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Estudantes doam cabelo para pessoas com câncer

Campanha realizada pelos alunos do colégio adventista na zona sul de São Paulo gera 150 doações de cabelo.

5 de agosto de 2014
Em casa, Naquiele (à esq.) e sua mãe aguardam a chegada da nova peruca (foto: Wellington Andrade)

Em casa, Naquiele (à esq.) e sua mãe aguardam a chegada da nova peruca (foto: Wellington Andrade)

São Paulo, SP…[ASN] Você conhece alguém vítima de câncer? A paranaense Naquiele de Souza, 21 anos, residente na zona leste de São Paulo é uma entre milhares de pessoas que luta pela superação e contra a doença. “A gente nunca espera, ainda mais com a idade, super nova. Eu pensava que nunca ia ficar doente”, afirma Naquiele que, por conta da quimioterapia, acabou perdendo as madeixas. “Quando fui tomar banho, parece que o cabelo desprendeu. Foi bem horrível. Não gosto nem de lembrar”, conta a jovem.

Para a psicóloga Rosana Mazzo, “se a gente não tiver uma ajuda muito grande das pessoas que estão à nossa volta para que reconheçam você daquela maneira, para que você não perca não só a autoestima, mas a sua própria identidade, isso vai trazer nas pessoas alguns sentimentos que vão levá-la para um episódio que se chama de episódio depressivo”.

Não foi o caso de Naquiele, que teve o apoio da família, do namorado e amigos. “Minhas irmãs e uma prima rasparam a cabeça. Eu não esperava. Eu não sabia se chorava, se eu ficava feliz”, declara.

Mesmo sem saber da existência de Naquiele, a 40 quilômetros dali, na zona sul de São Paulo, a estudante Thaís Akemi, que cursa o terceiro ano do Ensino Médio no Colégio Adventista no bairro do Capão Redondo, mobilizou uma campanha de arrecadação de cabelos para a fabricação de perucas.

Assista a primeira reportagem

Ação na prática

A iniciativa se espalhou por todo o colégio. No entanto, para incentivar exclusivamente as meninas na doação de cabelo, foi feito um trabalho de conscientização nas classes e pelas redes sociais. Além disso, foram exibidos vídeos que incentivaram a ação. Um deles mostrou a atitude de uma menina de três anos, que mora no Canadá e decidiu cortar seu cabelo para ajudar crianças com câncer.

Em pouco tempo, o projeto, que começou tímido, ganhou forças e atraiu mais de 150 pessoas que se uniram a essa corrente de solidariedade. “No começo não queria doar, mas devido a campanha que a escola levantou, eu decidi fazer parte, até porque o cabelo cresce e eu estou doando pouco para quem não tem nada”, afirma a estudante Walquíria Moura. Nesta ação, professores e pais também enfrentaram a tesoura. “Nós professores estamos aqui para ajudar ao próximo e incentivar os alunos”, conta a professora Caroline Pércio.

Os cortes de cabelo que variaram entre 10 e 30 centímetros de comprimento foram feitos no próprio colégio por profissionais voluntários. Além disso, foram arrecadados desde os cabelos naturais até os quimicamente tratados. “Para doar, é necessário que o cabelo esteja limpo e, se for ondulado, que ele esteja, se possível, escovado para facilitar o processo. A gente costuma fazer amarrações na hora de cortar para não perder nenhum fio”, explica o cabeleireiro voluntário Thiago Valério.

A campanha também teve a participação de Joana Darles, que doou quase 30 centímetros do cabelo. A adolescente que acompanha sua mãe, vendedora ambulante no centro de São Paulo, ficou sabendo do projeto e prontamente decidiu contribuir. Um dos motivos que a impulsionou a doar foi pelo fato de a mãe ter enfrentado a doença.

Assista a segunda reportagem

Parceria voluntária

Após a arrecadação, a segunda etapa do projeto foi enviar as doações à ONG Cabelegria, uma organização que atende há quase dois anos pessoas que perderam o cabelo após o tratamento contra o câncer. “A Thaís entrou em contato conosco. A gente separa os cabelos por cor, tipo e tamanho, em seguida nós enviamos para um salão onde são confeccionadas as perucas”, explica Mariana Robrahn, uma das responsáveis pela ONG.

É num pequeno ateliê, na Lapa, zona oeste de São Paulo, que as mechas são transformadas em perucas pela voluntária Fabiane Costa. “Primeiramente eu separo as mechas em partes, costuro na máquina, até que elas fiquem em tela e depois costuro na touca até que a peruca fique pronta”, explica a profissional.

Por semana são feitas aproximadamente cinco perucas. O material é entregue a custo zero. “É uma causa muito justa para as crianças que precisam. Às vezes as mães não têm acesso a uma compra de peruca. Já tem uma média de sete meses que a gente faz esse trabalho”, conta Andrea Lopes, dona do salão de beleza.

Assista a terceira reportagem

Estatísticas

É fato que o câncer existe e, segundo dados do Ministério da Saúde, é uma das doenças que mais mata no Brasil. No entanto, a doença é desconhecida para muitos. “O câncer é uma doença degenerativa relacionada nos nossos tempos, ao estilo de vida, ou seja, o que você come, se faz atividade física ou não, se submete à poluição, etc. Isso faz com que o material genético seja alterado”, explica o radiooncologista Fabiano Luz.

Segundo o INCA, órgão do governo responsável pelo controle da doença no País, o câncer infantil em pacientes com até 19 anos responde por três por cento dos casos, ou seja, cerca de 15.500 registros anuais. Porém, estima-se que em torno de 70% dos pacientes acometidos pela doença podem ser curados, se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados. Na maioria dos casos o tratamento é feito com a radioterapia e a quimioterapia. Por isso o motivo da queda do cabelo e a necessidade de um novo visual.

A campanha continua

A ação realizada pelos estudantes beneficiou não só pessoas que perderam o cabelo por conta do tratamento contra o câncer, mas alunos, professores, pais e comunidade que puderam contribuir com a felicidade desses pacientes. “O objetivo é que essa campanha possa se estender às outras escolas, às igrejas, à comunidade. Quem puder ajudar, tenho certeza que vai ser bem-vindo”, incentiva Darlison Luiz Barbosa, capelão do colégio.

A iniciativa chamou a atenção da mídia e virou uma série de reportagens exibida no programa Revista Novo Tempo, da emissora Novo Tempo . [Equipe ASN, Danúbia França]

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