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Empreendedorismo nas periferias movimenta economia e gera empregos nas comunidades

Tema foi abordado no primeiro congresso “Treme Capão”, que visa fomentar atividades empreendedoras entre os jovens

16 de maio de 2018

Fórmula Viral mantém foco nas pequenas e médias empresas para crescer no mercado publicitário (Crédito: Wellington Albuquerque)

São Paulo, SP [ASN] … O brasileiro tem vocação para empreender, buscar soluções e inovar, tanto que de acordo com a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o número de empreendedores no país ultrapassou os 48,2 milhões em 2016.

Há 15 anos, com a popularização da Internet, Saulo Freitas identificou no mercado publicitário e de criação de sites a oportunidade para ter o próprio negócio, uma agência de publicidade. Com a venda de um carro antigo, comprou um computador e, na sala de casa, na região do Taboão da Serra, extremo sul da capital paulista, montou seu primeiro escritório.

“Tinha apenas uma mesa, um computador e um telefone. Eu passava o dia com a lista telefônica, ligando e perguntando se a empresa já tinha um site, e durante a noite, com um amigo, desenvolvíamos os produtos dos clientes que aceitavam as propostas. Nosso foco sempre foi atender da ponte [João Dias] para cá, o pequeno e médio empreendedor”, comenta.

Segundo o último censo demográfico realizado em 2010, mais de 11,4 milhões de brasileiros residem nas periferias. Quatro em cada dez moradores tem intenção de empreender e ter o próprio negócio, conforme pesquisa do Data Favela, público que movimenta mais de R$ 63,2 bilhões ao ano.

“Sempre vi um potencial muito grande na região. O pequeno e o médio empresário daqui não entende a importância de ter uma boa identidade visual, um bom logotipo e acha que é muito caro. Então eu sempre digo para os meus clientes que eles podem trabalhar no quarto da sua casa, mas se tiver um bom material, uma boa identidade visual, o consumidor dessa marca vai entender que ela é um gigante. Tudo a partir da forma como ele se mostra para o mercado”, explica o publicitário.

Para criar a agência, o empresário utilizou algumas das principais atitudes empreendedoras:

  • Identificar um nicho no mercado;
  • Adquirir conhecimento;
  • Ser proativo e criativo;
  • Ser organizado e determinado.

Jovens empreendedores

Assim como Saulo, que começou a empreender desde cedo e com poucos recursos, os jovens representam 43% do total de novos empreendedores no país – 18 a 24 anos (20,1%) e 25 a 34 anos (22,9%) – de acordo com dados da GEM. Fomentar o empreendedorismo jovem na periferia foi a proposta do primeiro Congresso Treme Capão, que reuniu cerca de 200 participantes na Igreja Adventista da Alvorada, na zona sul de São Paulo, dia 6 de maio.

Com a presença de gestores e autoridades do mercado empreendedor, a programação contou com palestras e painéis de empreendedorismo feminino e social. “Ao conversar com universitários e pequenos empresários, identificamos dúvidas sobre como empreender e em que empreender nas comunidades, então trouxemos empresários que também saíram das periferias, justamente para provar que é possível chegar lá”, comenta Eduardo Silva, organizador do evento.

Para abrir o programa, o empresário Robson Shiba compartilhou com o público sua trajetória para criar o China In Box. O projeto que iniciou em 1992, sem capital para criar panfletos ou identidade, contou com o auxílio de profissionais que cresceram com a marca, uma das lições para os novos empreendedores que consiste em: mais do que fornecedores, desenvolver parcerias.

 

“Empreendedor não é aquele que monta um negócio, trata-se de um espírito empreendedor, uma atitude empreendedora. Alguém que não se contenta em fazer as coisas da forma como já são feitas, ele quer melhorar”, explica Shiba.

Entre outras dicas do empreendedor, a regra na família oriental: “Firma rica, dono pobre – sempre que começar a prosperar, pegue o dinheiro e reinvista na empresa”. Atualmente os restaurantes que estão espalhados em 24 estados do país, empregam 4.500 pessoas e fornecem mais de 1 milhão de refeições ao mês.

Empreendedorismo feminino

Um mercado que tem mulheres à frente da maioria dos novos empreendimentos brasileiros (51,5%), com atuação principal nos serviços de beleza e estética, cosméticos e varejo de vestuário é o sonho da estudante de enfermagem Maria Constância, que planeja cursar administração e montar uma loja de roupas.

“Essa paixão pelo empreendedorismo vem da minha mãe, que é empresária em Angola. O programa serviu para me inspirar e me ajudou a entender como um verdadeiro empreendedor deve atuar. Sairei daqui pronta para aproveitar as oportunidades que me são oferecidas”, comenta a estudante que também veio da Angola.

Mesmo sendo o principal público a abrir novos empreendimentos no Brasil, a supremacia na liderança de empresas consolidadas (criadas em 3 a 5 anos) é masculina, com 57,3%. Entre as principais dificuldades encontradas pelas mulheres para desenvolver o negócio estão o financiamento, o preconceito no ambiente empreendedor e as dificuldades para conciliar a demanda de lar e a empresa.

“A igualdade de gênero, que é a bandeira que eu prego, não é a supremacia feminina, mas simplesmente a igualdade de direitos. As mulheres que chegam no topo das empresas têm uma missão especial, fazer com que outras mulheres tenham esse tipo de oportunidade”, acrescenta Gal Barradas, vice-presidente da ABAP (Associação Brasileira das Agências de Publicidade).

O tema será destaque em fórum de empreendedorismo feminino, nomeado de Congresso Rosa Choque, previsto para o segundo semestre de 2018. [Equipe ASN, Stephanie Passos].

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