Notícias Adventistas

Cristãos devem fugir do consumismo e focar no planejamento familiar

A felicidade não está no consumismo insaciável, mas no contentamento das coisas que vão além daquilo que podemos adquirir.

15 de março de 2016
3 em cada 10 consumidores acreditam que fazer compras melhora o humor

3 em cada 10 consumidores acreditam que fazer compras melhora o humor

Brasília, DF…[ASN] O consumo é a aquisição de produtos para suprir necessidades básicas, ou seja, tudo aquilo que o ser humano precisa ter para viver com decência. Nessa lista entra o acesso à comida, roupa, saúde, casa e segurança. Na contramão dessa ideia, por sua vez, há o consumismo, que prega um modo de vida de crescente propensão à compra de bens ou serviços supérfluos e desnecessários, que promovem a ‘falsa’ sensação de posse, prazer, sucesso e felicidade.

Leia também:

De acordo com o publicitário Helder Moraes, professor do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), diversas estratégias de marketing são usadas para estimular o consumo. Entre elas, promoções, parcelamento em até 10 vezes sem juros, tramas cinematográficas de êxito e sucesso do protagonista, o uso de pessoas famosas para anunciar produtos, degustação no ponto de venda. Ele alerta, no entanto, que “tudo isso tem o objetivo de gerar lucro às empresas”.

Os consumidores, por sua vez, muitas vezes não percebem essas artimanhas e compram sem pensar, ou querem apenas aliviar o estresse. Segundo levantamento feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, 36,3% dos entrevistados admitem fugir da rotina por meio de compras desnecessárias, e a maior parte desse grupo é formado por mulheres. O estudo revela ainda que 3 em cada 10 consumidores acreditam que fazer compras melhora o humor.

Tani perdeu a tranquilidade e noites de sono por comprar coisas desnecessárias

Tania perdeu a tranquilidade e noites de sono por comprar coisas desnecessárias

A secretária Tania Fanti conta que por influência de amigos e parentes passou a fazer compras dispensáveis e quando menos percebeu passou a ir às lojas sozinha e com frequência. “Ao invés de comprar um relógio, comprava dois, e ao invés de apenas um sapato levava uma sandália também. Eu me baseava no cartão de crédito, e as facilidades me faziam ficar tranquila. Assim, não me importava com o fato de nunca ter dinheiro”, confessa.

Com o passar do tempo, Tania começou a perceber que comprava coisas desnecessárias. Uma amiga, inclusive, alertou que ela nunca saia de uma loja de mãos vazias. Mesmo assim era difícil mudar os hábitos. Até que um dia Tania ficou desempregada e perdeu a estabilidade profissional. A fatura do cartão de crédito começou a virar uma bola de neve. “Isso roubou a minha tranquilidade e perdi noites de sono”, conta.

Quando o banco ofereceu um limite de crédito maior “reconheci que havia ido longe demais”, lamenta. Pediu então ajuda a Deus para ser transformada e passou a evitar lugares que estimulavam o consumo e chegou a pegar produtos e, quase chorando, deixava para trás. A decisão de mudar também resultou no afastamento de amigos gastadores e o pedido a Deus, em oração, de mudar os desejos do seu coração.

Consumismo patológico

De acordo com a psicóloga Simone Prata, existe um transtorno psiquiátrico chamado oneomania – caracterizado pela vontade incontrolável de comprar coisas desnecessárias. “As pessoas que sofrem desse mal compram apenas pelo prazer, e o momento proporciona alívio, sendo semelhante a uma droga”, explica. Porém, passado o instante, vem o arrependimento e a angústia, e até mesmo o desconforto físico.

Alguns sinais revelam o comportamento de pessoas compulsivas por compras: alívio de emoções negativas, preocupação excessiva em obter coisas das quais não precisam, conflitos familiares devido a gastos maiores do que os planejados, endividamento maior do que a renda, empréstimos frequentes e a omissão do ato para os familiares.

A psicóloga alerta que a oneomania pode estar associada a outras doenças emocionais, como os transtornos de humor (bipolar e depressão) e de ansiedade, a dependência química, transtornos alimentares e controle de impulsos.

Consumismo e vida espiritual

Um dos problemas de quem é consumista é a sensação de inutilidade dos bens adquiridos e a consequente frustração ao perceber a efemeridade da sensação de felicidade. Segundo o pastor Herbert Boger, diretor do Departamento de Mordomia da Igreja Adventista para oito países da América do Sul, o cristão deve dizer não ao consumismo. “A felicidade não está no consumismo insaciável, mas no contentamento das coisas que vão além daquilo que podemos adquirir”, afirma. Um outro aspecto fundamental que ajuda muito é colocar primeiro Deus no orçamento familiar e planejar os gastos possíveis e investimentos para o futuro dos filhos e da família. [Equipe ASN, Silaine Bohry]

Leia mais sobre a elaboração do orçamento familiar aqui. 

Veja Também


Comentários

WordPress Image Lightbox