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Primeira secretária do Ministério da Criança se aposenta após 40 anos de trabalho

Além de atuar na Educação Adventista, Izolina dedicou mais de 20 anos ao ministério, sendo a primeira secretária do departamento para o Brasil e, posteriormente, também para outros países da América do Sul.

Por Mauren Fernandes 9 de setembro de 2020

Na esquerda, um registro dos primeiros dias de trabalho na sede sul-americana da Igreja Adventista. Já na direita, fotografia de um dos últimos dias servindo à instituição. (Foto: Arquivo pessoal)

A adolescente Izolina Lino precisava escolher uma carreira. Sonhava com Psicologia ou Serviço Social. A primeira opção foi eliminada logo de início, pois não era uma profissão muito aceita pela comunidade religiosa da época. Chegou a cursar a segunda opção por dois anos na Universidade Federal de Pernambuco, mas preferiu abandonar após perceber que teria dificuldades em guardar o sábado caso seguisse por aquele caminho.

Pensou bem e, com o propósito de ajudar na Educação Adventista daquela região, decidiu cursar Pedagogia. Foi ali que as crianças ganharam seu coração. Não é à toa que sua vida profissional começou e agora termina ao lado dos pequenos.

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Mesmo que a educação não estivesse nos planos iniciais, essa foi sua primeira profissão, uma experiência que ela considera fundamental para toda a sua trajetória profissional. No início, dirigiu as Escolas Adventistas de Natal e Aracaju, mas pouco tempo depois foi convidada a ser orientadora educacional das escolas da antiga “Missão Nordeste”, sede administrativa da Igreja Adventista na região.

O desafio foi aceito, mas a deixou com muito receio quanto ao futuro. “Mesmo assim, assumi o novo cargo por quatro anos e as histórias que me marcaram estão nas visitas às muitas escolas. Em cada uma delas, registrei situações impressionantes e inesquecíveis”, conta.

Rota alterada

De repente, Izolina sentiu que precisava mudar o rumo das coisas. Ainda que não duvidasse do chamado de Deus para servi-lo, entendeu que era momento de aceitar o convite para trabalhar em uma grande seguradora de saúde. Para ela, o tempo em que esteve neste outro ambiente foi de muito crescimento, com muitas oportunidades para testemunhar de sua fé, e de saudade. “Lembro-me de que, por vários meses, sempre que voltava do novo trabalho, eu tomava o ônibus e todo o trajeto até minha casa era chorando com saudades do ambiente cristão e dos amigos que deixara na Igreja Adventista”, destaca. Depois de dez anos, sentiu que era a hora de “voltar para casa”.

De volta para casa

Sempre com o sentimento de que Deus guiava (e ainda guia) a sua vida, em 1997 a pedagoga foi convidada para secretariar o Ministério Pessoal e Escola Sabatina. Três anos depois, as crianças e adolescentes sul-americanas ganharam um ministério exclusivo: o Ministério da Criança. Com isso, ela também passou a atendê-lo, inicialmente em todo o território brasileiro. Posteriormente, tornou-se responsável por mais sete países da América do Sul. Naquele período, as iniciativas para esse público ainda eram embrionárias. “No passado, o preparo de materiais era desafiador e cansativo. Hoje, são desenvolvidas técnicas que atraem o público-alvo de um modo impressionante, com materiais primorosos, além da espantosa velocidade de sua divulgação, alcançando pessoas e lugares antes inalcançáveis”, ela comemora.

Outro desafio lembrado por Izolina era a criação de novos projetos, que no início poucas regiões se arriscavam a fazê-los. “Hoje, impressiona como essas Uniões (sedes administrativas da Igreja) se tornaram ousadas e parceiras no desenvolvimento de novas ideias e a alegria que demonstram em partilhar seus materiais com o resto da América do Sul”, vibra.

Ao longo dos últimos 20 anos, foram incontáveis experiências e testemunhos vivenciados no Ministério da Criança. Perguntada se já teve o desejo deixar as atividades, responde que o escritório sul-americano da Igreja é uma extensão da sua casa. “Trabalhar na Divisão Sul-Americana é como um bom casamento: quanto mais o tempo passa, melhor fica”, brinca.

Igreja local

Além do trabalho formal com a Igreja, Izolina desenvolve seus dons no templo local que frequenta. Sempre dedicada, já liderou a Escola Sabatina, recepção, diaconato e Ação Solidária Adventista (ASA). “Me atrai bastante estar atenta às necessidades das crianças da igreja ou visitantes. Ao vê-los, procuro me aproximar e tentar descobrir o que precisam para que se sintam bem ali e sintam vontade de voltar e ficar”, explica.

Daqui pra frente

Agora aposentada, vai se mudar para perto de um dos internatos adventistas do Brasil com um objetivo claro: ajudar estudantes carentes – não só de dinheiro, mas, quem sabe, de atenção. “Meu lema é: receber de quem tem para dar a quem não tem”, frisa. Além disso, pretende vender materiais religiosos e educativos para crianças e adultos.

Izolina não consegue visualizar a aposentadoria formal como apenas rede, piscina e água de coco. Mesmo que tal cenário seja merecido após 40 anos de trabalho, ela entende que este não é, ainda, o seu lugar de descanso. “A seara está madura e os trabalhadores são poucos. Quero ser um deles, por gratidão e amor ao Deus que me criou e me mantém com tantos privilégios para serem compartilhados”, conclui. Desde o início e até hoje, lhe acompanha o Salmo 46:10: “Aquietai-vos, e sabei que Eu sou Deus.

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