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A vida que começou aos 40. Conheça a história de voluntariado de Rolf Maier

Arquiteto fez do voluntariado um sacerdócio depois de ficar incomodado com a vida pacata que tinha e de se sentir pouco útil sem ajudar o próximo.

Por Mairon Hothon e Michelle Martins

Rolf Maier descobriu um novo estilo de vida depois dos 40. Após se engajar no voluntariado, mudou sua percepção de ver as pessoas e as coisas.

Pelo estilo de vida na infância, Rolf Maier, hoje com 51 anos de idade, viu nos primeiros anos de vida uma oportunidade de aprendizado e não de ressentimento ou carência pelo que passou. Em suas lembranças está a imagem daqueles que o conceberam, constantemente, em hospitais para a prática do voluntariado. Eles, que eram enfermeiros, faziam da profissão uma vocação em ajudar as pessoas que mais precisavam.

Durante sua infância e juventude, a influência dos pais, tanto na busca pelo conhecimento, quanto nas atividades missionárias era a tônica diária.  Natural do Pará, ele lembra que até a sua terra de origem é fruto da decisão familiar em se mudar para ajudar os habitantes da região Norte do Brasil. “Eu tinha uma admiração por todo envolvimento deles nisso. Não é qualquer pai que se aventura com a família por esse ideal”, conta.

Já com nove anos de idade, fazia visitas a presídios com o grupo musical da igreja e aos finais de semana estava em atividades com moradores de rua, em asilos, creches ou mesmo com animais abandonados. De acordo com Rolf, as ações solidárias não eram obrigatórias no lar, mesmo assim, seu interesse pelo voluntariado cresceu durante os anos.

Os planos são melhores na vida real

Após sua primeira experiência na Nicarágua em 2012, todas as suas férias foram dedicadas ao voluntariado.

Os anos foram passando e, com eles, as diferentes fases da vida vieram, todavia a ideia de fazer mais por si mesmo e pelos outros aparecia seguidamente. Rolf se formou, casou-se, decidiu adotar uma criança, cresceu nos projetos pessoais, conheceu diferentes lugares e pessoas, mas algo ainda o incomodava.

“Eu olhava para mim e falava: o que estou fazendo? Eu só estou sobrevivendo e fazendo a minha vida em cima da profissão, não estou fazendo nada de fato relevante e que deixe minha marca, o que parece ilógico para um arquiteto, né. Com 42 anos, o meu filho já estava conosco e eu caí na real, pensei que não poderia ficar só planejando e não colocar em prática. Com quantos anos eu iria fazer isso, com 100?”, indagava-se o arquiteto.

Foi, então, que, nas férias de 2012, surgiu uma oportunidade de voluntariado. O destino: Nicarágua, um dos países mais instáveis politicamente da América Central. Junto com o filho, o arquiteto investiu seus recursos financeiros que seriam para as férias em família para a primeira viagem de missão voluntária. Incorporado no espírito da viagem, ele foi para ajudar o grupo como cozinheiro.

“Fomos ajudar a construir uma escola que já estava em andamento, 10 a 15 dias de missão, uma missão feita para famílias, com atividades para os filhos, tudo que eu nunca tinha experimentado. E como eu gosto de cozinhar, me envolvi muito na cozinha do acampamento e pouco na construção em si, todavia, me senti útil, pois estava ajudando”, relembra.

Rolf estava decidido que não iria parar por ali. Para ele, os dias dedicados ao voluntariado deram outro sentido às férias. “Eu achei que tinha um propósito maior além de estar suprindo uma necessidade de descansar e se divertir viajando. Você vai para alegrar os outros e você se alegra junto. Só quem faz entende”, ressalta.

Uma escola para as comunidades ribeirinhas

Em sua primeira missão de voluntariado no Amazonas, Rolf se envolveu em todas as atividades. Foi neste ano que ele foi desafiado a construir uma escola.

Em 2014, o Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), campus Engenheiro Coelho, o convidou para ser voluntário no Amazonas. Durante a quinzena que passou no norte do Brasil, visitou várias comunidades, sendo a última a de Nova Jerusalém, na cidade de Presidente Figueiredo. O grupo teve o foco de ajudar as comunidades desde suas necessidades mais básicas.

