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Consciência Negra é tema de debate em Colégio Adventista

Para docentes, sala de aula é o melhor lugar para trazer reflexão sobre o assunto

Por Rafael Brondani 26 de novembro de 2019


O Dia Nacional da Consciência Negra é celebrado, no Brasil, em 20 de novembro. A data foi escolhida por coincidir com o dia atribuído à morte de Zumbi dos Palmares, em 1695, um dos maiores líderes negros do Brasil que lutou pela libertação do povo contra o sistema escravista.

Com o intuito de promover uma reflexão entre os alunos do maternal ao Ensino Médio, o Colégio Adventista de Planaltina realizou atividades em alusão ao Dia da Consciência Negra. Durante o encontro, pais, professores e estudantes perceberam a importância do respeito às diferenças e a aceitação da diversidade. Música, gastronomia, moda e beleza negra foram aspectos discutidos no evento.

A coordenadora pedagógica do colégio, Jarlene Moía, afirma que como instituição confessional, o colégio preza pela igualdade. Ela também destaca o texto bíblico de Romanos 2:10 e 11, relatando que para Deus não há acepção de pessoas. “‘Mas Deus dará glória, honra e paz a todos que fazem o bem(…) Pois Ele trata a todos com igualdade’. Sem dúvida, a reflexão cuidadosa sobre valores sociais e humanos foi impactante e significativa”, afirma Moía.

O Dia Nacional da Consciência Negra incentiva, de um lado, a consciência histórica de uma sociedade que vivenciou longamente a escravidão e, de outro, a reflexão sobre o impacto da cultura e da presença do povo africano na formação do povo brasileiro.

Para a estudante do 3º ano do Ensino Médio, Hellen Cristina, o encontro foi produtivo. “Participar do projeto da semana da Consciência Negra foi incrível. É muito importante aprender e repassar um pouco mais sobre a história dos negros, desde os escravos até aqueles que têm uma história de superação e hoje são exemplos para a humanidade, para os demais alunos, mostrando que não devemos nos calar a respeito da inserção do negro na sociedade como os demais, e essa luta por respeito cabe a todos nós, independente de cor, sexo ou etnias”, salienta a jovem. Ela acrescenta que comemorar a data serve para ressaltar a luta contra a discriminação racial e também para a reflexão a respeito da posição deles na sociedade.

A professora de geografia Cida Ramaldes realça que é extremamente importante ressaltar o Dia da Consciência Negra nas escolas. “Qual outro ambiente social permite o tipo de reflexão à qual a data remete? Infelizmente, a sociedade, mesmo que involuntariamente, é a principal responsável por propagar, difundir e internalizar conceitos racistas desde a nossa mais tenra infância”, diz a professora.

Cida também aponta que a escola tem um papel diante da responsabilidade social em conduzir o aluno a refletir de maneira empática a respeito das implicações desastrosas da intolerância racial. “A abertura para desenvolver esse tipo de atividade extraclasse configura a educação baseada em princípios, regida por valores éticos e morais. É o que faz valer o nosso lema “Além do Ensino”. O tema é de tal relevância que um dia de condução à consciência é muito pouco. Justamente por isso, não se pode passar despercebido. Toda instituição educacional deveria trabalhar unida para garantir que o respeito, dia a dia, sobressaia ao retrocesso. Desta forma é possível refletir sobre o racismo velado, muito presente no Brasil”, pondera a docente.

Cinquenta e seis vírgula dez por cento. Esse é o percentual de pessoas que se declaram negras no Brasil, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad). “A consciência negra é uma das datas mais significativas pra mim, por questões históricas e sociais. Fazer parte da construção desse projeto foi incrível, a partir dele foi possível aprender e também ensinar. Essa apresentação ficará marcada por muito tempo”, conclui a aluna Ana Júlia, do 3º ano, e uma das organizadoras do projeto.

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