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O Museu de Arqueologia Bíblica e a historicidade da Bíblia

Entenda como funciona o Museu de Arqueologia Bíblica e qual sua importância para quem estuda de forma diligente a Bíblia Sagrada.

Por Janaina Xavier 18 de dezembro de 2020

Vista geral do Museu de Arqueologia Bíblica. (Foto: Acervo)

O Museu de Arqueologia Bíblica (MAB) do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), campus Engenheiro Coelho, completou seus vinte anos em 2020. O acervo que começou a ser formado por iniciativa do arqueólogo Dr. Paulo Bork possui atualmente 2617 itens. São materiais fruto de doações e aquisições, classificados nas seguintes coleções: artefatos arqueológicos, numismática, obras raras, manuscritos, paleontologia e geologia.

Coleções históricas

A coleção arqueológica abrange um período de mais de 4.500 anos, do chamado Bronze I (2.600 a.C.) até o século 16 d.C., com exemplares provindos do Egito, Síria, Líbano, Jordânia, Inglaterra, Itália, Portugal, Grécia, Iraque e Israel. A coleção de numismática é composta de exemplares persas, gregos, romanos, medievais, do Oriente Próximo e do Oriente Médio. Na coleção de obras raras, há Bíblias e livros de teologia bastante valiosos para a compreensão da tradução do livro sagrado e suas formas de apresentação ao longo dos anos. A Bíblia mais antiga é datada de 1528.

O Museu tem a curadoria do arqueólogo Dr. Rodrigo Silva e da museóloga Dra. Janaina Xavier e conta com o apoio do Curso de Licenciatura em História e de professores colaboradores do Unasp. As instalações físicas do MAB estão localizadas em uma pequena sala de exposição de longa duração junto à biblioteca do Unasp.

Visitas de pesquisadores e de grupos escolares e igrejas ocorrem com frequência, por isso o Unasp tem empreendido esforços para arrecadar recursos para a construção de uma sede adequada para o museu. No novo prédio estão previstos todos os espaços, mobiliários e equipamentos necessários para o bom andamento das suas atividades. Haverá ambiente administrativo, salas de exposição de longa duração e temporárias, salas para o setor educativo, biblioteca, espaço de estudos, auditório, banheiros, almoxarifado, copa, recepção/acolhimento e reserva técnica com laboratório.

Para que esse sonho se realize, o MAB aprovou o projeto na Lei Rouanet, o que permite que empresários da iniciativa privada doem até 4% do seu Imposto de Renda. Por meio desse incentivo fiscal, o Unasp espera encontrar empresas parceiras e captar os recursos necessários para a construção do museu.

Origens da arqueologia bíblica

O interesse para localizar artefatos na região da atual Palestina que pudessem dizer respeito aos evangelhos surgiu com a rainha Helena (225 – 330 d.C.), mãe do imperador Constantino. Ela ordenou uma expedição a Jerusalém na esperança de encontrar a cruz de Cristo. A partir de então, inúmeras caravanas foram realizadas nos séculos seguintes por peregrinos cristãos e comerciantes de antiguidades.

No século XIX, cidades inteiras das antigas civilizações mesopotâmicas, egípcias e assírias foram desenterradas a fim de recuperar templos e objetos para serem exibidos nos grandes museus da Europa. As inscrições antigas passaram a ser decifradas. E esclareceram muitos aspectos sobre Israel e o contexto bíblico. No início do século XX, as escavações na Palestina foram intensificadas, com descobertas em Jericó, Samaria, Laquis, no Monte Carmelo, Berseba, Gaza e En Gedi.

Porém, foi somente após a Segunda Guerra Mundial que a chamada arqueologia bíblica começou a empregar metodologias científicas, tornando mais aceitos os resultados alcançados. Importantes arqueólogos se dedicaram a defender a historicidade da Bíblia, entre eles William Foxwell Albright (1891-1972) e Nelson Glueck (1900 – 1971). Na atualidade temos os arqueológos Dr. Randall Price e Dr. William G. Dever que realizam investigações sobre a história de Israel e do Oriente Próximo nos tempos bíblicos.

No contexto adventista, figuram os nomes do Dr. Lynn H. Wood (1887-1976), Dr. Siegfried H. Horn (1908-1993), Dr. Lloyd Willis, Dr. Michael G. Hasel, Dr. Oystein LaBianca, Dr. Lawrence T. Geraty. No Brasil, podemos citar as pesquisas do Dr. Siegfried J. Schwantes (1915-2008) e, atualmente, do Dr. Rodrigo Silva, entre outros.

Outra tendência crescente tem sido a criação de museus específicos ou com coleções de arqueologia bíblica, especialmente nos grandes centros acadêmicos norte-americanos. Podemos contar 83 museus nos EUA que possuem artefatos do contexto bíblico e, entre eles, as iniciativas adventistas – o Siegfried H. Horn Museum (1970), na Andrews University e o Lynn H. Wood Archaeological Museum (2000), na Southern Adventist University.

O MAB aprovou o projeto na Lei Rouanet, o que permite que empresários da iniciativa privada doem até 4% do seu Imposto de Renda. (Foto: Acervo)

Pesquisas científicas em solo brasileiro

Nesta linha, o Museu de Arqueologia Bíblica tem desenvolvido, em solo brasileiro, uma ponte com as pesquisas científicas. E, também, com a divulgação desses conhecimentos por meio de publicações, palestras e exposições. E mais recentemente do Programa de Pós Graduação em Arqueologia Bíblica do Antigo Oriente Próximo e Mediterrâneo, iniciado em 2019, e que em 2021 abrirá sua terceira turma.

Empresários que desejarem fazer suas doações para a construção do Museu de Arqueologia Bíblica podem entrar em contato pelo telefone (19) 3858.9301.  Acadêmicos interessados na Pós Graduação em Arqueologia Bíblica do Antigo Oriente Próximo e Mediterrâneo podem obter informações pelo telefone (19) 3858.9006 ou pelo site: https://www.unasp.br/cursos/ec/pos-graduacao/historia-e-arqueologia-do-antigo-oriente-proximo/

Janaina Xavier é museóloga do MAB e doutora em Artes Visuais.

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