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Como o rádio se transformou em um ministério

Pastor e radialista, Amilton Menezes tem dedicado sua vida a anunciar mensagens de esperança pelas ondas de rádio

Por Jael Eneas 26 de agosto de 2021

Ao lado da sua esposa, Rosemara, o pastor Amilton Menezes acompanhou e contribuiu para a expansão da comunicação adventista por meio do rádio (Foto: Arquivo pessoal)

Num mundo cada vez menor pelo ativismo das redes sociais, o rádio se agiganta ao deixar o “dial” e apostar na produção de conteúdo digital. Na guerra por audiência, o antigo locutor se vale do streaming para conectar pessoas. “A multiplataforma veio para ficar. Assim chegamos mais longe e somos mais relevantes”, pondera o radialista Amilton Luis de Menezes. Nesta segunda entrevista da série sobre o desenvolvimento da comunicação adventista na América do Sul, Menezes relembra o pioneirismo, fala de desafios e opina quanto ao futuro do rádio para o evangelismo.

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Nascido em Miraguaí – RS, em 27 de setembro de 1964, Amilton exerce a profissão desde os 17 anos, com registro no mesmo estado. Formou-se em Comunicação Social (Jornalismo) em 2004, pela Universidade Estácio de Sá, em Nova Friburgo – RJ. Também é pastor adventista, ordenado em dezembro de 2008, enquanto dirigia a Rede Novo Tempo de Rádio, em Jacareí – SP. Casou-se com Rosemara em 1986, e, juntos, tiveram três filhos: Danielle (30), formada em Comunicação, reside na Califórnia, EUA, onde trabalham ela e o seu esposo, o pastor Luccas Rodor; Hamilton Wanderson (29), formado em Comunicação, casado, trabalha e reside em Curitiba; e Naielly (20), estudante de Enfermagem no Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP).

Como é Amilton Menezes por Amilton Menezes?

Um sonhador que ainda não tornou realidade todos os sonhos, e que luta incansavelmente para realizar cada um deles antes que Jesus regresse.

A paixão pelo rádio vem da infância?

Sim. Desde pequeno sou apaixonado por esse veículo de comunicação. Dormia e acordava ao lado de um radinho. À noite, conseguia ouvir transmissões de outros estados do Brasil, e durante o dia, pelas ondas curtas, escutava rádios de Porto Alegre a Moscou, na antiga União Soviética.

Que pioneiro da comunicação adventista inspira você?

Roberto Mendes Rabello, fundador e primeiro orador do programa A Voz da Profecia no Brasil. Eu sabia todas as emissoras da região e em quais horários o programa era veiculado. Não perdia um. Desenvolvi a habilidade de encontrar textos bíblicos rapidamente enquanto ele apresentava o programa.

E por que o pastor Rabello marcou tanto a sua vida?

Primeiro porque ele celebrou o meu casamento com a Rosemara. Outras marcas são a voz, a simplicidade, a generosidade e a humildade desse homem de Deus. Ele queria que eu cursasse Teologia e fosse trabalhar na Voz da Profecia, e em 2003 esse sonho se tornou realidade. Ele foi meu grande mentor e incentivador.

Como foi seu ingresso na comunicação da Igreja Adventista?

Depois de trabalhar durante 9 anos como assessor de imprensa da prefeitura de Miraguaí, aceitei o chamado para ser locutor e produtor na Novo Tempo FM de Sapiranga, em Novo Hamburgo – RS. Isto aconteceu em 1993. Depois, dirigi a Novo Tempo FM de Florianópolis, de 1996 até meados de 2002. Em seguida, em Nova Friburgo, onde ficava a sede Sul-americana da Rede Novo Tempo, onde assumi a função de produtor da Voz da Profecia. Naquela época, o pastor Montano de Barros era o orador oficial do programa.

Também teve uma experiência frente às emissoras de fala hispana, certo?

Sim. Trabalhei por 12 anos na direção geral das rádios da Igreja Adventista na América do Sul, liderando a Red Nuevo Tiempo a partir de 2007. Foi um aprendizado. Em 2014, assumi a Rádio Novo Tempo FM de Curitiba e o departamento de Comunicação da Igreja Adventista na região central paranaense.

Você também foi pastor distrital?

Em Vila Santo Antônio, em Novo Hamburgo, entre 2017 e 2018, tive minha primeira e ansiada experiência pastoral. Depois, em 2019, até a metade de 2020, no distrito de Posto Paris, na região metropolitana de Curitiba.

Quando você assumiu a Rede Novo Tempo, como era a rádio?

Na sede em Nova Friburgo, estávamos na transição entre o analógico e o digital. Tínhamos muito trabalho, muita produção alicerçada ainda na internet discada. As emissoras eram independentes, então fazíamos muitas reuniões, treinamentos, encontros de diretores e comunicadores, visando a unificação e o profissionalismo da programação e do estilo. Queríamos aplainar o caminho e fazer da Novo Tempo uma rede unificada.

Qual o futuro do rádio na pregação do evangelho?

O celular é, hoje, a maior ferramenta de comunicação. Supera a televisão e as emissoras de rádio. Está em todo lugar. E é ali que devemos estar, com programação exclusiva ou diferenciada, seja em vídeos ou podcasts. Desde 2008 já antevia isso, insistindo na necessidade da segmentação. Não há como falar para todos, ao mesmo tempo, usando as mesmas ferramentas de ontem. Ou segmenta ou morre.

Que sugestões você teria para o rádio?

Quando surgiu a televisão, decretaram o fim do rádio. Com o advento da internet, parecia que ele sucumbiria de vez. Agora, mais do que nunca, precisa segmentar-se. Precisa agregar diversos canais dentro de um só, falando para públicos diferenciados, em seus respectivos aplicativos. Em tempos de playlists em plataformas distintas, o caminho é mesclar voz e vídeo, ampliar a produção de novos podcasts.

O que você faria de novo?

Se fosse começar hoje, com certeza não seria com as ferramentas ou ideias de vinte anos atrás. Por incrível que pareça, hoje é um pouco mais difícil e complexo. Só precisaria da vitalidade daqueles tempos e do discernimento divino para ser usado apenas como um instrumento dEle.

Você continua colaborando no rádio como voluntário?

Sim, no ministério da Rádio Maranatha, que nunca esteve parado. Com a pandemia da covid-19, ainda no distrito, passei a anunciar Jesus através de lives diárias. Hoje, tenho cerca de três mil “membros virtuais”, na maioria “desigrejados”, sem religião ou de diferentes denominações. No podcast “Tempo de Refletir” são trinta mil pessoas.

Última Palavra.

Tenho um sonho: ver Jesus voltar. Não aguento mais este mundo doente. Dói demais enterrar pessoas amadas. Seja pela wgospel.com ou pelo aplicativo Manah, seja pelas lives, podcasts, WhatsApp ou qualquer outra ferramenta que venha a ser criada, que Ele me encontre trabalhando. Maranata!

 

Veja imagens da trajetória do pastor Amilton na galeria:

 


Acompanhe as reflexões feitas pelo pastor Amilton Menezes no 7Cast.

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