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Estudantes de odontologia oferecem atendimento gratuito em cidade na Bahia

Por Wiliane Passos 14 de agosto de 2019

Os estudantes dos períodos iniciais foram responsáveis pelas atividades educativas e de atenção preventiva à comunidade. Imagem: Alonso Dávila

Os voluntários são alunos e professores do curso de odontologia da Faculdade Adventista da Bahia, em Cachoeira, que estiveram por 4 dias na rua principal da cidade realizando atividades educativas, de atenção preventiva e procedimentos simples como: restauração, limpeza e cirurgias. Foram atendidas mais de 110 pessoas, incluindo crianças e mais de 200 procedimentos foram realizados no período.

A equipe estava acompanhada de uma unidade odontológica móvel da ADRA (Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais) e um consultório portátil. A iniciativa faz parte de uma “missão“ proposta pela faculdade para inserir os alunos no contexto social de uma comunidade carente de atendimentos e colocar em prática os conhecimentos adquiridos em sala de aula.

A ação aconteceu na entrada da Igreja Adventista do Sétimo Dia local e se estendeu até a comunidade quilombola do Remanso, onde 30 crianças foram atendidas e desse número, 28 teve o primeiro contato com um dentista na ocasião. O curso de odontologia é um dos que mais se envolve em projetos missionários na instituição. Os alunos desenvolvem ações que duram todo o semestre com atendimentos na comunidade e feiras de saúde pela região.

Os atendimentos foram realizados na entrada da IASD local, localizada na rua principal da cidade em uma clínica móvel da ADRA e um consultório portátil. Imagem: Alonso Dávila

Experiências:

A satisfação não foi só de quem recebeu o atendimento, os alunos foram tocados e afirmaram que esse tipo de experiência transforma a vida de quem faz também. Robert Nogueira, conta que teve uma experiência incrível: “Um rapaz chegou aqui fora do horário reclamando de dor, mas não tinha mais material para atender. Marcamos para o dia seguinte logo cedo e fiz um procedimento simples, mas recebi um abraço tão forte, que me marcou.”

“Aqui percebi que ele precisava disso, mas eu precisava também. Eu pensei que eu precisava fazer grandes coisas e procedimentos difíceis, mas os mais simples tocaram tanto as pessoas e isso me fez perceber que eu precisava estar aqui e ter vivido isso. Por isso eu acho que todos deveriam fazer missão um dia“, completou Robert.

Depois do atendimento inicial, os pacientes eram encaminhados para uma palestra sobre a importância do cuidado com a saúde bucal. Foto: Alonso Dávila

Dificuldades:

O trabalho não foi simples. Os alunos tiveram que aprender a gerenciar o tempo para atender o máximo de pessoas possíveis e dividir bem o material para que fosse o suficiente para o dia de trabalho. “Quando eu cheguei, imaginei que iríamos ter várias cadeiras para atender, equipamentos simultâneos trabalhando, mas quando cheguei aqui a primeira dificuldade foi a divisão do tempo e dos recursos”, relatou Maria Thereza, que faz o 8a período do curso de odontologia.

“Lá na clínica da faculdade, cada pessoa atende um paciente na tarde, mas aqui logo no primeiro dia atendi 6 pessoas, então na questão da agilidade, foi essencial vivenciar isso aqui para fazer os atendimentos. Aqui a gente fica mais humano, conhece mais as histórias das pessoas, o que a pessoa passa, as dificuldades, mas aqui a gente vê a realidade. Eu atendi uma paciente e no final ela me abraçou e disse: poxa, obrigada por me salvar e foi um procedimento tão simples”, acrescentou.

Investindo no futuro:

O que a maioria das pessoas não sabe é que as despesas da missão saíram do bolso dos alunos também. “Fazer missão, não é fácil, os alunos pagaram uma taxa para vir até aqui. Vários deles não tinham condição de vir, mas juntamos os professores, cada um fez uma doação e conseguimos o valor necessário. Temos vários alunos que querem vir e participar, mas não tem condição. Estamos em busca de parcerias para que outras missões aconteçam também”, relatou Kendall.

