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Fã dos coletores de lixo, aluno de Escola Adventista em MS tem festa com temática ‘gari’

Quando chegou a época de planejar sua festa de aniversário, Miguel não teve dúvidas. Quis prestar uma espécie de homenagem aos amigos coletores

Por Rebeca Silvestrin 21 de março de 2019

No último dia 19 de fevereiro o pequeno Miguel dos Santos completou seus quatro anos de vida, mas, o que seria uma festa de aniversário comum, transformou-se na ocasião perfeita para que o garotinho demonstrasse o amor que tem pelo próximo. “Em janeiro falei para ele que a festa de aniversário desse ano seria na escola e, sem pensar duas vezes, ele me disse que queria uma ‘festinha do lixeiro’. Miguel é muito detalhista e pediu, inclusive, que a roupa dele para a festa fosse igual à utilizada pelos coletores”, conta a pedagoga Verônica dos Santos, mãe do Miguel.

Aluno da Escola Adventista de Nova Andradina, cidade distante 296 quilômetros da capital Campo Grande, Miguel é amigo dos coletores de lixo de sua cidade já há algum tempo, como explica Verônica. “A amizade dele com os garis surgiu de forma espontânea e partiu dele mesmo. Desde que começou a andar, com um ano e dois meses, costumava brincar em frente à casa da minha mãe e então começou a ter contato com esses trabalhadores. Todos os dias eles passam a pé para recolher o lixo em um determinado lugar e o gari que passava por ali, seu José Carlos, sempre brincava com ele”, lembra.

O pequeno Miguel uniformizado em sua festa de aniversário em homenagem aos amigos coletores. (foto Divulgação)

Foi então que ele começou a reconhecer esse trabalhador e o amor por eles foi aumentando conforme o tempo passou e o garotinho criou um compromisso  diário com a turma. “Como o Miguel passou a ir todos os dias no portão falar com eles, a equipe retribuía o carinho e enquanto eles estavam trabalhando, se achavam um brinquedo que estivesse em bom estado, lembravam do meu filho e levavam para ele de presente”, emociona-se Verônica.

A Festa

Quando chegou a época de planejar sua festa de aniversário, Miguel não teve dúvidas. Quis prestar uma espécie de homenagem aos seus amigos coletores. “Vi que os olhos dele brilhavam só de falar na festa, então, comecei a providenciar as decorações. Tudo o que fiz foi retirado da Internet, até porque, nunca tinha visto algo parecido nos temas de decoração de festas infantis”, comenta a mãe.

Questionado sobre o porquê da escolha do tema, Miguel foi enfático: “Porque amo os meus ‘tios do lixo’”, lembra Verônica. Segundo ela, essa é a forma carinhosa com que a criança se refere aos coletores.

Para a professora do Miguel, Camila Bastos, que é responsável pela turma do nível II na Escola Adventista de Nova Andradina, o aluno é dócil e amável com todos, além de muito preocupado com o bem-estar dos amigos e professores. “É uma criança incrível e já demonstra que tem uma opinião formada, que sabe o que é certo e o que é errado”, garante.

Os valores que são ensinados em casa, ganham reforço com o trabalho realizado pela Escola Adventista, local onde a festa de aniversário temática para os coletores de lixo aconteceu. “Os princípios que ensino ao meu filho é o do respeito às pessoas, sejam elas quem forem. Miguel sempre foi um menino muito inteligente em saber coisas que não correspondem à idade dele, então, não é muito difícil passar esses valores, pois ele aprende rápido”, enaltece Verônica.

Os coletores e Miguel: amizade, carinho e admiração que nasceram de forma espontânea. (foto Divulgação)

Ainda de acordo com a pedagoga, quando Miguel é questionado  sobre a profissão que deseja seguir quando crescer, sem titubear responde que quer ser gari, mas, diante da expressão de surpresa das pessoas, o pequeno fica confuso. “Quando as pessoas falam algo ruim a respeito da profissão de gari, ele não compreende, mas não deixa de responder e garante que ama os garis, por isso a admiração pela profissão”, comenta.

O respeito, a admiração e o amor pelo próximo são valores trabalhados dentro do ambiente escolar onde o pequeno Miguel e mais de 300 alunos estudam, no interior do Mato Grosso do Sul. “No decorrer do ano a gente tem vários projetos em que trabalhamos com as crianças a igualdade e o respeito, além da atenção especial ao próximo. Acredito que isso contribuiu bastante para a formação do caráter do Miguel, embora ele seja naturalmente uma criança com grande coração e uma bondade sem tamanho. Isso tudo faz parte da personalidade e de quem ele é. Mas, buscamos reforçar todos esses pontos em nossa metodologia, pois faz parte dos nossos valores como educadores”, conclui Bastos.

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