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Editor analisa como pastores adventistas podem ser relevantes às novas gerações

O desafio de se engajar os representantes das novas gerações foi tema principal da primeira edição de 2016 da Revista Ministério.

15 de janeiro de 2016
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Barbosa acredita que um dos pontos principais para alcançar as novas gerações é compreender a forma como pensam e explorar os recursos tecnológicos utilizados por eles

Brasília, DF… [ASN] A primeira edição da Revista Ministério de 2016, publicação adventista voltada, sobretudo, aos pastores, traz na capa um tema que inquieta os ministros: o desafio de tornar a pregação relevante às novas gerações. Aliás, o tema preocupa a Igreja Adventista de modo geral na América do Sul. Tanto é que foi adotada como uma das ênfases a ser estudada e trabalhada de maneira prática junto às congregações nos próximos cinco anos.

Por isso, a Agência Adventista Sul-Americana de Notícias (ASN) conversou com o teólogo e administrador Wellington Barbosa, atual editor da Revista Ministério, produzida pela Casa Publicadora Brasileira. Barbosa, que é pós-graduado em Aconselhamento Familiar e mestre em Teologia, substituiu o pastor Zinaldo Santos, que permaneceu à frente da publicação por 23 anos.

ASNA nova edição da Revista Ministério aborda os desafios de pastorear as novas gerações. Na sua avaliação, quais são os principais desafios para os pastores adventistas?

Wellington Barbosa – Creio que nosso principal desafio é entender o contexto de mundo em que vivemos, a fim de pastorearmos de modo eficaz. A pós-modernidade tem implicações profundas sobre a vida de todos, e precisamos compreender de que maneira nossos jovens estão sendo afetados por isso. Embora a maioria de nosso grupo ministerial ativo na América do Sul tenha nascido naquela que é chamada primeira fase do mundo pós-moderno (1950-1990), isso não significa necessariamente que ele entenda o que se passa com aqueles que nasceram na segunda fase (1990-   ), marcada fortemente pela influência dos dispositivos eletrônicos e da internet.

O espírito relativista, questionador, subjetivo, experimental e aberto da juventude, potencializado pelos recursos tecnológicos, é desafiador, pois contrasta com a objetividade e consistência do evangelho. Conscientes da lógica do pensamento dos jovens, poderemos saber como alcançar sua mente e seu coração para promover compromisso e engajamento com Cristo e a missão da Igreja.

ASN – Um dos grandes dilemas, nesse assunto, parece ser o de conciliar uma mensagem bíblica consistente com uma forma mais inovadora e criativa de fazê-la chegar até mentes inquietas que estão acostumadas com a rotina dos vídeos virais, games, redes sociais, etc. Você concorda com isso? O que sugere que seja feito para se chegar a uma harmonia?

Wellington Barbosa – Ao longo da história, a disseminação do evangelho sempre esteve ligada às inovações tecnológicas; portanto, não podemos ignorar a necessidade de andar em sintonia com os mais modernos recursos de comunicação. Acredito que devemos estar atentos a isso, ativos em adaptar a mensagem bíblica para cada um deles, mas cuidadosos para não assimilar conceitos ou práticas midiáticas questionáveis no contexto cristão.

Há poucos dias foi divulgado o resultado de uma pesquisa sobre as 20 personalidades mais influentes entre os jovens no Brasil. Metade delas são youtubers, as demais, artistas de TV. Os entrevistados disseram o que mais chamava atenção nessas pessoas: autenticidade, originalidade, senso de humor e inteligência. Isso me fez refletir em algumas questões: qual é o significado dessas características para o público jovem? Como pastores, podemos assimilar essas características do modo como os jovens as apreciam, a fim de alcançá-los? Não tenho dúvida de que a Bíblia deve ser o elemento balizador nesse processo de contextualização da mensagem.

ASNA mentalidade das novas gerações não tem a ver apenas com novas tecnologias, mas com uma percepção mais crítica da própria religião que professam. O que você sugere que um pastor local ou mesmo um outro líder faça para engajar mais seus membros desse grupo e fazer com que saiam da crítica ou de algum ceticismo e apreciem a religião?

Wellington Barbosa – Uma das características da pós-modernidade é a valorização da experiência espiritual individual, ao mesmo tempo em que se desconfia de instituições religiosas. Isso justifica, por exemplo, o aumento no número de pessoas que professam o cristianismo, mas escolheram viver sua fé fora da igreja institucional.

No Brasil, estima-se que quatro milhões de evangélicos estão nessa condição, e a tendência é que esse número aumente progressivamente. Escândalos de ordem moral e financeira, hipocrisia e espírito crítico no contexto religioso são alguns fatores que favorecem esse aumento. O fato de a Igreja Adventista ser uma instituição sólida e confiável não a torna imune ao espírito de desconfiança da juventude.

Para superar isso, entendo que nós, pastores, devemos ser coerentes em nosso discurso cristão, transparentes em nossos procedimentos e próximos de nossos jovens. Essas atitudes geram a confiança necessária para conquistá-los e conduzi-los em um processo de crescimento espiritual.

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Primeira edição do ano debate a necessidade e os caminhos para dialogar com um público diferenciado (Foto: Divulgação/CPB)

ASNUma das reportagens dessa edição fala da importância de envolver as novas gerações em mais processos e menos eventos. O que isso quer dizer, exatamente?

Wellington Barbosa – A palavra que resume esse conceito é discipulado. Os eventos têm seu lugar, mas não se pode limitar o envolvimento dos jovens com a igreja apenas a ocasiões pontuais. Eles precisam experimentar a vida cristã no dia a dia. Devem entender o que é ser sal e luz em seu contexto cotidiano, seja na família, na escola, no lazer ou nas redes sociais.

Com a nossa ajuda, necessitam vivenciar o discipulado, assim como os primeiros seguidores de Cristo experimentaram. Isso demanda de nós intencionalidade, dedicação, tempo, paciência e muito amor. Não acho que a juventude seja inerentemente apática em relação à missão da Igreja e às necessidades do mundo, mas entendo que ela precisa ser tocada em sua mente e em seu coração para sair da inércia e fazer a diferença, onde quer que esteja. Se conseguirmos, de modo processual, cultivar no coração deles a paixão por Cristo e pela missão, teremos alcançado um grande objetivo em nosso ministério. [Equipe ASN, Felipe Lemos]

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