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Uso excessivo de internet prejudica interação social, dizem especialistas

Pesquisadora e psicóloga defendem que deve haver um equilíbrio quanto ao uso das mídias sociais.

17 de março de 2016
Uso excessivo de redes sociais pode causar depressão e transtornos de humor. Na foto, internautas compartilhando imagens pelo Facebook.

Uso excessivo de redes sociais pode causar depressão e transtornos de humor. Na foto, internautas compartilhando imagens pelo Facebook.

Ijuí, RS… [ASN] Quando o engenheiro de software turco Orkut Büyükköten lançou na internet, em 2004, a então mais inovadora plataforma de comunicação interpessoal, ele certamente não imaginava que seu pontapé estava abrindo portas para um mundo novo que seduziria milhões de internautas e, em menos de uma década, mudaria completamente a forma de se comunicar e provocaria alterações profundas no comportamento. Em poucos anos o Orkut, falecida primeira rede social da história, adquiriu notoriedade e deu início a uma era de pessoas que passariam inúmeras horas interagindo através de telas de cristal líquido. Prova disso é que de acordo com pesquisa feita pela consultoria ComScore o brasileiro gasta, em média, 650 horas por mês em redes sociais, o que nos torna o país mais interativo do mundo nessas mídias.

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Falando em Brasil, o país é um dos carros chefes na alavancada milionária dos criadores e administradores de redes sociais.  É só olhar a quantidade de perfis de internautas brasileiros quem estão 24 horas online. Somente no Facebook, a maior rede social do mundo, são 58 milhões de usuários fixos. Já a colorida rede social de fotografias Instagram informa que possui 29 milhões de usuários brasileiros, o que tem impulsionado o crescimento dessa rede, conforme afirmou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo Marne Levine, chefe global de operações do Instagram. Esse crescimento estratosférico do número de pessoas se comunicando pelas redes também foi impulsionado pelo advento dos smartphones, os celulares inteligentes que dispensam boa parte das atividades que antes eram feitas em notebooks ou computadores de mesa.

O crescimento do uso das redes sociais também despertou interesse sobre as consequências desse novo hábito no comportamento social e mental dos usuários. É o que aponta a pesquisadora e professora da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí), Márcia Almeida. “Essa possibilidade de interagir com muitas pessoas e o acesso muito fácil pode sim criar um ambiente propício para que se desenvolvam várias ações que muitas vezes corroboram com o que acontece na vida real, seja bom ou ruim”, constata. A acadêmica, que desenvolve palestras e participa de pesquisas sobre influência das redes sociais no consumo e no comportamento humano, também explica sobre a mudança comunicacional proporcionada pelas redes. “Nessas mídias podemos observar que existe uma espécie de comunicação paralela que é feita por meio de símbolos, signos e palavras diferentes. Uma prova dessa mudança é a selfie, que deixou de ser uma coisa pessoal e se tornou mercadológica”, argumenta. Ela também pontua que essa tendência de mudança na comunicação será cada vez maior pois o modismo salta da vida online e começa a se inserir em ambientes que nasceram e cresceram fazem uso da linguagem formal. “A linguagem é online tem sido repensada e aceita, prova disso é a reconfiguração do Jornal Nacional, da Rede Globo”, cita a professora.

Redes sociais também provocam desvios de atenção.

Redes sociais também provocam desvios de atenção.

Mas nem tudo são flores. Pesquisas feitas por renomados institutos têm mostrado a relação do uso excessivo das redes sociais com problemas relacionados à depressão e transtornos de comportamento. Isso porque a imagem muitas vezes apresentada lá não corresponde a vida que o usuário tem, fazendo com que a pessoa martirize a si mesmo por não ter o mesmo estilo de vida “perfeito” exibido nos perfis alheios. “Dentro das mídias sociais coloca-se ‘estou muito feliz’ ou ‘a vida é bela, mas no fundo todo mundo está sofrendo por estar sozinho, sofrendo por estar isolado, então de certa forma as redes afetam o comportamento humano e o estado de humor”, explica a psicóloga e terapeuta cognitiva Heloísa Vargas, que também diz que o uso excessivo com os aparelhos tecnológicos prejudica a comunicação interpessoal. “As pessoas, principalmente os jovens, aprenderam a interagir com um equipamento. Até saber formar seus grupos e rodas de amizade, mas têm dificuldade de se comunicar com o amigo ao lado”, constata.

A especialista também defende que o excesso de tempo na internet resulta em pouco convívio com família e os amigos que estão “off-line”. Tal tese também é defendida por Márcia. “Nós não podemos restringir nossas relações interpessoais a uma tela de gadget. Precisamos retomar alguns contatos reais pois eles são importantes até para a construção da própria identidade, principalmente a dos mais jovens”, acredita.  Já Heloísa aponta para o autocontrole como uma forma eficaz de diminuir o uso excessivo da rede. “Tenha limites, olhe mais para o outro e saiba até que momento você deve estar com o equipamento. Além disso é primordial que o usuário tenha consciência de que não são as redes sociais, mas sim ele próprio que deve ter controle do tempo. Assim é possível ter uma vida saudável juntamente com as redes sociais, ”, ressalta a psicóloga.

Realmente é inquestionável o fato de que as redes sociais, juntamente com os smartphones, mudaram a forma de se comunicar e até de se relacionar. No entanto, o princípio do equilíbrio deve ser sempre levado em conta pois ajudará a manter um uso sadio das redes. Pois o usuário que excede seu tempo isolando-se na internet vive com a falsa sensação de que possui vida feliz pode acabar solitário, vazio e abandonado, como o Orkut em 2014, dez anos após sua fundação. [Equipe ASN, Douglas Pessoa]

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