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A complexidade do corpo humano aponta a um planejamento inteligente?

Doutor em Ciências Biológicas e professor de Fisiologia garante que sim e dá exemplos de como é extremamente complexo o funcionamento do corpo humano.

Por Felipe Lemos 15 de novembro de 2019

Funcionamento do organismo humano depende de uma sofisticada sequência perfeita de ações que apontam para um planejamento inteligente do seu funcionamento. (Foto: Shutterstock)

Se há algo complexo no mundo é o próprio funcionamento do corpo humano. E a Fisiologia é uma área de estudo que se propõe a dar uma importante contribuição para compreensão. Ela trata do funcionamento normal dos seres vivos, assim como os processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.

Estudar o tema é a rotina de pesquisadores como Rodrigo Mello Gomes, doutor em Ciências Biológicas e docente da Universidade Federal de Goiás. Ao contrário de outros cientistas, que encontram evidências de uma evolução em suas investigações, Gomes consegue enxergar traços claros de um planejamento inteligente. Por isso, a Agência Adventista Sul-Americana de Notícias (ASN) conversou com ele a respeito da complexidade do organismo humano.

De forma resumida, por que podemos afirmar que a dinâmica e a complexidade do organismo humano reforçam a ideia de um planejamento inteligente da criação?

Só para exemplificar: nós somos dotados de sentidos especiais que nos possibilitam ver, ouvir, sentir o sabor dos alimentos e sentir uma gama enorme de odores. A lista de complexidades aumenta exponencialmente se formos olhar como funcionam os hormônios e os neurotransmissores. Essas duas classes de moléculas regulam todas nossas funções corporais de forma absurdamente complexa. Eu me pergunto como um átomo de ferro foi parar no centro de uma proteína chamada hemoglobina, com uma função fundamental para a vida, que é o transporte de oxigênio para nossas células? O mais incrível é que, a fim de que a hemoglobina seja produzida, existe um gene que contém o código específico para síntese dela. Esse gene é encontrado no nosso DNA.

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Agora, mais detalhadamente, o que você ressaltaria em termos de dois exemplos mais emblemáticos, em seus estudos, que mostram esta complexidade ser planejada e não aleatória?

Tenho estudado alguns aspectos do sistema endócrino, e fico maravilhado ao ver a complexidade da ação de um único hormônio quando ele se liga em um receptor específico para ele. Por exemplo, quando estamos em jejum prolongado, nossas glândulas adrenais secretam o hormônio cortisol. Esse hormônio mobiliza aminoácidos musculares e gordura do tecido adiposo que são usados pelo fígado para produzir glicose, que será utilizada pelo cérebro. Motivo? Para que os neurônios tenham energia e sobrevivam durante o jejum.

O mais incrível, na minha opinião, é que, para essa glândula, chamada adrenal, secretar o hormônio cortisol, ela precisa ser estimulada pelo hormônio ACTH (adrenocorticotrófico). Que, por sua vez, é liberado por outra glândula chamada hipófise, que está localizada no interior do crânio. E a hipófise precisa ser estimulada pelo hormônio CRH (liberador de corticotrofina), que é liberado pelo hipotálamo, uma neuro glândula também encontrada no crânio (esquema abaixo).

Esses hormônios, portanto, são interdependentes. Ou seja, para que o cortisol seja liberado ele depende do ACTH, que depende do CRH, que são regulados também pela quantidade do próprio cortisol. Como eles poderiam ter surgido ao mesmo tempo por meio de processos evolutivos? A questão se torna ainda mais complexa quando levamos em conta os receptores específicos para cada um desses hormônios. E para piorar ainda mais a possibilidade de surgimento espontâneo, eu pergunto: como foram escritos no DNA o código contido nos genes que codificam ambos, hormônios e seus respectivos receptores?

Esquema explica a complexidade e a organização no sistema endócrino. (Composição: doutor Rodrigo Gomes)

Podemos afirmar que estes sistemas altamente complicados do organismo só funcionam de forma absolutamente organizada? E se uma parte, por mínima que seja, falhar, nós teremos sérios problemas, certo?

Certamente sim. Vamos continuar falando sobre hormônios. Para os dois hormônios da glândula tireoide (T3 e T4) serem produzidos, a tireoide precisa de iodo. E nós obtemos iodo por meio dos alimentos. Caso falte iodo na dieta de uma pessoa, ela desenvolve uma doença chamada bócio, que é caracterizada pelo aumento exagerado da tireoide.

Além dessa pessoa apresentar um grande inchaço na parte da frente de seu pescoço, ela também terá pouca quantidade dos hormônios T3 e T4, o que vai causar o hipotireoidismo, que leva a problemas como: aumento de peso, problemas cardiovasculares, aumento dos níveis de colesterol, fadiga, depressão, entre outros. Eu gostaria de citar mais um exemplo. Trata-se do sistema de coagulação sanguínea durante uma hemorragia. Para que o sangramento seja estancado, são necessários 13 fatores em uma cascata de reações, e se apenas um desses fatores estiver ausente toda cascata para de funcionar e a pessoa sangra até a morte.

Você consegue enxergar um planejamento inteligente sobrenatural por trás de tudo o que você citou?

Sim. Planejamento exige projeto e antevidência. Vejo planejamento quando observo a complexidade dos eixos hormonais que acabei de descrever. Também vejo antevidência nas alças de retroalimentação (feedback) negativa. Por exemplo, quando o eixo HPA (Figura 1), ou eixo hipotálamo – pituitária (hipófise) – adrenal, está muito ativo, o próprio hormônio cortisol inibe o eixo. Dessa forma, a atividade do eixo é sempre equilibrada. Também vejo planejamento na informação contida no DNA necessária para expressão de todos hormônios e vejo mais antevidência GENIAL (grifo do entrevistado) no sistema de reparo do DNA, que eu precisaria de dez páginas para explicar (risos).

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