E foi nesta última localidade que Rolf conheceu dois personagens que farão parte da sua vida como parceiros de fazer o bem. O missionário Daniel Lessa, que já morava em Nova Jerusalém, e o ex-presidente da ONG Salva-Vidas Amazonas (ASVAM) e atual diretor da ADRA Amazonas, Brad Mills. Eles viam potencial no local para construir uma escola.

“Eles vieram conversar comigo, mas confesso que no primeiro momento não ‘botei muita fé’, porque ali tudo era muito difícil. Tudo teria que vir de recursos próprios, era preciso de mão de obra qualificada e os materiais teriam que ser retirados ou da mata ou transportados pelo rio. Voltei pra casa e comecei naquele desafio”, relembra.

Todos por um sonho ou um sonho de todos?

O terreno foi doado, os recursos financeiros vieram de doações e o projeto pôde sair do papel em 2015. Quando um grupo de voluntários do Unasp, liderado por Rolf, juntou esforços para concluir a primeira casa de professores missionários da Escola Missionária Adventista de Nova Jerusalém. E assim foi, até a sexta excursão de voluntários universitários.

Porém o desafio era grande, a obra tinha previsão de terminar apenas em meados de 2024. Com a ajuda da ADRA Internacional, uma grande missão foi organizada, a ADRA Connections, com mais de 200 voluntários. Foram oito barcos com universitários de diversas áreas profissionais do Unasp campus Engenheiro Coelho, Loma Linda University, La Sierra University, Universidad Adventista Del Plata, entre outras instituições. Com recursos e mão-de-obra suficientes, a escola poderia ser entregue e inaugurada em 2018.

O arquiteto foi convidado para liderar as atividades no acabamento da obra.

“Bateu um frio na espinha. Eu percebi uma coisa, quando eu estava fazendo a missão e até depois, eu fiquei pensando que Deus me deu um desafio para uma das coisas que eu me sentia menos capacitado para fazer. Na profissão eu não acompanho obras, trabalho mais na criação, mais com dados e máquinas. Deus me colocou em algo que eu menos sei fazer a fim de mostrar que Ele realiza maravilhas na vida dos atendidos e daqueles que se colocam a disposição”, enfatiza.

Atualmente, a Escola Técnica Adventista de Massauri (ETAM) possui 49 crianças matriculadas, com planos para abrir o ensino superior para os pais e adultos da região.

“Ainda não caiu a ficha, eu tenha mais gratidão por todas as manifestações sobrenaturais e aparentes possíveis. Foram enviadas as pessoas certas e sou grato a todos e a Deus por isso que hoje vivo. Já nos dias de finalização da obra, já viu a mudança que uma escola pode fazer, ela traz autoestima para a localidade. As crianças falam que querem fazer isso, que querem ser aquilo, que querem crescer e querem se desenvolver, não há pagamento para isso”, afirma.

Para o voluntário, a escola mudou muito o paradigma das crianças que, em sua maioria, casam na pré-adolescência e começam a maternidade cedo por falta de perspectiva e oportunidades. “A escola é um ponto de transformação enorme, ela não muda apenas a criança, ele muda a família, o bairro e a região inteira. Eu vejo a educação como algo transformador”.

Dia Nacional do Voluntariado

O Dia Nacional do Voluntariado é comemorado nesta terça-feira, 28 de agosto. A data foi instituída pela lei nº 7.352, de 28 de agosto de 1985, pelo então presidente José Sarney. A data busca enaltecer o trabalho de pessoas que doam tempo, talento e trabalho em prol de interesses sociais que trazem o bem a comunidade.

Segundo o relatório da ONU, intitulado “Além do Bem – Um estudo sobre voluntariado e engajamento”, o qual aborda o voluntariado corporativo, 89% dos gestores dão mais chances para profissionais que fazem tais atividades no tempo livre e que o aumento da produtividade no dia a dia chega a 16% a mais. No entanto, no Brasil apenas 18% da população se envolve com isso.

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