Notícias Adventistas

Combate a fake news é uma questão de cidadania

Essa é a avaliação de subeditora da Agência Lupa, pioneira e especializada na checagem de informações em circulação no Brasil

1 de maio de 2018

Por Felipe Lemos

Fake news é uma terminologia nova, originada pela ampliação do efeito das notícias falsas (Foto: Shutterstock)

Fake news é o termo emprestado do inglês que significa “notícias falsas”, mas tem sido adotado atualmente para designar sistemas ou estratégias para disseminação de boatos e informações não confirmadas, principalmente nas redes sociais. Até mesmo em meios religiosos é possível detectar essa prática de compartilhamento de notícias cuja veracidade é questionada. Recentemente, como publicou o Portal Adventista, até mesmo o presidente da Igreja Adventista em nível sul-americano foi vítima de boatos espalhados no mundo digital.

Por isso, a Agência Adventista Sul-Americana de Notícias (ASN) conversou sobre checagem de informações e fake news com Natália Leal, subeditora da Agência Lupa, que afirma ser a primeira agência de notícias do Brasil a checar, de forma sistemática e contínua, o grau de veracidade das informações que circulam pelo País, sobretudo as de interesse público.

Como é o trabalho da Agência Lupa e quais os resultados que vocês esperam produzir com esse trabalho de checagem?

O nosso trabalho se orienta pelos princípios éticos do jornalismo e também pelas cinco normas da International Fact-checking Network, da qual fazemos parte. Toda nossa metodologia e como trabalhamos pode ser consultado no nosso site. Nosso principal objetivo é qualificar o debate público e fornecer informação para que as pessoas possam tomar suas decisões como agentes políticos.

Como um cidadão comum, um internauta comum, pode realizar a checagem das informações com as quais tem contato em suas redes sociais e se certificar da veracidade? O que vocês sugerem?

A primeira dica é desconfiar sempre. É preciso que as pessoas estejam atentas para situações e informações que circulam em redes sociais e que não tenham uma indicação de fontes ou mesmo que não encontrem amparo na realidade. É necessário racionalizar, de fato, as informações que chegam. Algumas das dicas que damos é fazer uma busca em veículos de mídia confiáveis ou pelo menos conferir se o site onde a informação foi publicada é confiável. Em caso de redes sociais, é conferir se o perfil que está disseminando a informação não é um fake também. Isso pode ser feito observando as interações desse perfil com outros, o padrão de postagens, etc.

Vale estar atento, também, a publicações com conceitos muito amplos. “A maior crise da história”, por exemplo, é o que chamamos de conceito amplo. É a maior crise pelo número de empregos perdidos? Pelo valor do dólar? Pela taxa de juros? Do que estamos falando, afinal? Cuidado com comparações, frases atribuídas a pessoas, associação de pessoas que não tiveram proximidade geográfica ou temporal. Um exemplo é a foto usada para associar a vereadora Marielle Franco ao traficante Marcinho VP, que era falsa.

Boatos ou notícias falsas não são exatamente uma novidade, certo? Já existem há muito tempo. Qual a diferença atualmente, levando em conta que temos uma maior visibilidade das instituições na web e uma maior profusão de informações?

A diferença é justamente a velocidade com que as coisas se espalham nas redes sociais e o ambiente de polarização em que vivemos, principalmente na internet. Hoje, muitas pessoas não estão preocupadas com a verdade em si, mas sim com a verdade que lhes interessa. O que eu quero dizer com isso é que, se a pessoa não acredita em algo ou discorda de algo, ela não está interessada em saber mais sobre aquilo, ao passo que se ela já tem uma opinião formada sobre algo, qualquer coisa que ratifique o que ela pensa é tomada como verdade, ainda que não seja.

Algumas pessoas tomam suas timelines de redes sociais como um espaço onde não há necessidade de se estabelecer boa convivência com os outros, ou um espaço onde se pode falar tudo que se pensa apenas como “cidadão comum” – vemos isso no caso de desembargadores e outras autoridades públicas que publicam opiniões, por exemplo. Isso não é verdade. As timelines não deveriam ser um espaço onde todos podem exalar seu ódio ou dizer qualquer coisa sem consequência. Mas essa é uma questão de educação, sobre a qual ainda temos uma longa caminhada a ser feita.

Na avaliação de vocês, quais são os principais prejuízos do compartilhamento de notícias falsas e/ou não confirmadas?

O compartilhamento de informação falsa torna o debate público rasteiro e isso é extremamente nocivo para a democracia. Quanto mais verdade falarmos – e quanto mais soubermos sobre quem fala -, melhor a qualidade do debate público. Se não nos importarmos com isso, deixamos de nos importar com a política, que é muito mais do que o Congresso ou o Palácio do Planalto. Todos somos agentes políticos e somos responsáveis por esse debate e pelas escolhas que derivam dele.

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