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Instituto Adventista Petropolitano resgata 8 décadas de história

Internato localizado no Rio completa 80 anos e ajuda a manter vivo o elo entre ensino e fé.

Por Fabiana Lopes 11 de outubro de 2019

O Coral Jovem do Ipae cantou e encenou diversas músicas do novo CD durante 4 sessões do aniversário. Fotos: Jesuan Kloos

A festa de 80 anos do Instituto Petropolitano Adventista de Ensino aconteceu nos dias 4 e 5 de outubro, marcada pelo lançamento do CD ‘Marcas’, que reuniu todos os seus grupos musicais: Vocal Somos Um, e os três corais – Jovem, Teen e Kids. Os alunos formaram um grande coro com 300 vozes, a Camerata de Petrópolis participou com 30 músicos e 150 pessoas auxiliaram na equipe de produção. Tarcísio Goese é maestro da orquestra do Ipae há 2 anos e teve o desafio de realizar o aniversário. Em parceria com Márcio Conrad, regente do Coral Jovem e diretor do Conservatório Musical, produziram as músicas do CD. “O musical é o somatório das histórias de vidas transformadas pelo Ipae e como deixaram suas marcas gravadas com suor, lágrimas e fé”, conclui Goese.

Foram quatro apresentações feitas pelos alunos, duas na sexta à noite e duas no sábado pela manhã. A comemoração contou com a presença da equipe da Voz da Profecia. No sábado à tarde, o quarteto Arautos do Rei fez um musical especial para o programa dos ex-alunos. Todas as apresentações estão disponíveis no canal TV Ipae.

Acompanhe mais fotos deste evento e da história do Ipae:

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Dr. Milton Afonso (2˚ esq. para direita) recebe homenagem junto com professores que passaram pelo Ipae. Foto: Jean Abreu

Durante uma das sessões algumas pessoas foram homenageadas, entre elas Milton Afonso, que teve dois de seus filhos estudando no internato e foi grande colaborador desta instituição. O diretor atual do Ipae, Robledo Moraes, destaca a importância deste evento para o colégio e toda comunidade. “Quando vemos a movimentação de pessoas aqui desde a primeira década do colégio, temos a certeza de que Deus esteve, está e estará cuidando de nós e abençoando esta instituição”, finaliza.

Sergio Faria é pai do Lucas e da Juliana, que participaram das apresentações. “Fico muito feliz em perceber que os princípios de vida cristãos ensinados em casa desde a infância, continuam sendo ensinados pelos profissionais que atuam nessa querida instituição de ensino. Isso ficou evidenciado no conteúdo do lindo musical apresentado”, ressalta Faria.

Ipae: 80 anos de história

Primeiro diretor do Ipae, antigo IEAP, John D. Hardt. Foto: Acervo Ipae

John D. Hardt foi um dos pioneiros que fez parte da história do Instituto Adventista Petropolitano de Ensino. Hardt chegou no Rio de Janeiro em 1932 com a família: Hilda e os filhos Florena, Leonora e Donald e assumiu a função de secretário de Educação e Missionários Voluntários (MV) na então União Este-Brasileira, atual União Sudeste Brasileira (UseB), sede da Igreja Adventista para os estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Em 31 de agosto de 1938 ele foi nomeado diretor do Ipae (1), cargo que ocupou até 1941. Com 15 alunos, foram iniciadas as fundações do colégio, um sonho que ele trouxe de sua própria experiência por oito anos: seis como aluno e dois como preceptor.

A data oficial do começo das atividades é 1º de janeiro de 1939 (2), mas a pedra fundamental foi lançada no dia 21 de maio daquele ano (3). O diário, datado de 18 de julho de 1939 e escrito por um aluno pioneiro da instituição, conta como eram “as manhãs ensolaradas e alegres”, e marcava um ano da chegada de Arnoldo Anniehs, primeiro aluno no então Instituto de Ensino Agrícola de Petrópolis. (4)

Lançamento da Pedra Fundamental em 21 de maio de 1939. Discursando o pastor H. G. Stoehr, e os demais: José Leite, Davi M. Brasil, John D. Hardt, C. E. Lambeth, U. Wisner. (5 e 6) Foto: Revista Adventista pdf

