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Brasil sedia congresso ibero-americano de educação

Líderes mundiais refletem sobre formação e relevância na educação.

28 de janeiro de 2015
Vista geral do evento que acontece em Hortolândia, interior de São Paulo.

Vista geral do evento que acontece em Hortolândia, interior de São Paulo.

Hortolândia, SP… [ASN] Cerca de 350 educadores de quatro continentes discutem tema considerado crucial na agenda mundial: a relevância na educação. Ao citar o educador brasileiro Paulo Freire, que trata da “pedagogia do oprimido e da pedagogia da esperança”, a vice-presidente mundial da Igreja Adventista Ella Simmons parafraseou: “Pedagogia da Esperança é preparar pessoas para o Céu”. O evento, em sua segunda edição, acontece no UNASP – Centro Universitário Adventista de São Paulo, Campus 3, em Hortolândia, de 27 a 29 de janeiro.

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A jornada internacional concluiu na tarde do dia 27 com John Wesley Taylor V, diretor associado mundial de educação da denominação. Ele afirmou: “Sem cosmovisão bíblica não há educação relevante”.

Devido ao clima de diversidade cultural, palestras e conferências tiveram sabor de desafios no primeiro dia do evento. Na abertura, o reitor do UNASP, Euler Baia acentuou: “A ´ideologia de gênero´ visa desconstruir a estrutura de sociedade original proposta por Deus, o Criador, pois, Ele criou ‘macho’ e ‘fêmea’”.

Prosseguiu, “este esforço traz implicações morais e espirituais. Em última análise, de sobrevivência da espécie humana”. Participam do evento representantes da América do Sul (Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai), América do Norte (Estados Unidos e México), Europa (Portugal e Espanha) e África (Angola).

Diálogo

A Dra. Simmons provocou o diálogo ao discutir o documento de educação para século XXI da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Ela disse que os adventistas apoiam e concordam com os quatros pilares propostos: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver, e, aprender a ser. Todavia, “vão além. Por ter cosmovisão bíblica, a educação adventista é diferente porque aponta para a direção do céu”, destacou.

De imediato, os congressistas se posicionaram. O diretor da Rede de Educação Adventista para o Estado de São Paulo, Antonio Marcos Alves, com 75 mil alunos e 3,7 mil professores, disse “só uma filosofia com uma dimensão bíblica pode recontextualizar a educação”. Mais adiante, Simmons afirmou: “Uma educação inclusiva, ensina as pessoas a pescar, tem interesse por elas, põe foco na comunidade, assim, como Jesus fazia”. Novas reações se levantaram.

Do Chile, o decano da faculdade de educação da Universidade Adventista do país, Patrício Matamala Montero, via o momento como “oportunidade”. Nelson Gutiérrez, diretor acadêmico da mesma universidade, considerou que a “pedagogia que segue o exemplo de Cristo, é uma necessidade premente”. E, concluiu: “Só assim é possível ser relevantes”.

Embora a temática fosse a educação universitária, Alexander Dutra, Gerente da CPB Educacional, avaliou que o evento incluía a “educação básica, pois, ela forma o caráter da futura geração, enquanto o ensino superior forma líderes”, ponderou. Da Argentina, o diretor acadêmico da Universidade Adventista del Plata, Victor Armenteros, disse que o diálogo foi “surpreendente, fascinante e propositivo por colocar Cristo em primeiro lugar”, enfatizou. Ele coordena 2,6 mil universitários e 31 cursos de graduação.

África

No público, havia dois representantes do continente africano. Daniel Cuvalela Salusinga, diretor de educação da União Sudoeste de Angola e João Quintino, mesma função na Associação Sul da Angola. “Viemos como observadores”, disseram. Após historiar o período de guerras onde escolas e colégios ficaram destruídos, Salusinga disse: “queremos reconstruir o sistema de educação adventista na Angola. O povo africano clama por uma educação que restaure a imagem do Deus Criador em cada criança e jovem”, arrazoou.

Nas oficinas, o clima de cooperação era visível. De Portugal, Franscilê Neri de Souza, docente e pesquisador da Universidade de Aveiro, suscitou interesse no grupo com a novidade do “Pedagoware”. Nas aulas sobre tecnologia no cenário presente e futuro, ele sugeriu: “onde tiver software, hardware, professor e alunos, faça com que eles pensem. Máquinas são apenas máquinas, todavia, aprender a ser gente é tudo”. Daniel Lévano, diretor acadêmico, se animou em levar a novidade para a Universidade Peruana União, em Juliaca.

Filosofia

Em clima de intercâmbio, Marco Goes, líder da Rede Educacional Adventista na Bahia e Sergipe, com quase 13 mil alunos e 750 professores, defendeu o diálogo como essencial. “Embora o mundo seja plural, todavia, há espaço para posicionar-se com ética, em busca de soluções”. O estudante de teologia, Elton Ohisni, 23 anos, disse que a “filosofia adventista permite olhar o diferente pelos óculos dos valores bíblicos”.

Eder Leal, líder da Rede Educacional Adventista nos Estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais, defendeu: o “evento calibra, alerta e prepara docentes para os desafios contemporâneos”. Nestes três Estados brasileiros há 12.750 alunos e 800 professores na Rede. Para o diretor da Rede Adventista no sul do Brasil, Douglas Menslin, com 38 mil alunos e 2,2 mil professores, é a “filosofia que pontua a identidade e faz da prática realidade sentida”.

Líder mundial de Educação da Igreja Adventista, Lisa Beardsley-Hardy.

Líder mundial de Educação da Igreja Adventista, Lisa Beardsley-Hardy.

O líder da Educação Adventista para oito países sul-americano, Edgard Luz, considerou que “somente com a orientação divina e missão no coração os desafios educacionais nesta geração serão enfrentados”. Com exceção da Venezuela e da Colômbia, na América do Sul há 300 mil alunos e 19 mil professores na Rede Adventista.

A líder mundial de educação da denominação, Lisa Beardsley-Hardy, surpreendeu. Ela ofereceu o livro “Biologia”, inédito. A obra editada por H. Thomas Goodwin, faz uma abordagem adventista da vida. Como texto suplementar, a publicação trata sobre a evolução, a natureza humana e o homem como “mordomo” que cuida dos recursos naturais. Lançada nos Estados Unidos, a série contempla ainda História, Literatura e Sociologia. Mais informações http://universitypress.andrews.edu.

No mundo, existem 90 mil professores e mais de 1,1 milhão de alunos em escolas, colégios e universidades adventistas globais. [Equipe ASN – Jael Eneas]

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