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Congresso propõe alinhamento de práticas educacionais físicas e bíblicas

Filosofia centenária da Educação Adventista continua relevante mesmo com recentes mudanças pedagógicas

19 de janeiro de 2017
Oficinas do evento trazem aos participantes atividades práticas (Foto: Thiago Bico)

Oficinas do evento trazem aos participantes atividades práticas (Foto: Thiago Bico)

Hortolândia, SP… [ASN] Fazer do aluno um cidadão consciente e apto na busca por uma sociedade mais justa é uma das premissas básicas da Educação Física em qualquer escola. Mas quando esse ensino também precisa estar alinhado com orientações bíblicas? O foco do professor não apenas torna-se mais desafiador, mas precisa ser ainda mais alinhado com essa proposta pedagógica. É o que discutiram cerca 200 docentes durante o IV Congresso Brasileiro e IV Simpósio Internacional Adventista de Educação Física, realizado no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), campus Hortolândia, entre 18 e 20 de janeiro.

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Durante os três dias, eles estiveram envolvidos em um ciclo de oficinas, mesas-redondas, palestras e apresentação de artigos científicos sobre métodos de avaliação, criatividade em sala de aula e método de ensino para as áreas infantil, fundamental e ensino médio.

O professor Ledimar Brianezi, organizador do evento, explica que o congresso, que acontece a cada dois anos, tem o objetivo de criar no educador a reflexão de melhoria constante no ensino da disciplina. “Nossos professores já seguem uma linha confessional em suas aulas, mas o objetivo aqui é abrir um canal de reflexão, mostrando que o ensino da Educação Física vai além da prática esportiva e do desenvolvimento motor, mas influenciar os alunos a perceberem que nosso corpo é um presente de Deus e por isso precisamos cuidar dele de maneira holística, que por meio do bem estar completo temos um contato espiritual mais direto com nosso criador”, ressalta.

Durante a palestra de abertura do evento, o professor Alvin Fuentes, da Washington Adventist University, mostrou o resultado de pesquisas de um grupo científico da universidade norte-americana, o qual relaciona o ensino da Educação Física com o Ministério da Saúde da Igreja Adventista. “Por natureza ideológica nós já ensinamos sobre a importância de se ter hábitos saudáveis, como dormir oito horas, beber bastante água, ter uma alimentação balanceada, tomar sol, entre outros, bem como também já promovemos normalmente Feiras de Saúde nas comunidades. Quando relacionamentos os ensinos das Feiras de Saúde nas aulas normais, temos um ganho extra na produtividade dos alunos”, avalia.

Para o professor Emanoel da Silva, que leciona no Instituto Adventista Grão Pará e precisou viajar mais de 2.800 km de Belém (PA) até Hortolândia (SP), o encontro alinha formas de pensar e agir de maneira orgânica em toda a rede de ensino. Formado desde 1997 e trabalhando na Educação Adventista há 22 anos, ele afirma que se aperfeiçoar não apenas em congressos científicos, mas também confessionais, colabora no amadurecimento do profissional.

“A gente não pode separar o desenvolvimento corporal e mental do espiritual. E o nosso desafio é encarar, a cada ano, estudantes mais exigentes com esta matéria. Exigentes não apenas porque eles querem entender todo o processo da aula, mas de mostrá-los que a Educação Física é importante mesmo sofrendo uma certa ‘concorrência’ com a musculação da academia e das escolas especializadas de esportes. A prática do saber vai além dos 50 minutos da sala de aula”, diagnostica Silva.

Reitor Martin Kuhn faz a abertura do evento (Foto: Dianny Aguilar)

Reitor Martin Kuhn faz a abertura do evento (Foto: Dianny Aguilar)

Nova matriz

Entre os assuntos abordados, a nova matriz curricular do Ensino Médio também teve espaço. Segundo a última Medida Provisória (MP 746/2016) votada em novembro passado, o ensino de Artes e Educação Física voltou a ser obrigatória.

Para este assunto, o diretor da Educação Adventista em São Paulo, pastor Antônio Marcos, disse que existe uma comissão especial de professores e administradores que acompanham de perto os comunicados oficiais para fazer as devidas adaptações. “Nós entendemos que a Educação Física não pode deixar de fazer parte do plano de ensino. Ela é fundamental para a qualidade de vida do aluno. Enquanto rede confessional em nível de Brasil, estamos com professores estudando as novas diretrizes para não deixar de atender o Ministério da Educação (MEC), mas incluindo os princípios cristãos em sala de aula. Nossos professores são capacitados para alinhar essas duas práticas”, ressalta.

Segundo o documento emitido pela comissão especial, a MP também amplia a carga horária de aulas para, pelo menos, mil horas anuais no prazo máximo de cinco anos para todas as escolas do ensino médio. Com isso, 60% do curriculum é preenchido pela Base Nacional Comum, enquanto nos outros 40% o estudante poderá escolher um caminho para seguir, ou até mais de um, entre Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza, Ciências Humanas ou Formação Técnica e Profissional. [Equipe ASN, Mairon Hothon]

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