Em 1939 cartas foram enviadas às igrejas convidando jovens que quisessem trabalhar na obra e ganhar sua bolsa escolar. Cinco alunos atenderam o chamado: José de Faro Luduvice, Antônio Mateus, Emília Tesch, Fanny Slegmiller e Leontino Ramalho. Edélcio Luduvice, filho de José Luduvice, conta que o pai e mais dois amigos vieram de navio de Aracaju. O primeiro professor do colégio foi João Bork com sua esposa Rosa Bork. As aulas eram realizadas cada dia em locais diferentes: padaria, cozinha, venda e porão. O prédio escolar só foi concluído em 22 de setembro de 1958. (7)

A partir de 1940, já eram quase cem alunos e o colégio teve o nome trocado para Instituto Teológico Adventista. Por dez anos, o ITA ofereceu os cursos: primário, ginásio, treino missionário e 2 anos de curso teológico. Em 1950 foi oficializado o curso ginasial e extinto o curso teológico, e mais uma vez a mudança no nome para Instituto Petropolitano de Ensino. Em 1972 a igreja do Ipae foi inaugurada, sendo o primeiro internato no Brasil com seu próprio templo. (8)

Histórias de pessoas que deixaram marcas no Ipae

Maria Cândido posa ao lado da equipe da Voz da Profecia.

Maria Cândida Araújo Silva, com 87 anos, guarda lembranças de sua época como aluna. “É o meu colégio do coração. Se pudesse voltaria o tempo para reviver tudo outra vez, pois nossa convivência era muito agradável”, sublinha. Maria foi batizada pelo pastor da igreja na época, Tossaku Canada. Foi ali que também conheceu e casou-se com seu esposo, Nelson Alves da Silva, ex-aluno in memorian. Maria recorda que em 1946, todos os 200 alunos eram adventistas.

José Custódio da Silva, Marinês Chagas da Silva, Wadson Neves, Juliana Custódio da Silva, Izabele Barros Custódio, Lucas Barros Custódio e Marlon Custódio da Silva. (dir. para esq) Foto: Arquivo pessoal

José Custódio e Marinês Chagas começaram sua história de amor no IPAE. Eles foram alunos entre 1984 e 1987, casaram-se, e retornaram anos depois como preceptores. Seus filhos, Marlon e Juliana, também foram alunos. Marinês relembra com alegria e suspiros o primeiro dia em que chegou no colégio “Ele me recepcionou ajudando a carregar minhas malas até o prédio, foi uma gentileza que se transformou em amor e estamos até hoje assim, trocando gentilezas”, destaca Marinês.

José Bispo e Amélia Bispo foram alunos e professores no IPAE por mais de 30 anos. O casamento e as Bodas de Prata foram realizados no colégio. “O Ipae foi um marco fundamental na minha formação moral, social e espiritual”, diz o professor. Autor de expressões como ‘grau de vincentena’ e ‘grau de liobenagem’ – pessoa que comete um deslize, segundo ele, conta que a inspiração veio de duas pessoas que agiam assim, Vicente e Eliobina. Quando professor e ex-alunos se esbarram, a frase é certa: “Professor, como está o grau de liobenagem?”, e dão boas risadas com sua resposta: “um pouco fraco”.

O casal Ivone e Joaquim Bispo, Alexandre Lopes e José Bispo. Todos foram seus professores no Ipae. (esq. para dir.) Foto: Arquivo pessoal

Alexandre Lopes é administrador financeiro da Igreja Adventista na região Central do Rio (ARJ) e foi aluno do professor José Bispo. Lopes precisou sair de casa aos 16 anos para continuar os estudos sendo fiel na guarda dos mandamentos. Em 1990 foi para o Ipae como aluno industriário, continuou como funcionário e depois foi transferido para o escritório da Voz da Profecia, em Botafogo. Atualmente, também é pastor e revela que “a influência dos professores e deste colégio foram fundamentais na minha vida e na minha fidelidade a Deus”.

Todas as referências históricas desta matéria foram baseadas nos artigos da Revista Adventista, que é o órgão oficial de informação da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

  1. RA, maio,1978, p.14;
  2. RA, outubro,1969, p. 13;
  3. RA, agosto, 1972, p.5;
  4. RA, Maio, 1978, p. 14;
  5. RA, agosto,1939, p. 5;
  6. RA, agosto, 1972, p.5;
  7. RA, maio,1978, p.15;
  8. RA, maio,1978, p.15.

 

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