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Disfunção familiar é apontada como fator de risco para o abuso sexual infantil

Por Bruna Coimbra 28 de agosto de 2019

62% dos abusos sexuais contra crianças e adolescentes foram cometidos por um familiar (Foto: Freepik)

O abuso sexual infantil é um assunto complexo, que envolve uma série de questões familiares, socioeconômicas e culturais. Suas consequências são muito profundas, levando uma família a conviver com uma carga emocional muito pesada. Se a vítima do abuso não for bem acolhida e receber tratamento adequado, o trauma pode afetá-la psicologicamente e comprometê-la socialmente até a vida adulta.

Estudos apontam que dentre os fatores de risco para o abuso sexual dentro de casa está a disfuncionalidade da família, ou seja, quando há falhas no desempenho das funções de seus componentes.  É uma situação em que um membro da família assume um papel diferente da sua verdadeira função em relação a outro membro da família, quando os filhos assumem a função dos pais, por exemplo.

A disfunção pode ser uma herança familiar

Esse desequilíbrio familiar se explica, em muitos casos, pela ocorrência de traumas de infância vividos pelos pais, como a violência doméstica e o abuso sexual propriamente dito. Por não terem sido tratados – mas silenciados pelo medo e pela culpa – homens e mulheres transferem para suas relações familiares os reflexos de situações abusivas.

É dentro desse contexto de relações fragilizadas e desajustadas que têm acontecido a maioria dos casos de incestos e abuso sexual de menores. Dados do Disque 100, o serviço brasileiro de denúncia, apontam que 62% dos abusos sexuais contra crianças e adolescentes foram cometidos por um familiar.

O mal relacionamento entre marido e mulher coloca os filhos em situação vulnerável

A confusão provocada pela inversão de papéis na família pode levar a situações de abuso. “Quando a relação conjugal entre pai e mãe é enfraquecida por brigas, pela ocorrência de depressão, carência de contato sexual e ausência da mãe, a filha, por exemplo, acaba suprindo a necessidade afetiva e sexual do pai no decorrer do tempo. Essa relação disfuncional é construída a partir de várias situações simples do cotidiano”, explica a pedagoga Walquíria Freitas, mestranda em Terapia Familiar Sistêmica. “Ao dar atenção ao pai em momentos em que é papel da esposa fazer, as funções se invertem e a filha se torna alvo dos desejos do pai”, finaliza.

Em situações como essa, denunciar o abuso implica em rupturas nas relações e pode representar a destruição da família. Esses fatores acabam levando mães e filhos a permanecerem em silêncio, numa tentativa frustrada de manter uma família já esfacelada.

Conscientização e prevenção 

Alunos da rede pública estadual receberam palestra sobre a prevenção contra o abuso sexual

Diante de um cenário tão delicado, o projeto Quebrando o Silêncio trouxe para o debate público a temática do abuso sexual infantil, como alternativa para promover a prevenção contra esse tipo de violência. Durante todo o mês de agosto, no Piauí, as ações educativas aconteceram desde ambientes escolares, igrejas,  até passeatas em vias públicas. O intuito foi o de chamar a atenção da comunidade para um problema mundial com desdobramentos locais.

Nessas ações, 11.400 revistas informativas, especialmente voltadas para crianças e adolescentes, foram distribuídas gratuitamente para a população. “Precisamos fazer nosso papel como cidadãos e como igreja. Acreditamos que a conscientização de pais, responsáveis e um diálogo aberto com os filhos pode ajudar a proteger nossas crianças e adolescentes”, pontua Vanaide Oliveira, coordenadora do Quebrando o Silêncio para o Piauí.

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