que os alunos também. Entretanto, não foi possível. O ambiente de sala de aula faz falta para mim como professora e para eles também”, ressalta Sandra.

O psicólogo e especialista em Psicopedagogia, Daniel Inácio, explica que o contato físico é essencial para o desenvolvimento do aprendizado da criança.

“A criança se desenvolve e aprende pela observação. Quando existe o afastamento, ela perde um pouco o fator aprendizagem, sem contar que o calor humano e a proximidade é importante para o desenvolvimento, a afetividade”, enfatiza ele.

Professora Simone Santiago também adotou a mesma estratégia de ensino e, claro, aproveitou para rever os alunos. Antes da professora chegar, Taciane Vassalo contou ao filho, Mateus Vassalo, de 4 anos, que ele receberia uma surpresa.

“Foi algo que não esperava e ele ficou na expectativa, olhando pela janela. Eu acredito que isso marca muito o aprendizado do aluno”, diz Taciane.

Na calçada do prédio, Mateus Vassalo, de 4 anos, participa de atividade prática com a Profa. Simone Santiago. (Foto: Renata Paes).

Confira nas fotos abaixo mais momentos de aula. 

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