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Especialista diz que pergaminho de Levítico mostra harmonia bíblica

Técnica digital finalmente conseguiu decifrar o conteúdo do pergaminho. Teor é de dois capítulos do livro de Levítico

25 de setembro de 2016
Tecnologia foi necessária para "desenrolar virtualmente" o pergaminho que não poderia ser manuseado. Imagens da Science Advances

Tecnologia foi necessária para “desenrolar virtualmente” o pergaminho que não poderia ser manuseado. Imagens da Science Advances

Brasília, DF … [ASN] A revista Science Advances divulgou na quarta-feira, 21, que um pergaminho hebraico, aberto e digitalizado, pode ser uma das cópias mais antigas da escritura bíblica. O pergaminho En-Gedi contém o rolo de pelo menos dois capítulos do livro de Levítico e data dos séculos III e IV, ou possivelmente antes. O material foi encontrado em 1970 em En-Gedi, Israel, onde havia uma comunidade de essênios.

A datação por radiocarbono mostrou que o pergaminho En-Gedi data do século 3 ou 4 depois de Cristo, embora alguns especialistas acreditem que possa ser mais antigo. As análises sobre o estilo da caligrafia e os traços das letras sugerem que poderia ser da segunda metade do século 1 ou de princípios do século 2 depois de Cristo. Por muito tempo se pensou que seu conteúdo havia sido perdido para sempre porque o rolo foi queimado no século 6 e era impossível tocá-lo sem que se desfizesse em cinzas. Os pesquisadores utilizaram como ferramenta um avançado scanner digital para ver seu conteúdo.

Os cientistas também ficaram impactados com “o fato de que nessas passagens o pergaminho En-Gedi Levítico é idêntico em todos os seus detalhes, tanto as letras como a divisão em seções, ao que chamamos de texto massorético, o texto judaico vigente até hoje”, disse Michael Segal, diretor da Escola de Filosofia e Religião da Universidade Hebraica de Jerusalém

Análise arqueológica

Para o especialista em Arqueologia Bíblica e doutor em Arqueologia Clássica, Rodrigo Silva, professor do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp campus Engenheiro Coelho), “é interessante notar como, diferente dos filmes de Indiana Jones, os maiores tesouros da arqueologia bíblica não se traduzem em salas repletas de ouro e joias mas em fragmentos, muitas vezes menores que um cartão de visitas”.

Silva considera esse achado algo precioso. Ele explica que o pergaminho foi encontrado em um oásis mencionado na Bíblia e localizado em Israel próximo a Jericó e Qumran, onde foram descobertos os famosos manuscritos do mar Morto.

Para o especialista, o achado é bastante interessante para quem estuda e aprecia a leitura bíblica. “Considerando que não possuímos nenhum original da Bíblia, pois todos se perderam no tempo, e que contamos apenas com cópias de cópias, muitos podem supor – e de fato insinuam – que a Bíblia foi alterada ao passar do tempo. Assim, o fato de encontrar diferentes cópias da palavra de Deus ao longo dos séculos nos permite verificar se houve alterações e em que dimensão”, comenta Silva.

Para o estudioso, o pergaminho de En-Gedi surpreendeu até os mais céticos ao se mostrar perfeitamente harmônico com o texto lido hoje. Para Rodrigo Silva, é possível dizer que os judeus do segundo século liam a mesma Bíblia utilizada atualmente – isto é, o Antigo Testamento. Os manuscritos do Mar morto que são mais antigos, mostram algumas diferenças, mas todas em termos de letra, fonética, alteração de ordem das palavras, coisas pequenas que não alteram em nada o conteúdo bíblico. [Equipe ASN, Felipe Lemos, com informações da Folha de São Paulo e Science Advances]

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