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Campanha conscientiza crianças contra abuso sexual no Paraná

O dia 18 de maio é a data nacional de combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes e, no Paraná, uma campanha procura orientar crianças de forma lúdica e engraçada

17 de maio de 2018

Por Kívia Henning

Campanha contra abuso sexual infantil

No mês de maio, costuma haver ações diversas de conscientização a respeito do abuso e da exploração sexual de crianças e adolescentes. A data remete especificamente ao dia 18 do mês, do ano de 1973, quando uma menina de apenas oito anos de idade foi sequestrada, estuprada e morta por jovens de classe média alta, em Vitória, capital do Espírito Santo. Os agressores nunca foram punidos.

Nesta quinta, 17, inclusive,  foi realizada a maior operação de combate à pornografia infantil na história do País em 24 estados brasileiros com a prisão de 197 pessoas. Para evitar que crimes como estes permaneçam escondidos, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, no sul do Paraná, promove uma campanha. Com o tema Dê Carinho de Verdade, Não com Maldade, a ação incentiva adultos a denunciarem os casos e orientam as crianças a dizerem não para determinadas situações.

Uma das iniciativas foi a criação de um vídeo disponibilizado na internet. Nele, os pequenos recebem um chiclete, mas, quando colocam na boca, percebem que o gosto é amargo. A ação procura fazer uma analogia e mostrar que, para algumas crianças, alguns tipos de lembranças (como o abuso sexual) não são nada doces. Especialistas dizem que, na maioria das vezes, os abusos são cometidos por pais, padrastos, tios, avós.

Em 2017, o Disque 100, um dos principais meios de denúncia oferecidos pelo governo federal, registrou cerca de oito mil casos envolvendo menores na região Sul do Brasil. Apesar de toda orientação de combate e prevenção encabeçada anualmente por várias instituições, o número de ocorrências registradas ainda é alarmante. As histórias de violência que chegam ao núcleo de proteção da criança chocam. Para se ter ideia, só em Curitiba, atualmente, são mais de quatro mil inquéritos abertos para investigar casos de exploração sexual infantil.

Conversa na prevenção

Luci Pfeiffer, coordenadora do Dedica Curitiba.

“Acompanhamos situações que nos levam a pensar como o ser humano tem a coragem de fazer determinadas coisas. Diariamente, digo às vítimas que ninguém pode tocar em partes que são íntimas. Ninguém pode fazer uma coisa que vai além do que deseja. Infelizmente, mais de 90% das crianças abaixo de 12 anos, que chegam até nós são vítimas de abuso sexual. E o abusador ou a abusadora está muito próximo ou dentro das suas casas”, explica Luci Pfeiffer, médica coordenadora do Dedica – programa de atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência.

Carolina Arcari, escritora.

Uma das melhores formas de prevenir é conversar. Desde pequenas, elas devem saber que existem alguns tipos de toques que são saudáveis e outros que são proibidos. Estudos da Fundação Oswaldo Cruz, de 2002, já mostravam que crianças com algum tipo de acesso à informação ou que participaram de programa de prevenção estavam até seis vezes mais protegidas em relação àquelas que não receberam orientação nenhuma.

Caroline Arcari, escritora e autora do livro Pipo e Fifi, ressalta a necessidade de criar meios que contribuam com a instrução das crianças sem assustá-las. “Os pequenos necessitam de ferramentas lúdicas que falem honestamente o que é permitido ou não. E, acima de tudo, que mostre qual a diferença entre um toque que simboliza afeto e um abusivo. Quando se fala com a criança sobre violência sexual, sobre o que pode e o que não pode, ela percebe que existe um canal de comunicação”, orienta.

Os especialistas garantem que os pais e responsáveis devem estar atentos aos comportamentos. Eles sempre dão sinais quando alguma coisa não vai bem. “Não é normal uma criança ser chorona, agressiva, irritada ou intolerante. Se ela tem esse comportamento, é porque alguém está agindo da mesma forma com agressividade e irritado com ela”,  alerta Luci Pfeiffer.

Assista ao vídeo da campanha:

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