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Estudantes da Educação Adventista visitam sobreviventes de acidente radioativo

Atividade pedagógica se transformou em ação social e lição de amor ao próximo.

20 de março de 2015

Brasília, DF … [ASN]  Há 28 anos, Lourdes Neves foi uma das vítimas do maior acidente radioativo do Brasil, ocorrido em setembro de 1987, na cidade de Goiânia. A tragédia, conhecida como Césio-137, levou tudo o que ela tinha, inclusive a filha Leide das Neves, de seis anos. Hoje, Lourdes e outras centenas de pessoas têm vivido sobre a sombra do preconceito, causado, em sua maioria, pela da falta de informação. Depois de perderem familiares, bens materiais e receberem pouca ajuda para reconstruir a vida, eles vivem escondidos com medo da reação das pessoas e da rejeição social.

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Sobreviventes da tragédia, Lourdes Neves (esquerda) e Luiza Santos (direita) relatam aos alunos detalhes da história do pior acidente radiológico do Brasil. O Césio 137 só não foi maior que o acidente na usina nuclear de Chernobyl, em 1986, na Ucrânia.

Foi a história de vida e a realidade enfrentada por essas pessoas que motivou o professor de Química Fábio Metódio a desenvolver um projeto pedagógico com os alunos da Escola Adventista do Gama – DF, com o objetivo de acrescentar conhecimento teórico e quebrar o preconceito e a desinformação. “Uma vez eu vi uma foto nos livros que eu usava com os alunos de uma pessoa que sofreu um acidente radioativo. Eu fiquei imaginando como seria a vida dela. Depois de pesquisar na internet, descobri que ela estava bem perto de nós e que nós poderíamos criar uma oportunidade positiva para os dois lados”, explica Metódio.

O projeto, que é realizado há cinco anos, trabalha o acidente radiológico em duas etapas. A primeira acontece dentro da sala de aula, em conteúdos interdisciplinares. Os alunos aprendem a composição do Césio e as alterações genéticas que ele causa no organismo, por exemplo. A segunda parte do projeto leva os alunos para conhecer as vítimas e os locais emblemáticos do acidente. “O próprio projeto sofreu com o preconceito e o medo, e na primeira edição apenas 30 alunos realizaram a visita à capital”, relembra o professor de Química.

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O grupo visitou o local onde a cápsula contendo partículas do Césio-137 foi aberta. Apesar do terreno não apresentar mais perigo, técnicos visitam o local periodicamente para medir o nível de radioatividade.

No dia 18 de março, mais de 400 alunos participaram da segunda etapa. Além de escutar detalhes do acidente na visão dos envolvidos, o grupo se dedicou a realizar um trabalho social com as vítimas. Através da arrecadação de alimentos, organizada pelos próprios estudantes, foram montadas cestas básicas que foram entregues nessa ocasião.

Para Luiza Santos, que carrega as cicatrizes do contato com a radiação do lado direito do pescoço, a visita dos alunos renovou a esperança de que o preconceito pode ser quebrado e trouxe conforto para quem, por muito tempo, não recebeu nenhum abraço. “Por um bom tempo eu me escondi, mas hoje eu levanto a cabeça e agradeço a Deus por estar viva. As pessoas têm medo da gente e ver esses jovens aqui me abraçando e sem medo me fortalece e me deixa muito feliz”, compartilha Luiza.

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Aluna abraça sobrevivente durante a entrega de cestas básicas e do livro “A Única Esperança”.

 

Aluna do último ano do ensino médio, Lorena Penha participou pela segunda vez da visita. Além do conteúdo pedagógico, ela ressalta o lado social do projeto como oportunidade de crescimento pessoal. “A experiência de ter o contato direto com as vítimas e fazer o que a maioria das pessoas tem medo faz com que a gente guarde mais o conteúdo que aprendemos na sala de aula. Mas a experiência pessoal de não ter preconceito e de amar ao próximo a gente vai levar pra vida toda”, relata Lorena. [Equipe ASN, Liane Prestes]

 

 

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