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‘Falar em línguas estranhas não é dom de línguas’, afirma doutor em Teologia

Em entrevista especial, Jean Zukowski, doutor em História Eclesiástica pela Universidade Andrews nos Estados Unidos, traz uma visão mais clara e bíblica do assunto comentado no sexto capítulo do livro Esperança Viva.

13 de maio de 2016

idiomavivo[1]Engenheiro Coelho, SP… [ASN] O dom de línguas é a capacidade de falar outro idioma com o objetivo de anunciar a salvação por meio de Cristo. Entretanto, esse importante dom mencionado na Bíblia tem sido distorcido por muitos fiéis. “O dom de línguas nunca vem para confirmar a fé de alguém”, afirma o pastor Jean Carlos Zukowski, professor de Teologia do Seminário Adventista Latino Americano de Teologia (SALT) do Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP), campus Engenheiro Coelho.

Em entrevista especial, Zukowski, que também é doutor em História Eclesiástica pela Universidade Andrews nos Estados Unidos, traz uma visão mais clara e bíblica do assunto comentado no sexto capítulo do livro Esperança Viva,  Um Idioma Inusitado, escrito pelo Pr. Ivan Saraiva.

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ASN: Segundo levantamento da revista Veja, existem cerca de 17.528 milhões de fiéis que acreditam em cultos carismáticos com línguas estranhas. Essa manifestação tem base bíblica?

Jean Zukowski: A Bíblia nos mostra que o dom de línguas é real. O problema não é se ele está na Bíblia ou não, mas como esse dom é interpretado. Na Palavra de Deus, ele é apresentado como uma habilidade que Deus concede de forma necessária e produtiva. O dom de línguas nunca vem para confirmar a fé de alguém. Se você é fiel, não precisa falar em línguas, nem curar e fazer milagres para confirmar que foi batizado pelo Espírito Santo.

ASN: Falar em línguas estranhas é uma forma de Deus se revelar?

JZ: Em línguas estranhas, não. Mas o dom de línguas em si, no real significado, sim! Vou contar uma pequena história que testifica o que acabei de dizer. Uma moça que estudava na faculdade em que eu dou aulas foi fazer evangelismo na África. Chegando lá, ela se perdeu fazendo algumas visitas. Vendo o desespero da moça, um jovem se aproximou e ofereceu ajuda. Eles conversaram e ele a levou até a avenida mais próxima para que ela pudesse pegar um ônibus. A moça achou ali uma oportunidade de falar sobre Deus, e o convidou para as reuniões no auditório do bairro. Quando chegou a noite, os dois se encontraram nessa reunião e se cumprimentaram. O problema foi que ela não entendeu o que ele dizia, nem ele o que ela dizia. Eles claramente precisavam de um tradutor naquele momento. Só que ambos haviam conversado horas antes. Ou seja, dom de línguas. Houve uma necessidade e Deus deu a habilidade. Esse é o dom de línguas ao qual Deus se refere na bíblia.

ASN: O “falar em línguas” que acontece hoje, seria o mesmo descrito em Atos 2?

JZ: Certamente, não. Falar em uma língua da qual você nem sabe que está falando não é o que aconteceu nesse capítulo. Todos os que estavam ali eram de alguma região do mundo e falavam em 12 línguas diferentes. Eles entendiam o que as pessoas estavam falando na sua própria língua. Ou seja, não houve uma língua estranha que ninguém entendia. O milagre ali foi usado por Deus para chamar atenção à mensagem. Por causa desse milagre, todo mundo prestou atenção na pregação de Pedro.

ASN: Qual o propósito original de Deus em relação ao dom de línguas?

JZ: Como qualquer outro dom (2 Cor 12-14), ele vem para edificar a igreja. Ele nunca vem para edificação própria. Línguas, profecias e curas sempre têm como objetivo auxiliar na pregação do Evangelho e tocar pessoas que não creem no poder de Deus. O foco do dom nunca é quem recebe, ele sempre está ligado a serviço e edificação da igreja. [Equipe ASN, Carolina Inthurn]

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