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Psicóloga alerta contra abuso infantil em Minas Gerais

Flávia Arruda elenca medidas que podem evitar este tipo de ocorrência

18 de maio de 2018

Por Leonardo Saimon

Flávia Arruda: É o tipo de crime que pode acontecer em qualquer ambiente

Minas Gerais observou entre os anos de 2015 e 2016 um aumento de 15% nos números de ocorrências referentes ao assédio à criança e ao adolescente. Na época, o estado registrou 131 ocorrências de assédio contra menores em 2015 e em 2016 foram 151. Belo Horizonte andou na contramão das estatísticas e no mesmo período apresentou queda de 18% neste mesmo assunto. Os dados foram disponibilizados pela Secretaria de Segurança do Estado.

Nesta sexta-feira (18), o Brasil se mobiliza por meio entidades a fim de promover o assunto e chamar a atenção das autoridades públicas. Isso porque o abuso sexual infantil é considerado um problema de saúde pública e não se limita a uma classe social, ou de determinada cultura. O tema é delicado e exige cautela. E é por isso que a psicóloga clínica Flávia Arruda traz alguns alertas quanto a este tipo de caso.  As denúncias devem ser feitas pelo disque 100 e a omissão desse tipo de acusação também é crime.

O indivíduo que comete esse tipo de crime pode estar bem próximo das vítimas e por isso os cuidados devem ser redobrados, sugere Flávia. “Muitas vezes são pessoas comuns, alegres; são pessoas que podem estar rodeadas de amigos. É aquele rapaz ou aquela mulher ‘gente boa demais’”.

Ela explica ainda que se convenciona a ideia de que o abusador é alguém que aparenta uma personalidade promíscua.  Flávia não descarta os casos de abuso por parte de pessoas desconhecidas e complementa: “Ambos os sexos abusam e são vítimas, porém o índice maior de abusadores são homens e de vítimas meninas”.

Comportamento

“Uma criança que está sofrendo ou sofreu abuso, muda  completamente seu comportamento. Se era uma criança extrovertida, brincalhona, externamente alegre, a criança passa a ficar mais quieta, introvertida, chora sem motivo aparente”, elenca a profissional.

Neste momento, o olhar atento de familiares e educadores cobra sensibilidade. “É o tipo de crime que pode acontecer em qualquer ambiente”, destaca Flávia. Se ocorrido em casa, a criança pode, por exemplo, ser a primeira a chegar e a última a sair da escola. Sinalizando assim a falta de interesse em estar no próprio lar.  Se o crime partir de um indivíduo conhecido, a criança ou o adolescente pode demonstrar repulsa pela pessoa.

Sinais de crianças que sofrem ou sofreram abuso:

  • Mudança de comportamento
  • Dores e marcas no corpo devido à agressão;
  • Comportamento sexual incompatível com a idade;
  • Desconfiança constante;
  • Marcas vermelhas na região dos órgãos genitais;

Suporte emocional

O sentimento de vergonha e de culpa atrelado às ameaças do abusador gera o silêncio da vítima. Neste momento, além de estar atento ao comportamento da criança, os familiares e pessoas próximas devem saber como lidar ao desconfiar ou descobrir o caso.

“Validar a história da vítima e deixa-la com a certeza que essa conversa é confidencial, que a ajuda que você vai procurar é com os órgãos responsáveis e não vai contar para ninguém. Não condene, não a julgue não levante a hipótese de ela estar confusa. O silêncio acontece, justamente, porque algumas vezes a vítima não encontra confiança em ninguém”, orienta Flávia.

Além disso, o suporte emocional é imprescindível, corrobora a psicóloga. “Estabeleça um plano de curto e médio prazo porque a criança estará desestruturada. Se você disser que vai ajudar, ajude mesmo. Se a criança escolheu contar é porque confia bastante em você”, reforça.

A psicóloga orienta que todos os espaços sociais – dentro de casa, em uma escola ou até mesmo em um ambiente religioso, se debata este tipo de assunto. Flávia acredita no poder da informação. Quanto mais informada de maneira lúdica a criança for mais fácil a forma de ela identificar quando estiver sendo aliciada.

18 de maio

A data foi escolhida para mobilização contra a violência sexual porque no dia 18 de maio de 1973, na cidade de Vitória (ES), um crime que chocou o país e ficou conhecido como o “Caso Araceli”. A proposta do “18 DE MAIO” é destacar a data para mobilizar, sensibilizar, informar e convocar toda a sociedade a participar da luta em defesa dos direitos sexuais de crianças e adolescentes.

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