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Educação Adventista de Brasília é destaque em inclusão de alunos com necessidades especiais

Alunos recebem plano de ensino individualizado e pais ganham apoio através de oficinas

Por Rafael Brondani 28 de fevereiro de 2020

Com o objetivo de dar apoio aos pais, uma série de oficinas são realizadas com o tema “Entre o Amor e o Limite”. (Foto: divulgação)

A Rede Adventista de Educação de Brasília e entorno conta com um plano de ensino individualizado para os quase 500 alunos com necessidades especiais que estudam nas oito unidades da rede espalhadas pelo planalto central. Com o objetivo de dar apoio aos pais, uma série de oficinas são realizadas com o tema “Entre o Amor e o Limite”. A palestra é ministrada pela psicóloga da Educação Adventista de Brasília e região, Allen Dias, que durante o encontro esclarece o papel e a responsabilidade da escola, além de apresentar os deveres e direitos dos alunos deste segmento. Allen também tenta diminuir a ansiedade dos pais, acolhendo e ouvindo suas demandas.

A psicóloga explica que as oficinas são muito produtivas. “Os pais percebem que não passam por situações difíceis sozinhos, pois veem outros pais que passam por situações parecidas. Nesta roda eles têm a oportunidade de falar de suas demandas, ouvir experiências, crescer com elas e fortalecer suas emoções”, afirma.

Na pele

Além de psicóloga, Allen viveu na prática os desafios de ter um filho com necessidades especiais. “Quando a gente descobre que tem um filho com necessidade especial, sempre tem aquela questão de negação. A gente tenta negar, porque ainda está aprendendo a lidar com aquilo. É algo que dói, machuca. Todo pai quer um filho perfeito nos padrões da sociedade, e quando temos um diagnóstico é doloroso”, conta.

A filha primogênita de Allen nasceu com uma necessidade especial rara. Trata-se de um distúrbio neuromuscular hereditário que causa fraqueza muscular progressiva, conhecida como Pompe. “Começo minha palestra dizendo que entendo um pouco da dor deles porque passei por situação semelhante com minha filha mais velha. Não foi uma necessidade especial simples, foi bem dura e agressiva”, compartilha.

A doença ocasionou a morte da filha de Allen. Ela tinha apenas 12 anos de idade quando sofreu complicações devido ao distúrbio e não resistiu. “Quando conto minha história, quebramos muitas barreiras. As pessoas enxergam que, às vezes, os problemas delas não são tão grandes e começam a ter resiliência, superar seus pequenos problemas e perceber que são capazes”, salienta a psicóloga.

Pais e filhos

Na oficina oferecida pela Rede Adventista de Educação também são trabalhadas questões que ajudam os pais a darem autonomia aos filhos. O intuito é mostrar embora os filhos tenham certas restrições e responsabilidades, conseguem “andar sozinhos”, são capazes e têm um tipo de inteligência absoluta.

Allen assegura que a cada oficina novos aprendizados são absorvidos. “São pais que querem ser ouvidos e que apresentam experiências, força e superação. Foram momentos de choro, enfrentamento, sentimento de impotência e ao mesmo tempo conforto e crescimento. Meu trabalho me faz feliz e hoje entendo porque minha filha passou pela minha vida, foi para entender um pouco sobre a dor do outro”, emociona-se.

Dois filhos de Mônica Magalhães cursam o Ensino Fundamental em um Colégio Adventista. Um deles possui necessidades especiais. A mãe destaque que sua experiência com a Educação Adventista é positiva, e que além dos meninos, duas filhas também passaram pela instituição e hoje estão na faculdade. Para Mônica, o ensino individualizado é muito importante, pois ajuda a criança a focar em detalhes que podem passar despercebidas. “Um diferencial da escola é que eles não tratam meus filhos como um número. A escola os conhece pelo nome e eles se sentem valorizados. Isso tem engrandecido os estudos deles. Eles produzem mais, têm vontade de estudar e de fazer a diferença”, elogia Mônica.

Uma luz no fim do túnel

Sarah Ferreira é mãe do aluno Arthur Ampessan, estudante do terceiro ano do Ensino Fundamental do Colégio Adventista de Formosa, Goiás. Ele foi diagnosticado com microcefalia e epilepsia. Em função das dificuldades que seu filho enfrenta, Sarah descreve a Escola Adventista como uma “luz no fim do túnel”.

No início de 2019 ela e o esposo buscavam uma escola para o filho. “Fomos, literalmente, de escola em escola para conhecer o ambiente e o método de ensino de quase todas as escolas da cidade”, frisa a mãe do estudante, que passou por algumas experiências desagradáveis em outras instituições de ensino, trazendo insegurança e receio do ambiente escolar. “Quando decidimos trocar o Arthur de escola, queríamos ter a certeza de como ele seria recebido e acolhido”, conta.

Em meio aos desafios, a família encontrou no Colégio Adventista suporte e amparo para o filho com necessidades especiais. “É natural que os pais sintam medo de deixar o filho nas mãos de outras pessoas. Existe também o receio de como ele será recebido e aceito pelas outras crianças, de como será seu desenvolvimento naquela escola. Mas posso afirmar que desde o primeiro dia sentimos, de coração, o quanto o Colégio Adventista era diferente das outras escolas”, diz Sarah.

A mãe de Arthur relembra a primeira vez que visitou o Colégio Adventista e comenta que sentiu a diferença desde o portão da instituição até à sala da coordenadora. “Fomos recebidos com sorrisos e muita simpatia. Arthur, que estava conosco, imediatamente foi recebido pelas outras crianças com muitos abraços e entusiasmo”. Para Sarah, a atitude mostra o quanto o colégio incentiva os alunos a brincarem e conviverem com todos, independentemente de qualquer diferença.

O Colégio Adventista busca trabalhar em conjunto com uma equipe multidisciplinar, além de promover oficinas de inclusão e conscientização entre pais e professores. “O Arthur nunca foi tão feliz no ambiente escolar, e com isso, o desenvolvimento intelectual e emocional dele foi realmente muito bom”, comemora a mãe.

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