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Mulher conta como venceu a luta contra o câncer de mama

Mulher que venceu o câncer de mama expõe, em entrevista a ASN, como foi sua luta e faz um alerta às pessoas.

20 de outubro de 2016

 

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Engel foi curada do câncer de mama há oito anos.

Goiânia, GO… [ASN] Toda mulher gosta de se cuidar, mas um apelo para que elas cuidem especificamente da saúde é feito com mais intensidade no mês de outubro. Durante este período ocorre a campanha denominada “Outubro Rosa”, dedicada a conscientização e prevenção do câncer de mama.

A doença é causada pela multiplicação de células anormais da mama, que formam um tumor, e corresponde a cerca de 28% dos novos casos de câncer em mulheres no Brasil.

Engel Franco, 45 anos, é mãe, profissional e esposa de pastor dedicada, ela não imaginava que um dia enfrentaria a doença. Engel conversou com a Agência Adventista Sul-Americana de Notícias (ASN), contou como foi essa fase de sua vida e fez um alerta às pessoas.

ASN: Como você descobriu que estava com um câncer na mama?

Engel: Eu tinha 37 anos quando descobri a doença, por uma cautela da minha ginecologista. Ela também é obstetra e foi quem fez o parto dos meus dois filhos. Ela sempre alerta suas pacientes para que façam um exame minucioso de mamografia antes dos 40 anos para uma comparação, caso surja uma necessidade futura. Na época, eu estava grávida do segundo filho e ela me orientou a fazer uma mamografia após o período de amamentação da criança e guardar o exame. Eu terminei de amamentar e após um tempo isso veio a minha mente. Eu deixei passar alguns meses e isso veio de novo a minha mente, como se o Espírito Santo estivesse falando para eu fazer. Eu fui fazer os exames e o laudo veio dizendo que eu realmente tinha a doença.

ASN: Como foi a sua reação e a de sua família?

Engel: Primeiro eu perdi o chão, você sente como se estivesse caindo em um buraco que não tem fundo. O resultado final foi em uma sexta-feira, meu marido buscou o exame, nós abrimos juntos e oramos pedindo forças e direção a Deus. Eu tive o apoio do meu marido que foi muito importante, se tornou mais fácil lidar com aquilo. O amparo foi essencial. Contar para a família foi bem complicado, principalmente para as crianças, porque o meu filho mais velho já tinha tido contato com uma pessoa que havia morrido de câncer recentemente. Não tinha como eu esconder todo o processo dele, porque ele já tinha a compreensão do que o câncer podia fazer com uma pessoa. Para mim era como se eu estivesse desamparando meu filhos, isso me doeu demais. Hoje eu entendo que mesmo se eu não tivesse sobrevivido Deus cuidaria deles.

ASN: E como foi o período do tratamento?

Engel: Eu tive que começar o tratamento o mais rápido possível, primeiramente com uma cirurgia que tirou parte da minha mama direita. O que sempre falo para as pessoas que descobrem que têm câncer é que, mesmo se você optar pelo tratamento exclusivamente natural, não deixe de fazer a cirurgia, porque é quando eles vão retirar a parte ruim do seu corpo, que já está contaminada. Assim você dá oportunidade para o seu corpo se restabelecer com uma facilidade maior. Pelo tipo do meu tumor, eu precisei de quimioterapia e radioterapia. Até então, eu só sabia que isso fazia cair o cabelo, mais nada. Então, minha médica foi me explicando, falou que a quimioterapia era um remédio injetável e que eu ficaria no local onde é realizado o procedimento por algumas horas, para ver como seria o efeito no meu corpo.

ASN: E como o seu corpo reagiu a quimioterapia?

