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Casamento perigoso entre evolucionismo e criacionismo

O doutor em Geologia e Engenharia Civil, Nahor Neves de Souza Junior, explica o resultado desastroso de associar criacionismo ao evolucionismo.

10 de maio de 2016

casamento perigosoEngenheiro Coelho, SP… [ASN] Nahor Neves de Souza Junior é formado em Geologia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), mestre em Geotecnia e doutor em Geogenia e Engenharia Civil pela Universidade de São Paulo (USP). Foi professor e pesquisador da UNESP e professor e pesquisador da USP, tanto na graduação quanto na pós-graduação. Atualmente, é professor de Geologia e Mecânica das Rochas no Centro Universitário Adventista de São Paulo, campus Engenheiro Coelho (UNASP). Ele é membro do Núcleo de Estudos das Origens (NEO) no UNASP e também participa do Earth History Research Center, trabalhando em geologia e a vulcanologia. Somando ao seu vasto currículo, o doutor é diretor da sub-sede brasileira do Geoscience Research Institute no Brasil. Além disso, Nahor é um dos mais ativos divulgadores do criacionismo no Brasil. Em entrevista especial, Nahor fala sobre o terceiro capítulo do livro Esperança Viva, escrita pelo Pr Ivan Saraiva, Casamento Perigoso.

ASN: Não muito tempo atrás, o Papa Francisco afirmou que a Teoria da Evolução é real e criticou a interpretação das pessoas que leem Gênesis achando que Deus “tenha agido como um mago, com uma varinha mágica capaz de criar todas as coisas”. A junção entre a teoria da evolução e o criacionismo é, de alguma forma, saudável para o cristão?

Nahor: Se o evolucionismo é uma teoria científica e eu sou um cientista cristão, sinto-me impelido a conciliar a minha crença na Bíblia, e em Deus, com a evolução. A partir daí então surge o evolucionismo teísta, uma tentativa de compatibilizar a narrativa bíblica de Gênesis com o próprio evolucionismo. Na verdade a doutrina evolucionista (uma estranha e ineficaz combinação de determinados argumentos científicos com conceitos extraídos do naturalismo ontológico), caracteriza-se como um paradigma1 e não como uma teoria cientificamente comprovada. Assim, não há como harmonizar o evolucionismo com o paradigma criacionista das origens. O casamento entre evolucionismo e criacionismo, eu não diria que é perigoso, mas que é impossível. Simplesmente porque o evolucionismo é mais filosófico (naturalismo ontológico) – cenários imaginários – do que científico. Tentar ajustar as duas coisas é um absurdo. Alguns tentam fazer isso, mas não tem como. Não é possível associar um com o outro, tanto no campo da biologia, geologia, paleontologia e outras áreas afins.

Aceitar a teoria da evolução no meio cristão é uma forma confortável de tornar a fé mais racional?

Para alguns, confortável (ou conveniente), sim, mas não é racional. Eu diria que muitos cientistas não enxergam realmente a influência da componente filosófica (ateísta) do evolucionismo, porque seus conceitos e argumentos são travestidos de uma roupagem “científica” como se fossem leis ou fenômenos naturais que ocorrem ocasionalmente. Mas não são. Eles estão no campo da imaginação. Só que são descritos e associados a conhecimentos das coisas como ocorrem hoje e essa mistura é tão bem construída, na forma de uma doutrina, que infelizmente convence muitos. É por isso que quem está em busca da verdade precisa usar um óculos, que eu chamo de óculos da epistemologia. Isso vai ajudá-lo a discriminar, tanto cientificamente, quanto filosoficamente e teologicamente aquilo que realmente está sendo considerado.

Durante toda a Bíblia, Abraão, José, Davi, Moisés e vários outros personagens bíblicos, incluindo Jesus, afirmam o poder da criação de Deus. Estar de acordo com a (macro)evolução é discordar da Bíblia por completo?

Certamente, sim. Não há espaço para o evolucionismo na Bíblia. Em primeiro lugar, não existe evolucionismo sem macroevolução (um dos principais conceitos filosóficos do evolucionismo), diferentemente de “microevolução” (transformações testáveis empiricamente). Devemos considerar ainda que o princípio evolutivo “da sobrevivência do mais apto” requer a presença da morte.  Se Deus promove toda a criação através da evolução, então ele está criando o fator morte. Mas a Bíblia fala exatamente o contrário. Afinal, todo o plano da redenção é para eliminar definitivamente a morte.

Quando um cientista cristão assemelha a teoria da evolução com a criação, há algum perigo no seu discernimento bíblico?

Tanto o seu discernimento bíblico como o científico estarão seriamente comprometidos. Ele pode ter uma experiência pessoal com Deus, mediante a influência de textos da Bíblia que realmente modificaram sua vida. Mas, ele corre o risco de transformar as declarações bíblicas das origens em narrativas não literais ou mitológicas. Fazendo isso, o pecado vira uma alegoria também. O plano da redenção, que está esboçado em Genesis 3:15, também não seria uma realidade. Ele acaba comprometendo a Bíblia como um todo.

O livro Esperança Viva aborda esse “casamento perigoso”, entre evolução e criação, no terceiro capítulo. Levando em consideração que a evolucionismo se fundamenta mais no naturalismo ontológico (filosofia ateísta), do que propriamente em evidências científicas, o criacionismo (Bíblia & ciência), seria uma boa alternativa?

A ciência e a Bíblia andaram de mãos dadas na vida dos mais notáveis cientistas da história da ciência. E na minha experiência pessoal, como foi vantajoso ser influenciado pela visão bíblica (vantagens refletidas tanto na experiência acadêmica, como na vida pessoal e espiritual). Eu gostaria realmente que outros tivessem essa mesma oportunidade tão positiva e gratificante como a minha. Estimulo aqueles que gostam de ciência, pois ela é uma forma de compreender o Deus da natureza. E, de certa forma, as convicções científicas, corretamente compreendidas, jamais se incompatibilizarão com a visão bíblica. Realmente, a Bíblia e a ciência podem ser associadas de maneira extremamente coerente, sustentável e proveitosa.

1 – Paradigma: Conjunto de pressupostos conceituais, metafísicos e metodológicos incorporados por uma tradição de trabalho científico. [Equipe ASN, Carolina Inthurn]

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