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“Onda do bem” reforça a conscientização no combate ao suicídio

Adolescentes foram desafiados a realizar ações de prevenções e criar oportunidades para ajudar pessoas que precisam de apoio emocional

Por Pollyana Trindade 21 de setembro de 2020

Jovens estão à frente de campanha de combate ao suicídio (Foto: Reprodução)

Você sabia que a simbologia da cor amarela representa felicidade? A cor escolhida para representar o mês de combate ao suicídio quer trazer exatamente a mensagem de que é possível superar a depressão. Ainda que o suicídio entre adolescentes e jovens seja uma problemática cada vez mais presente, a atenção à saúde mental é um dos caminhos para conter essa prática.

Inspirados nessa mensagem, adolescentes de toda Bahia e Sergipe estão engajados no mês da campanha de prevenção e combate ao suicídio, conhecido como Setembro Amarelo. O desafio lançado através da Base Life Teen (comunidades de adolescentes que se reúnem semanalmente) foi pensado para motivar e ajudar pessoas que precisam de apoio emocional.

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Definido como “Onda do Bem”, a ideia principal é mostrar a outras pessoas o valor que cada uma tem, o qual foi dado por Jesus Cristo. A líder dos adolescentes para os dois Estados, Eliane Lopes, promoveu o desafio através da rede social oficial da  Base Life Teen e incentivou todos os participantes a realizar ao menos três ações do bem. “O mês de setembro é conhecido como mês de maior campanha sobre autoestima, doenças mentais e suicídio. Por isso, desafiamos os adolescentes a dedicarem um tempo para refletirem sobre como estamos gastando tempo, ressaltando os defeitos e erros das pessoas que conhecemos, e transformarem esse tempo em uma oportunidade para ressaltar as qualidades e acertos”, pontuou.

Apoio de professores e outros profissionais é fundamental para ajudar a direcionar adolescentes (Foto: Reprodução)

Eliane ressaltou ainda que esse desafio foi dado a todos os membros das bases, desde os professores, diretores, até os alunos. A campanha está movimentando as redes sociais homenageando pessoas, através de mensagens no WhatsApp e publicações no Instagram, reforçando a mensagem que todos são especiais para Deus.

Em um dos vídeos, os jovens reforçaram a ideia de que “depressão não é sinônimo de falta de Deus” e orientam pessoas que se sentem sozinhas a buscarem ajuda por meio de chats, mensagens de vídeo e através de ligação gratuita pelo número 188. Em outro vídeo, um jovem declama, em forma de poesia, a importância da vida. Essas e outras ações podem ser acompanhadas através da hashtag #EuMeImportoComVC

Ansiedade, depressão e suicídio

Uma pesquisa realizada pelo Datafolha apontou aumento de ansiedade e tristeza em jovens durante a pandemia. Confira abaixo os dados dessa pesquisa:

“A falta de motivação, que em maio atingia 46%, chegou a 51% em julho. Os que enfrentam dificuldades para manter a rotina saltaram de 58% para 67%. O percentual dos que estão tristes começou a ser medido em junho, quando chegou a 36%, e passou para 41% em julho. No mesmo período, o de irritados foi de 45% para 48%. Somam 74% os que se sentem tristes, ansiosos ou irritados”.

O estudo revelou, ainda, que os jovens, além das frustrações, estão com os hormônios à flor da pele; que crianças que antes não tinham nada acabaram desenvolvendo problemas na pandemia. E há aquelas que já enfrentavam dificuldades e pioraram diante de tanta instabilidade, disse ao sinep.org, a psiquiatra Lee Fu I, coordenadora do Ambulatório de Transtornos do Humor na Infância e Adolescência do Hospital das Clínicas.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2016 o suicídio era a segunda principal causa de morte entre jovens, sendo 75% dos casos ocorridos em países de média e baixa renda. Também de acordo com o Mapa da Violência de Waiselfisz, no Brasil a taxa de mortalidade por suicídio fica atrás dos índices de homicídios e acidentes de trânsito. Para a psicóloga Emelliny Sandes, esses “são dados alarmantes, visto que se referem a fases de desenvolvimento que são consideradas popularmente como o “auge da vida”, explicou.

Ela destacou ainda que é importante identificar, desde o início, o problema psicológico. “Isso se torna fundamental para o auxílio do adolescente. O apoio familiar, a atenção, e abertura ao diálogo, facilitam o conhecimento sobre as situações que estão envolvendo o jovem ou adolescente, e desta forma o tratamento profissional terá direcionamentos que favoreçam a prevenção de situações mais agravantes”, comentou.

A relação familiar, o cuidado e afeto ajudam os pais a identificar e estar atentos a fatores que podem estar levando os adolescentes a um estado de saúde mental desgastante. Para Emelliny, outro fator importante é “a abertura ao diálogo, o incentivo à prática de exercícios físicos, ao consumo de bons alimentos, o cuidado com a qualidade do sono e o incentivo à formação de boas amizades e vínculos sociais.”

Dicas para ajudar os adolescentes

Ainda no contexto de ajuda profissional, a terapeuta e doutora em psicologia Evellin Duarte Rius enumerou alguns fatos que devem ser observados:

  1. O suicídio conta uma história, está diretamente relacionado às vivências e significados construídos ao longo da vida. O adolescente que tenta suicídio não quer acabar com a vida: ele quer acabar com a dor, com o sofrimento, que no momento é insuportável e para ele sem saída;
  2. Ter uma rede de apoio formada por amigos, familiares, professores, igreja e comunidade empática e atenta ao funcionamento desse adolescente/jovem facilita uma identificação de risco precoce. Oitenta por cento dos casos são avisados. Por isso, esteja atento; não considere normal ou brincadeira. Ouça sem julgar e acolha; todas as ameaças devem ser encaradas com seriedade. O tratamento especializado é indispensável;
  3. Uma vivência saudável da espiritualidade também contribui para o processo de regulação da saúde mental. Sentir-se seguro, acolhido, amado, aceito, compreendido, ter um olhar de esperança são necessidades frequentes em situações de crise. Sentir tudo isso através de uma espiritualidade saudável, de uma relação familiar segura é importante tanto na prevenção como no tratamento.

Para Evellin, outro ponto em que se deve estar atento é o constante uso das redes sociais. “Adolescentes que são viciados em redes sociais têm três vezes mais chances de desenvolver depressão comparado às pessoas que passam menos tempo conectadas. Além da quantidade do consumo, precisamos considerar a natureza desse consumo. O uso das redes sociais associado a cyberbullying, isolamento social, desconexão com a realidade, exposição excessiva da intimidade, expectativas não realistas, procrastinação são altamente prejudiciais e arriscados. Busque ajuda”, recomendou.

Se você precisa de ajuda nesse sentido, pode contar com o Projeto Ouvido Amigo, da Igreja Adventista. O projeto que tem o propósito de oferecer atendimento psicológico on-line gratuito com profissionais voluntários.

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