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Uma história de transformação em meio a pandemia

“Passei a enxergar e repensar minhas atitudes como cristã e como cidadã”

Por Pollyana Trindade 9 de abril de 2021

Medo, solidão, indiferença, são parte da história de Márcia Almeida, moradora de Porto Seguro na Bahia, vivida no começo da pandemia da covid-19. No ano de 2020, começo da pandemia, Márcia achava que o vírus não chegaria ao Brasil. Ao acompanhar os noticiários e constatar os primeiros casos confirmados do coronavírus, ela conta que começou a ficar apreensiva, foi quando tudo em sua vida mudou. Crises de ansiedade, medo e pânico passaram a fazer parte de sua rotina. “Eu fiquei por uma semana assim, muito ansiosa, acompanhando os jornais e com medo de tudo aquilo que estava acontecendo. ‘Como é que vai ser de agora para frente?’ A gente fica sem saber o que fazer, se a gente se trancava dentro de casa ou como a gente ia trabalhar, como seria? Então veio muita coisa na minha cabeça sobre a questão da economia, do sustento, se ia ter dinheiro, a empresa que eu trabalhava ia manter meu emprego?”, conta.

 

Após perder o emprego, Márcia passou a trabalhar em locais públicos como praças em Shopping Center (Foto: Hellen Maikelly)

Por medo de ser demitida, começou a trabalhar sem se importar com a situação de uma pandemia, ou com a existência de um vírus mortal. “Tive que esquecer que o vírus existia e comecei então a trabalhar, a me dedicar muito mais no trabalho. Até que fui demitida e passei a ser uma parceira autônoma, não mais uma funcionária. Aquilo me deixou desesperada porque eu precisava continuar mantendo o padrão financeiro, precisava continuar pagando as minhas contas, porque elas não diminuíram. Então esqueci que existia a Covid, que tinham pessoas adoecendo desse vírus perto de mim, só pensava em trabalho. Saía pela manhã e só chegava em casa à noite. Eu só parava no sábado, e domingo já estava trabalhando. Foi essa correria até o mês de dezembro”, contou.

 

O jejum anual e a contaminação pela covid

Ao final de cada ano, Márcia conta que é costume seu realizar um jejum de 10 dias e uma renovação da vida espiritual, onde abre uma caixa que guarda pedidos de oração, metas e objetivos traçados para o ano. Assim fez em 2020, mas o período final do jejum coincidiu com seu diagnóstico de Covid-19. “Me bateu muita tristeza, comecei a sentir muita tristeza, porque eu não conseguia entender. Me lembrei que eu estava numa corrida tão frenética de trabalho que tinha muito tempo que eu não pensava no céu, que não pensava na volta de Jesus, e aquilo começou a vir à tona naquele momento”, comentou.

A partir do momento que foi diagnosticada com o vírus, Márcia revelou que foram dias difíceis e uma avalanche de problemas se sucedeu em sua vida, porém, no momento em que se encontrava fragilizada pela doença, pessoas de diferentes lugares começaram a ligar todos os dias para saber da sua condição de saúde. “Amigos se dispuseram a ir ao mercado, a orar através de ligações, e esses gestos me marcaram profundamente. Passei a enxergar e repensar minhas atitudes como cristã e como cidadã”, afirmou.

 

Um novo olhar, uma nova atitude

Márcia conta que a experiência que viveu fez com que tomasse duas decisões importantes. A primeira delas foi a decisão de cuidar das pessoas que ela soubesse que estavam doentes. “Comecei a prestar essa solidariedade, ligava diariamente para as pessoas que eu sabia que estavam doentes, levava remédio e orava com elas pelo WhatsApp. Isso também foi me ajudando nas minhas crises de ansiedade”, mencionou.

Em sua casa Márcia passou a ligar por videochamadas ou mandar mensagens por aplicativo para ajudar pessoas que estavam passando pelo contágio do vírus. (Foto: Hellen Maikelly)

A segunda decisão foi oferecer uma oferta específica como forma de gratidão a Deus por tudo que havia passado e pela sua cura. Márcia revela que somou todos os gastos que tivera com remédios e consultas médica, que totalizavam R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais), e decidiu que sua oferta seria neste mesmo valor. Ao entregar a oferta e contar seu testemunho a um pastor, ele decidiu que precisava contar a história dela para outros. Segundo Oséas Mansck, o pastor que auxiliou Márcia com a entrega da oferta, a atitude dela sensibilizou outras pessoas a fazerem o mesmo, “Através do testemunho dela que contei em outras igrejas do meu distrito, outras ofertas de gratidão foram recebidas”, reforçou.

Hoje, após vivenciar toda essa experiência, afirma que tudo isso a fez refletir sobre a importância de ser mais solidária às pessoas e mais atenta às coisas espirituais. “Eu sinto mais vontade de ajudar as pessoas, de ouvir as pessoas, de fazer alguma coisa por elas, poder ajudar de alguma forma. Muita coisa passou a perder o sentido para mim depois que tive a doença da covid. Estava numa corrida frenética com vários planos, e hoje isso perdeu o sentido para mim. Continuo trabalhando porque eu preciso trabalhar e tenho contas para pagar, mas hoje eu estou à disposição do Senhor para a obra dEle. Isso me deixa mais feliz, significa muito mais para minha vida, tem me levantado e me fortalecido, e sei que hoje ainda existe o vírus, a covid, e eu continuo tomando os cuidados que eu preciso tomar, de máscara, álcool em gel, distanciamento social, físico. Na verdade, não é um distanciamento social, é um distanciamento físico, porque eu continuo sim ligada a cada uma das pessoas através das redes sociais. Fiquei mais cuidadosa e cautelosa em relação à minha saúde, continuo tendo medo sim, mas, estou mais confiante em Deus”, afirmou.

“Não é um distanciamento social, é um distanciamento físico, porque eu continuo sim ligada a cada uma das pessoas através das redes sociais”. (Foto: Hellen Maikelly)

 

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