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Onde Jesus entrou na Sua ascensão? E para quê?

Para onde Jesus Cristo foi exatamente após Sua ascensão? Teólogo explica, pela Bíblia, a entrada de Cristo no santuário celestial.

Por Isaac Malheiros 28 de setembro de 2020

Tema do santuário celestial e sua relação com ministério de Cristo após a ascensão é recorrente em várias partes da Bíblia. (Foto: Shutterstock)

Jesus entrou no Lugar Santíssimo na sua ascensão para inaugurar o santuário celestial e Seu ministério sacerdotal. Essa informação pode parecer uma novidade para algumas pessoas, no entanto, ela está presente na Bíblia (Hebreus 6:20; 9:12) e nos textos de Ellen White. Não se trata de uma inovação, pois é encontrada também em livros como A More Excellent Ministry (1912), de E. E. Andross, e The Sanctuary Service (1947), de M. L. Andreasen, e em muitos autores contemporâneos.

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O raciocínio é simples: assim como Moisés inaugurou o santuário terrestre, entrando no Lugar Santíssimo como parte do ritual de Inauguração (Êxodo 26:33, 34; 40:9; Levítico 8:10-12; Números 7:1, 89; cf. Hebreus 9:21), Jesus fez o mesmo. Essa entrada foi prevista em Daniel 9:24 (“ungir o Santo dos santos”), no final das 70 semanas proféticas.

Depois, ele entrou no Santíssimo em 1844 para efetuar a purificação do santuário celestial (o Dia da Expiação, em cumprimento de Daniel 8:14) – dois eventos distintos. Entre esses dois eventos, ele ministrou no Lugar Santo, exatamente como ocorreu no tabernáculo terrestre, que era “figura e sombra das coisas celestes” (Hebreus 8:5). Ou seja: o Dia da Expiação não é o único ritual que inclui entrada no Santíssimo.

As inaugurações da aliança, do santuário e do sacerdócio

No Antigo Testamento, a aliança, o santuário e o sacerdócio foram inaugurados quase ao mesmo tempo por Moisés (Êxodo 24 e 40). E todos esses inícios aconteceram em um curto período em torno da inauguração, não do Dia da Expiação. Portanto, houve várias inaugurações paralelas, e Hebreus se refere a todas elas (por exemplo, a aliança em 9:18-20, e o santuário em 9:21-23), aplicando-as a Jesus, que também inaugurou a aliança, o santuário e o sacerdócio.

Em Hebreus, Jesus é “o Mediador da nova aliança” (9:15), e seu sangue é o “sangue da aliança” (10:29; 12:24; 13:20; cf. 9:20). Isso quer dizer que o sangue de Jesus não está restrito ao Dia da Expiação, mas também faz parte das inaugurações. Os sacrifícios de Inauguração têm função expiatória (Levítico 8:15, 34; Hebreus 9:15-23).

Ao descrever a entrada de Jesus no santuário, Hebreus 9:12 fala de “bezerros e bodes”, Hebreus 9:12 de animais que foram usados na inauguração do santuário (Números 7-8), e Hebreus 9:19 menciona novamente esses animais no contexto de inauguração da aliança e do santuário.

O uso do verbo inaugurar, em Hebreus 9:18 e 10:20, também mostra que Paulo tem em mente as Inaugurações da aliança e do santuário. O verbo grego inaugurar e derivados dele são usados para a inauguração do tabernáculo (Número 7:10, 11, 84, 88), do templo de Salomão (2 Crônicas 5:7; 7:9; Salmo 30:1) e do templo após o exílio (Esdras 6:16-17).

Moisés e Jesus

No deserto, foi Moisés quem inaugurou a aliança, o santuário e o sacerdócio. Portanto, não é estranho Jesus ser comparado a Moisés na inauguração do santuário celestial. Em Hebreus, Moisés é um tipo de Jesus (3:1-6; 9:15-24), pois atuou como rei e como sacerdote, inaugurando a aliança, o santuário e o sacerdócio. Em Salmo 99:6, Moisés é colocado “entre os sacerdotes”, ao lado de Arão.

No livro de Hebreus, a primeira referência a Jesus como sumo sacerdote (Hebreus 3:1-6) já estabelece o paralelo com a figura de Moisés. Em Hebreus 9, a obra de Jesus é comparada à obra de Moisés (inaugurando a aliança, o santuário e o sacerdócio), já que Jesus não é um sacerdote da linhagem de Aarão, mas de Melquisedeque (que era um rei-sacerdote).

A pergunta não é onde, mas para quê?

Ellen White descreve a entrada de Jesus no Santíssimo, na ascensão: “Ainda carregando humanidade, Ele ascendeu ao céu, triunfante e vitorioso. Ele levou o sangue da expiação ao Santíssimo, aspergiu sobre o propiciatório e Suas próprias vestes, e abençoou o povo” (Signs of the Times, 19/4/1905).

Nesse assunto, a pergunta não é apenas onde Jesus entrou, mas principalmente para quê? Que evento está sendo descrito? Afirmar que houve entrada no Santíssimo na inauguração não afeta em nada o cumprimento do Dia da Expiação em 1844. Pelo contrário, indica que houve um início oficial do ministério celestial. Foi para isso que Jesus entrou no Santíssimo na ascensão.

Saiba mais sobre o assunto neste vídeo:


Isaac Malheiros é doutor em Teologia e professor no Instituto Adventista Paranaense (IAP).

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