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Pesquisadores lançam obras sobre os impactos da tecnologia no cotidiano

Publicações dos docentes do Centro Universitário Adventista de São Paulo explicam as consequências para a desmaterialização da economia e o imediatismo.

Por Edson Nova 26 de outubro de 2018

Martin Kuhn (esquerda) e Tales Tomaz (centro) lançaram seus livros com a presença de referências nacionais na Comunicação e Economia como os professores Eugênio Trivinho, Waldir Kiel Junior e Ciro Marcondes Filho (Fotos: Daniel Filho)

Tudo começou com a leitura do livro O Valor do Amanhã, de Eduardo Gianetti da Fonseca. O publicitário Martin Kuhn passou a refletir sobre como e por que os seres humanos preferem abrir mão de uma grande recompensa no futuro para investir num objetivo imediato, pequeno e passageiro. A partir disso surgiu surgiu o sentido da sua carreira, e o projeto de transformar o Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp) numa grande universidade produtora de conhecimento.

Na noite do dia 25 de outubro mais um passo foi dado para concretizar esse objetivo. Ele lançou o livro Império do Imediato: a cultura da urgência na vida e no consumo”, fruto de sua tese de doutorado em Comunicação na Universidade Metodista de São Paulo (Umesp).

Professores Tales Tomaz (esquerda) e Martin Kuhn (direita) lançaram suas obras com base em suas teses de mestrado e doutorado. Ambos fazem parte do quadro do Centro Universitário Adventista de São Paulo.

Ele foi acompanhado do jornalista e professor do Unasp, Tales Tomaz, que apresentou ao público o livro Comunicação Tecnológica e Desmaterialização da Economia, resultado de sua dissertação de mestrado em Comunicação e Semiótica realizado na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

No lançamento, os dois autores reuniram uma plateia de pesquisadores, profissionais e estudantes de Comunicação numa livraria da região central da capital paulista. Para ajudar no debate, foram convidados o economista Waldir Kiel Junior, consultor de grandes empresas e comentarista em veículos jornalísticos, e o professor de Comunicação e Semiótica da PUC-SP, Eugênio Trivinho.

Por dentro do assunto

Em seu livro, Kuhn, atual reitor do Centro Universitário Adventista, discute como o imediatismo tomou conta de vários aspectos da vida moderna, incluindo o consumo. Ele analisou mais de 500 peças publicitárias para descobrir de que forma esse discurso vira ferramenta na criação de campanhas. “Eu creio que todos somos, de alguma forma, consumistas. O que a gente tem que entender é a capacidade de consumo. O limite tem a ver com renda, com disponibilidade, com crédito, e é preciso equilibrar isso”, afirma Kuhn, destacando essa responsabilidade para empresas, consumidores e publicitários.

Obras estão disponíveis para o público em livrarias da capital paulistana e também pela internet.

Já o livro de Tales Tomaz propõe uma nova abordagem para explicar as crises financeiras que o mundo tem vivido. A partir de várias teorias, ele demonstra que a comunicação em tempo real desmaterializa vários aspectos da vida, inclusive a Economia. “É importante a comunicação mostrar o que ela tem pra contribuir para outros campos. Acho que a minha obra é uma contribuição nesse sentido”, comenta.

Por ser um fenômeno da comunicação que afeta tantas áreas, seu livro é recomendado para profissionais e pesquisadores de muitas disciplinas. “Economia, porque ele propõe uma explicação alternativa para crises financeiras. E também tem uma contribuição para a política, sociologia e filosofia porque ele também lança um olhar sobre as relações sociais que se estabelecem”, explica Tomaz.

O professor Eugênio Trivinho foi orientador de mestrado de Tomaz e fez parte da banca que deu o título de doutor a Kuhn. Além de discutir o conteúdo dos livros, ele fez questão de afirmar sua admiração pelos autores. “Eu sei ler profundamente as pessoas que eu oriento e que têm um enorme potencial profissional e acadêmico. São dois jovens de liderança, capazes de conduzir reflexões aprofundadas de como a universidade pode se renovar”, elogia.

Um dos convidados foi o professor e pesquisador da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), Ciro Marcondes Filho. “São alunos que se desenvolveram e me superaram como mestre”, destaca. Marcondes Filho é um dos mais importantes comunicólogos do Brasil, sendo o criador da Nova Teoria da Comunicação.

Veja fotos do lançamento:

Materialização do conhecimento: imediata e duradoura

Trivinho destaca o fato de que os dois livros fazem parte de um mesmo projeto profissional científico. “Ambos falam do mesmo contexto, embora tratem de temas diferentes. Ambos falam de comunicação e velocidade, pivôs da nossa era. Comungam da preocupação crítica com os marcadores de uma época que modulam a nossa vida. É a apreensão de um fenômeno tecno-cultural. Temos duas obras que falam não apenas do mundo contemporâneo, mas das tendências mainstream do mundo contemporâneo”, esclarece.

Tomaz também aponta para o ponto comum entre o tema dos dois livros. “Ele [o livro de Martin Kuhn] também discute como essa velocidade está fazendo raízes e se introjetando em cada aspecto da nossa vida. Então vejo, sim, uma relação”, opina.

O reitor indica, inclusive, a possibilidade de formar um programa de mestrado em Comunicação no Unasp. Não apenas isso: a instituição trabalha para criar mestrados em Teologia, Direito e Gestão da Tecnologia. Essas etapas são necessárias para transformá-la de centro universitário em universidade.

“Temos pessoas inteligentes, bons cérebros, bons talentos. Eles publicam e a gente divulga. Estamos crescendo enquanto produtores de conhecimento e queremos crescer muito mais”, explica Martin Kuhn sobre o crescimento da relevância do Unasp na produção de conhecimento científico.

Para conhecer mais sobre a obra de Kuhn, assista ao documentário abaixo:

 

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