Engel: Assim, logo que a quimioterapia entra na sua veia, você já sente um gosto amargo de remédio na sua boca, é um gosto muito forte. Você fica durante 11 dias com aquele gosto ruim na boca, mas hoje em dia os pacientes não sentem mais tanta náusea como antigamente. Eu sentia, mas era pouco. O que incomoda mais é o gosto ruim na boca, por isso você não consegue comer. Eu comecei a fazer o uso de diversos sucos naturais, porque passavam pela minha boca sem eu precisar mastigar, sem eu sentir aquele gosto horrível, assim eu conseguia nutrir o meu corpo. Por isso eu consegui fazer o tratamento sem interrupção, o número de plaquetas do meu corpo sempre eram suficientes para realizar o procedimento. Eu fui atrás dos remédios naturais deixados por Deus e fui fazendo uso simultaneamente ao tratamento convencional. E no décimo primeiro dia após minha primeira quimioterapia meu cabelo começou a cair, o que eu já esperava.

ASN: E como foi o processo de reconstrução da sua mama com a prótese de silicone?

Engel: Olha, muita gente não faz o tratamento ou mesmo não vai ao médico porque tem medo de perder a mama. O que as mulheres acreditam que representa sua feminilidade é o cabelo e a mama, então quando ela sabe que pode perder os dois é uma dor muito grande, ela se sente mutilada. Mas as mulheres precisam saber que existe a possibilidade de reconstrução da mama, inclusive no Sistema Único de Saúde (SUS). E isso é feito logo após a cirurgia ou o quanto antes. A minha mesmo foi feita em uma única cirurgia, sem que eu precisasse sair do centro cirúrgico sem uma das mamas. É importante também, ter o acompanhamento de um cirurgião plástico nesse momento, ele fará a reconstrução de forma mais adequada.

ASN: O que vem a sua mente quando se lembra de tudo o que passou?

Engel: Primeiramente, gratidão. Porque Deus me deu a oportunidade de viver mais um pouco. E o Outubro Rosa me lembra que eu passei por isso e venci, agora eu preciso conscientizar as pessoas sobre essa doença. Quem já passou por essa experiência tem um desejo ainda maior de falar sobre isso e de alertar a todos, porque não é brincadeira. Eu estou aqui contando um história triste, não é algo de que eu me vanglorie, mas estou repartindo isso com o objetivo de ajudar, de conscientizar. E uma vez curada, não significa que estou curada para sempre, uma pessoa que já teve essa doença tem mais probabilidade de ter novamente do que alguém que nunca teve. Eu sei que Deus me concedeu a graça dEle, mas também me deu a consciência para saber que tenho que cuidar do meu corpo, porque ele é templo do Espírito Santo.

ASN: Depois de toda essa experiência, qual o conselho que você deixa para as pessoas?

Engel: Como o meu tumor era maligno, se eu não tivesse descoberto em tempo hábil, eu não teria opção. Por isso, eu tenho a convicção de que Deus ainda queria me dar vida. Se eu estou aqui hoje é por vontade dEle. É muito natural que as pessoas protelem o cuidado com a saúde, mesmo com orientação médica.
Mas o recado que eu deixo é cuidem da sua saúde, tanto homens , quanto mulheres. O câncer de mama, assim como os outros, também pode afetar os homens, então, busquem ajuda ao menor sinal de que algo não está bem com você, no seu corpo. Os homens também tem um papel muito importante na prevenção, eles precisam ajudar as mulheres a se cuidar, auxiliar suas irmãs, mães, tias e principalmente suas esposas. Eles devem alertá-las quando algo estiver fora do comum. Deus quer que nós vivamos bem e com abundância.

Durante toda a semana, Engel e os demais funcionários da sede administrativa da Igreja Adventista em Goiás têm ouvido palestras sobre o assunto no horário do culto dos servidores, realizado todo dia às 7:30 da manhã. [Equipe ASN, Jéssica Veloso]

Grupo de servidoras da sede administrativa da Igreja Adventista em Goiás, a Associação Brasil Central (ABC). Engel, a direita, é uma das recepcionistas da sede.

Grupo de servidoras da sede administrativa da Igreja Adventista em Goiás, a Associação Brasil Central (ABC), com uma das psicólogas, ao centro, que estão palestrando durante a semana. Engel, a direita, é uma das recepcionistas da sede.

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