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Imunologista explica processo de produção e testagem de vacina

Especialista detalha como se chega até uma vacina, como a que promete imunizar contra Covid-19, e como funciona o tempo de testagem.

Por Felipe Lemos 9 de julho de 2020

Uma empresa chinesa, por exemplo, já iniciou testes da fase 3 de sua potencial vacina contra a Covid-19, segundo informações desta semana. (Foto: Reuters/Dado Ruvic)

Um dos efeitos da pandemia da Covid-19, também, foi um súbito interesse de muitas pessoas sobre como são produzidas as vacinas. Desde fevereiro, o termo vacinas registrou um forte interesse nas buscas realizadas no Google. Ao mesmo tempo, a veiculação de notícias sobre dezenas de experimentos científicos aguça a curiosidade sobre o tempo para que uma vacina contra o novo coronavírus esteja disponível.

Por esta razão, a Agência Adventista Sul-Americana de Notícias (ASN) conversou com o pesquisador Ed Wilson Santos. Ele é formado em Medicina Veterinária e Ciências Biológicas, especialista em Análises Clínicas, com mestrado e doutorado em Imunologia pela Universidade de São Paulo (USP). Atualmente, é professor de Fundamentação Biológica e Imunologia na Universidade Anhembi Morumbi.

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Por que tomar vacinas é realmente importante? Não há motivos para se temer a imunização?

Primeiramente é importante saber que nosso sistema de defesa só produz a defesa específica para um agente ao ter contato com ele. A produção de anticorpos leva sete dias para ocorrer. Mas em uma semana a doença pode causar vários estragos e, muitas vezes, até a morte. As vacinas são substâncias biológicas introduzidas no corpo a fim de protegê-lo de doenças. Na prática, elas ativam o sistema imunológico, “ensinando” nosso organismo a reconhecer e combater o agente para que ele seja eliminado e a pessoa não desenvolva a doença.

As vacinas são altamente seguras, pois passam por vários testes clínicos que atentam para sua segurança e não toxicidade. Alterações no sistema imunológico e características individuais podem levar a algumas reações adversas. Em alguns casos, como febre e dor, ou mesmo não gerar a imunogenicidade esperada. Mas as vantagens da vacinação são extremamente mais significativas que os efeitos adversos que elas possam causar.

Processo de produção

Qual é o processo para se produzir uma nova vacina, como no caso do que se espera da Covid-19?

Fazer uma vacina não é um processo simples. São várias etapas e elas não podem ser suprimidas. Até agora, o sarampo mantém o recorde de vacina mais rápida: o vírus causador da doença foi identificado em 1953, enquanto a vacina foi aprovada em 1963, apenas dez anos depois. A urgência da pandemia de Covid-19 vai quebrar esse recorde. Há estimativas que as primeiras vacinas fiquem prontas em um ano após a descoberta do vírus.

Atualmente, mais de 130 vacinas contra o Covid-19 estão em fase de desenvolvimento no mundo. Mas apenas 12 atingiram fases mais avançadas de testes em humanos. Duas estão na fase final de testes no Brasil. A empresa chinesa Sinovac e a Universidade de Oxford, do Reino Unido, estão recrutando e testando voluntários no Brasil e em outros lugares endêmicos. Caso os dados sejam promissores e alguma dessas vacinas seja aprovada, o Brasil terá vantagens na produção e distribuição da vacina.

Como funciona a testagem de uma nova vacina?

O caminho de desenvolvimento de uma vacina é longo. O objetivo é avaliar a imunogenicidade, segurança e baixa toxicidade da vacina. Começa com estudos pré-clínicos, realizados in vitro e em animais. Após dados positivos, começam os testes clínicos em três fases.

Na fase 1, são feitos os primeiros estudos em seres humanos, com o objetivo principal de demonstrar a segurança da substância. Na fase 2, busca-se descobrir se ela é capaz de gerar a resposta imune esperada, ou seja, se os indivíduos produzem anticorpos para o vírus. Já na fase 3, que precede o registro sanitário, os pesquisadores demonstram a eficácia da vacina. A fase 3 necessita ser testada num grupo maior de pessoas, em um local que esteja com uma incidência alta. Por isso, o Brasil foi escolhido para os testes. Com o sucesso depois dessas fases, a vacina é aprovada por órgãos reguladores e ocorre a disponibilização da vacina para a população.

Confira a participação do doutor Ed Wilson, sobre o assunto, no podcast Origens:

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