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Gagueira pode ser revertida se tratada precocemente

Especialista capacitou professores da Rede Adventista no Norte do Brasil para que lidem com a gagueira no ambiente escolar.

Por Gerllany Amorim 30 de outubro de 2018

Rejane Abucater orienta educadores para lidar com a gagueira em ambiente escolar (Foto: Gerllany Amorim)

Todo mundo já conheceu ou ouviu falar sobre alguém que gagueja na hora de falar. O que quase não se vê são capacitações focadas no tema, especialmente para professores, os primeiros profissionais que precisam estar aptos a lidar com esse tipo de situação para poder auxiliar alunos no processo de aprendizagem. Com o objetivo de informar as pessoas sobre o que é a gagueira e como ajudar a tratar este que é considerado um transtorno de fluência da fala, o Dia Internacional de Atenção à Gagueira foi comemorado em 22 de outubro.

Para sanar algumas dúvidas acerca do tema, a Agência Adventista Sul-Americana de Notícias conversou com a fonoaudióloga Rejane Abucater, especialista em gagueira. Ela é membro da Oficina da Fluência, projeto com sede em São Paulo, onde 53 fonoaudiólogos levam o serviço de orientação à escolas para auxiliar educadores e familiares a melhorar a fluência dessas crianças.

A gagueira pode ser adquirida ao longo da vida?

Não. Existem três tipos de gagueira: a psicológica – encontrada mais comumente nos adultos; a neurogênica, e a do desenvolvimento. Esta última é prioritariamente genética. Apresenta-se na criança no momento em que ela começa a falar, por volta dos três anos de idade.

Se convivo com alguém que gagueja, posso pegar?

Não. Conviver muito com uma pessoa que gagueja jamais fará com que outra pessoa também comece a gaguejar.

A gagueira é um tipo de patologia?

A gagueira não é doença e não é nenhum tipo de problema neurológico, como muitos pais costumam pensar. Ela é somente uma patologia da fala e não afeta nenhuma outra área do corpo humano. É um ato motor involuntário da fala.

É hereditária?

Normalmente sim. A grande maioria dos casos de gagueira é de origem genética. A criança que apresenta gagueira geralmente tem um parente, mesmo que distante, que também apresentou ou apresenta.

Se tenho um filho que apresenta gagueira, posso tratá-lo em casa?

De forma alguma. A gagueira tem tipos e graus diferentes e, portanto, precisa ser assistido por um especialista fonoaudiólogo, que vai poder atender essa criança para aumentar a probabilidade da cura. Além de orientar a escola e a família a minimizar os transtornos.

E tem cura?

Sim, dependendo do grau e se tratada precocemente. A criança deve ser assistida pelo profissional logo que começa a falar. Isso possibilita diminuir o grau da gagueira, ou mesmo em casos mais brandos, a cura total. Nos adultos, o caso já passa a ser irreversível.

O que a escola pode fazer para auxiliar no aprendizado do aluno que gagueja?

Não necessariamente no aprendizado, pois a gagueira não interfere nesse processo, mas sim na questão social, uma vez que infelizmente podem existir casos de bullying ou manifestações negativas por parte dos colegas de classe. Existe uma série de mudanças ambientais que a escola pode fazer para ajudar nesse processo, como organizar roda de conversa com as crianças em sala para explicar a origem da gagueira e, assim, inserir esse aluno num ambiente esclarecido, e, portanto, sem restrições ou qualquer tipo de preconceito.

Já diretamente com esse aluno, o professor pode ajudá-lo com pequenos gestos, como esperar a criança falar sem apressá-la ou sem tentar completar a frase que ela quer dizer, não pedir para respirar e nem repetir e etc.

Preparo para o dia a dia

Educadores da Rede Adventista de Ensino foram capacitados para lidar com quadros de gagueira em seus alunos (Foto: Gerllany Amorim)

Essas e outras dúvidas foram sanadas pelos professores da Rede Adventista de Ensino no Norte do Brasil no dia 29 de outubro, quando tiveram uma manhã inteira de orientação com oficinas práticas de planejamento para lidar com alunos em diversos quadros de processos de aprendizagem, incluindo a gagueira.

A professora Roseli Sales já teve um aluno com essa condição e disse que, a partir de hoje, os novos conhecimentos adquiridos na capacitação a auxiliarão no dia a dia na escola, não só com este, mas com seus atuais e futuros estudantes que possam apresentar o quadro. “Agora temos uma nova visão e podemos fazer uma nova abordagem em nosso trabalho, pois o meu aluno tem exatamente o perfil dos exemplos que a fonoaudióloga explorou aqui. Agora terei maior propriedade para trabalhar com ele da melhor forma para ajudá-lo em seu desempenho”, garante a docente.

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