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Conferência Bíblica Internacional dedica discussão à escatologia

Mais de 100 apresentações teológicas foram feitas ao longo de 10 dias

21 de junho de 2018

Por Costin Jordache, Adventist Review

Ángel Rodríguez, ex-diretor do BRI, durante a Quarta Conferência Bíblica Internacional, em Roma, Itália. (Foto: Adventist Review/Adventist World)

Mais de 360 teólogos, professores universitários e administradores da Igreja estão reunidos, em Roma, Itália, para a quarta Conferência Bíblica Internacional (IBC, na sigla em inglês). A reunião, que ocorre no intervalo de alguns anos, busca explorar um tema escolhido, associado a estudos teológicos, através da apresentação de dissertações, painéis de discussão e rede profissional. A reunião será encerrada nesta quinta, 21.

O evento é organizado pelo Instituto de Pesquisa Bíblica (BRI, sigla em inglês), que existe para “promover o estudo e a prática da teologia e do estilo de vida adventista, conforme entendidos pela igreja mundial, fornecendo materiais teológicos baseados em pesquisa e facilitando o diálogo na comunidade teológica adventista.”

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Em Roma, o tema escolhido é escatologia, uma palavra que significa literalmente “o ensino das últimas coisas” e descreve o estudo dos eventos dos últimos dias e temas afins. A escolha do local, associada ao tema, é significativa, explica Elias Brasil de Souza, diretor do BRI.

Descrita como as pernas de ferro no sonho épico de Nabucodonosor, Roma – representando o poder secular e religioso – desempenha papel significativo na narrativa profética. “Houve um propósito para nos reunirmos exatamente aqui para participar de uma conferência sobre escatologia”, escreveu Brasil de Souza no folder do programa do evento.

Ted Wilson saúda os presentes antes do início das apresentações da Conferência (Foto: Adventist Review/Adventist World)

Como parte das observações introdutórias, Ted Wilson, presidente mundial da Igreja Adventista, saudou os estudiosos, compartilhando seu profundo interesse pelo tema. “O que me move, anima e me faz seguir avançando para o alvo é a breve vinda de Jesus”, destaca Wilson. “Creio que este será um período extraordinário, focando em um tópico extraordinário.”

O que é escatologia adventista?

Ángel Rodríguez, ex-diretor do BRI, forneceu informações sobre a confluência da teologia e escatologia adventistas, em geral. Rodríguez proveu uma análise de sete partes da escatologia adventista, enfatizando o papel central da Bíblia. “Visto que o plano divino foi preservado nas Escrituras como o depositário da revelação especial de Deus, as Escrituras são nossa única fonte canônica de informação sobre a escatologia apocalíptica”, explicou Rodríguez. “Qualquer discussão adventista sobre a escatologia deve ser fundamentada e fluir do texto bíblico.”

Segundo ele, a escatologia adventista deveria ser “entendida como esperança no sentido de aguardar ou esperar a chegada do bem do Senhor”. Pontos adicionais nesse sentido, enfatizando que a “escatologia e o futuro que ela anuncia é a obra exclusiva de Deus em favor de Sua criação e não o resultado da ingenuidade humana manifestada através do progresso social, científico e tecnológico, ou o uso de técnicas de autoaperfeiçoamento”.

A escatologia adventista é centrada em Cristo e enfatiza o poder salvador da cruz, bem como a “mediação [de Cristo] no santuário celestial e Sua volta em glória”. Entre os desafios atuais à escatologia adventista, o teólogo destaca o amor divino e o extermínio dos ímpios, a aparente demora da Segunda Vinda e a relação cada vez mais desafiadora entre ciência e escatologia.

Escatologia e Hermenêutica

Já Frank Hasel, diretor associado do BRI, apresentou um panorama da hermenêutica, conjunto de princípios para interpretar o texto bíblico. Ele destacou várias doutrinas bíblicas e ensinos bíblicos importantes – como a salvação, a natureza de Deus, a natureza do pecado e o estado dos mortos – e sugeriu que cada um desses temas está significativamente associado à escatologia. Ele enfatizou que ao a associação se tornar cada vez mais evidente, “vemos mais claramente que nossa compreensão da escatologia e da hermenêutica que utilizamos afetará uma ampla gama de assuntos teológicos”.

No mesmo contexto, Frank Hasel, diretor associado do BRI, apresentou um panorama da hermenêutica, conjunto de princípios para interpretar o texto bíblico, e da escatologia, a primeira delas envolvendo um conflito de visões mundiais. Os adventistas têm defendido uma visão mundial apocalíptica bíblica, na qual o tempo do fim está próximo, com vários elementos e eventos escatológicos já em andamento. Esse cronograma iminente da ação de Deus, culminando na destruição do mal, enfatiza “a natureza terrível e a emergência do estado atual das questões”.

Mario Brito, presidente da Igreja Adventista do Sétimo Dia em uma das regiões da Europa, território que está sediando o evento, conversa com um participante (Foto: Adventist Review/Adventist World)

Por contraste, a visão de mundo moderna, enraizada na ciência, na razão e no progresso, defende um processo natural e evolutivo que deixa Deus e Suas ações fora de cena, esclareceu. “Se Deus não age de forma sobrenatural, Ele não pode criar o mundo em um tempo muito curto”, explicou. “E então, é claro, ele não pode trazer a história deste mundo para um fim sobrenatural, como a Bíblia descreve.”

De acordo Hesel, “os ensinos escatológicos da Bíblia nos chamam a um viver corajoso e fiel no qual há uma expectativa porque amamos Aquele que prometeu voltar, porque confiamos nEle, que mantém o futuro em Suas mãos, e porque todo o futuro seria vazio sem Ele”.

Escatologia e ciência

Kwabena Donkor, diretor associado do BRI, também analisou o conceito da evolução teísta e suas implicações para a escatologia adventista. “O diálogo entre a teologia cristã e a ciência é um tópico teológico cada vez mais importante”, sublinhou Donkor.

Aqueles que defendem a evolução teísta, sustentou Donkor, reconciliaram a ciência e a fé ao postular que, embora Deus exista, Ele criou o mundo usando processos naturais e propositais – também conhecidos como teológicos – incluindo processos evolutivos como a seleção natural.

O ponto principal de Donkor foi que a evolução teísta também impacta a escatologia. Isso se deve à visão do futuro da evolução. Em geral, aqueles que possuem visões evolucionistas ensinam um conceito chamado “emergência”, que é definido como “a aparência na história natural de sistemas físicos e vivos cada vez mais intrinsicamente organizados ao longo do tempo”. Em outras palavras, o mundo continua a se desenvolver – e até mesmo aparentemente a se recriar – ao longo do tempo.

Donkor acrescentou que os evolucionistas teístas adotam essa visão do futuro, sugerindo que Deus não interromperá a história com um evento universal e visível, mas que Ele usará o processo natural para “transformar” para melhor o mundo ao longo do tempo. Por outro lado, a escatologia adventista ensina que Deus “age direta e sobrenaturalmente com o objetivo de resolver o problema da futilidade da criação em uma nova criação”, compartilhou.

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