“A gente não veio só para atender, mas também para transmitir um pouco de paz, mostrar como é ter Deus no coração e ter essa paixão de sair para ajudar outras pessoas. Eles não sabem que a gente tirou dinheiro do bolso para vir ajudar e ficam impressionados por saber que a gente poderia estar fazendo qualquer outra coisa, mas estamos aqui”, compartilhou Luiza Caroline, estudante e voluntária.

“Eu atendi uma pessoa que precisava ser atendido e começou a me contar a história dele, e eu fiz um procedimento tão simples, mas ele me deu um abraço tão forte no final, que isso me marcou demais. Deus guiou tudo para esse momento, tanto com o paciente para eu atender, quanto pelas pessoas que doaram e me ajudaram a chegar até aqui”, conclui.

Espírito Missionário:

Através de uma pesquisa feita com os alunos de odontologia, foi constatado que mais de 80% deles tinham interesse em participar de uma missão. “Aqui temos alunos de todos os períodos e os procedimentos são de acordo com o que cada um já viu na faculdade. O mais legal foi o clima da missão que conseguimos colocar no coração deles. Eles gostaram e tiveram o contato com a reação das pessoas. Todos eles querem participar de mais missões e viver experiências como esta”, explica Kendall Capibaribe, cirurgião dentista e idealizador da missão.

O atendimento se estendeu até a comunidade quilombola do Remanso, onde a maior parte das crianças teve seu primeiro contato com um dentista. Imagem: Alonso Dávila

Atendimento no quilombo

Núbia Mascarenhas é professora e frequenta a Igreja Adventista de Lençóis, local que acolheu os voluntários. Ela acompanhou a missão desde o inicio e compartilhou o desejo de que os seus alunos fossem atendidos. Os alunos foram divididos e conseguiram levar uma cadeira portátil até o quilombo.

“A comunidade em si é bem carente de acompanhamento odontológico e no convívio com as crianças percebemos que eles precisavam desse apoio. Muitos deles não tem uma escova de dente, coisas simples que para eles faz muita falta e acaba prejudicando. Com a experiência que os meninos tiveram, acredito que eles vão ter mais dedicação, os professores estão se organizando para deixar um kit de higiene para cada um.”, explicou Núbia.

“Em relação ao trabalho dos meninos é um trabalho lindo, porque vemos que não é só a parte profissional, tem muito amor envolvido e com certeza as crianças que foram atendidas aqui marcaram a vida deles e com certeza eles marcaram a vida dos meninos. Trouxe grande benefício, não só físico, mas emocional também”, completa.

As crianças da comunidade do Remanso receberam atendimento, ganharam uma escova de dentes e prometeram colocar em prática os ensinamentos. “Eu aprendi que todos devem escovar os dentes direitinho. Tem que escovar todas as vezes que terminar de comer e eu vou ensinar para minha irmãzinha. Achei muito bonito e legal que vieram aqui e a parte que mais gostei foi a de limpar o dente com o dentista”, contou Dália, estudante do 1o ano fundamental.

As mães das crianças acompanharam os procedimentos e afirmaram que nunca tinham recebido nada igual e que a iniciativa com certeza ajudou e vai ajudar muito. “Eu acho que as crianças vão colocar em prática e eu vou pegar no pé para que façam todos os dias”, brincou Ruana Souza, mãe de um dos alunos atendidos.

O pastor da Igreja Adventista para o território sudoeste da Bahia esteve no local e expressou seu apoio e incentivo ao projeto. “Não somos uma igreja fechada apenas para culto, mas uma igreja que também ajuda a comunidade. Com certeza isso é um diferencial das nossas instituições. A Faculdade Adventista da Bahia além de formar ela se preocupa em transformar”, acrescenta.

Confira a reportagem exibida no programa Revista Novo Tempo:

Você confere mais imagens do projeto AQUI e AQUI.

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